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março 15, 2007

O ministro, a cenoura e a chave

Até ontem, tudo o que se fazia era desdenhar a lerda reforma ministerial de Lula, como se ela fosse apenas um "puxadinho" sem qualquer importância.

Foi preciso Tarso Genro avisar que assume amanhã para a ficha cair: o principal desta reforma já estava definido pelo menos desde janeiro, quando Márcio Thomaz Bastos teria confidenciado ao vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan, que Genro assumiria em seu lugar. Então, houve um certo silêncio. Recordo apenas de um editorial da Folha de S. Paulo, por aquele dias, que chamava a atenção para o fato de que a escolha de alguém advindo diretamente do máquina petista abria o flanco para o aparelhamento político-partidário daquele Ministério.

Durante um mês e meio porém, o assunto da hora foi a nomeação - ou não - de Marta Suplicy para dois ministérios menores. A questiúncula causou frisson porque há correntes petistas que acreditam que a transformação da ex-prefeita em ministra pavimentaria sua candidatura à presidência, em 2010.

A sucessão presidencial é o calcanhar de aquiles de políticos, jornalista e articulistas em geral. Funciona mais ou menos como aquela cenoura que se balança para o cavalo: basta falar nisso para que todo o resto perca a importância. Foi assim em meados de 2005, quando a oposição resolveu "sangrar" Lula até a eleição. Tem sido assim dentro do PSDB, com os "presidenciáveis" Aécio Neves e José Serra governando para 2010. Não foi diferente com a indicação de Tarso Genro: enquanto todos se entretinham com o draminha ministerial de Marta, a principal mudança para um governo petista - a posse da chave da cadeia - corria por fora.

Posted by Nariz Gelado at março 15, 2007 11:29 AM

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