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março 04, 2008
Se Betancourt falasse
Era previsível que Hugo Chávez e Rafael Correa se apressariam em alegar que o ataque da Colômbia ao acampamento das FARC - e a morte da segunda celebrity do narcoterrorismo - frustrou a libertação de Ingrid Betancourt e de outros tantos reféns da guerrilha, que deveria ocorrer em breve.
Não faltam, agora, os mais alarmistas - e, por que não dizer?, safados pois brincam com os reféns e suas famílias ao sabor de suas ambições bolivarianas - que apostam que o assassinato de Betancourt será a resposta das FARC ao ataque que resultou na morte de Reyes.
É claro que quando se lida com cachorros loucos, ninguém pode ter certeza de nada. Mas também é certo que terroristas experientes não costumam abrir mão de seus trunfos. E Betancourt é um trunfo e tanto - talvez o único refém de projeção internacional que permanece em mãos dos narcoterroristas. Afinal de contas, manter Betancourt viva significa manter Sarkozy lambendo as botas de gente como Hugo Chávez. Que comuno-terrorista abriria mão de tal garantia?
Digno de nota, porém, é o temperamento combativo que Ingrid Betancourt, segundo o próprio Raúl Reyes, mantém no cárcere - diametralmente oposto, aliás, àquelas imagens liberadas recentemente para pressionar familiares e líderes políticos. Conclui-se que, mesmo debilitada, a franco-colombiana encontra forças para provocar seus algozes: "Até onde sei, essa senhora é de um temperamento vulcânico, é grosseira e provocadora com os guerrilheiros encarregados de cuidar dela", declarou Reyes numa troca de e-mails com o Secretariado das Farc.
Mulher admirável essa. Mantida refém há mais de seis anos, Ingrid Betancourt se recusa a baixar a cabeça para os narco-comunistas das FARC. A considerar as declarações de Reyes, ela parece não se importar com o que venha a lhe acontecer - talvez porque tenha perdido a esperança; talvez porque, mais do que ninguém, saiba que está em meio a uma guerra. Se fosse possível ouví-la - mas ouví-la sem que um terrorista estivesse lhe apontando uma arma por trás das câmeras -, provavelmente a opinião pública, Sarkozy e os próprios familiares de Ingrid Betancourt ficariam surpresos com o que ela diria a respeito da morte de Raúl Reyes.
Posted by Nariz Gelado at março 4, 2008 09:39 AM
Comments
Belíssima figura para inspirar as indefectíveis homenagens no Dia Internacional da Mulher. Não como apologia do papel da mulher vítima. Ao contrário, de força.
(N.G.: oi, querida. É vero. Saudades, viu?
Posted by: Velvet Poison at março 4, 2008 07:13 PM
Pensei o mesmo. Enquanto se luta se está lúcido.
Posted by: Ricardo Rayol at março 4, 2008 03:47 PM
o que hugo chavez faz é o que os ditadores interessados em aumentar o poder (territorial inclusive) fazem. vai cutucar até alguém lhe puxar o tapete e pisar-lhe na cabeça.
dizem que o Brasil vai intermediar a crise. com o pessoal envolvido, é colocar o lobo para pastorear as ovelhas.
e ainda digo: chamem o exército israelense para acabar com as farc e libertar os refens.
Posted by: marcelo at março 4, 2008 02:05 PM
Mulher admirável, sim. a única coisa que me ocorre é que não sei como me comportaria, se fosse eu no lugar dela.
Posted by: Jorge Nobre at março 4, 2008 12:36 PM