« | Main | Lá vem a sela... »
fevereiro 25, 2007
Uma nação "dimenor"
Na Folha de S. Paulo de hoje, Eliane Cantanhêde comenta a varredura que autoridades dos EUA e da União Européia estão promovendo para capturar imigrantes ilegais. Nos avisa, também, que na Europa, segundo matéria da BBC, o alvo principal são os sulamericanos. Em seguida, conclui :
" E a educação, como vai? De acordo com o Enem (ensino médio) e o Saeb (ensino básico), vai de mal a pior. E o índice de desenvolvimento? É, disparado, o menor entre todos os emergentes. Um vexame. Vida dura, essa de brasileiro. Se fica, o bicho da violência, do desemprego e da desesperança pega. Se corre, o bicho da arrogância do Primeiro Mundo come - e devolve."
Boa fruta latinoamericana, dona Eliane não cai longe do pé: em surto de vitimismo explícito, comete aquele pecadilho tão comum por estas playas. Reclama ela, com razão, da violência que escorre pelas abertas veias desta nuestra América. Sem reflexão, porém, acusa de arrogância aqueles países onde a violência não grassa justamente porque a lei se faz cumprir.
Dona Eliane parece não atentar para o óbvio: imigração ilegal é crime e deve ser tratada como tal. Mais: é esta rigorosa observação da lei, não importando a qualidade do delito, que lhe permite andar tranqüilamente, sem medo de balas perdidas ou seqüestros relâmpagos, pelas ruas de Paris, Madri, New York ou Boston.
Confesso que fiquei surpresa. Não imaginava que uma jornalista de tal expressão pudesse padecer tão cronicamente deste banzo colonial - este, que nos joga de volta ao alvorecer do século XIX, que nos condena à eterna condição de povo-criança e prega que devemos receber, por parte do hemisfério norte, um tratamento diferenciado e condescendente.
Enquanto prevalecer este banzo, a educação e o índice de desenvolvimento podem continuar um vexame. Afinal de contas, somos as vítimas de um sistema perverso, que nos exclui e nos empurra para a criminalidade. Somos um povo imberbe, incapaz de resolver seus problemas ou de assumir suas infrações. Somos, no quadro mundial, aquele trombadinha de nariz escorrendo e olhar inocente. Queremos bater a carteira dos ricos arrogantes, entrar em sua casa, usufruir de seu desenvolvimento sem pagar impostos, sem respeitar suas leis ou arcar com qualquer responsabilidade. Mais do que tudo, queremos o eterno direito de gritar, toda vez que a polícia dos ricos arrogantes apanhar um de nós, aquele malandro bordão "Sou dimenor !"
Posted by Nariz Gelado at fevereiro 25, 2007 10:36 AM
Comments
Se estamos precisando sair do país para sobreviver então fazemos parte da escória do mundo, apesar de existirem paises muito piores. Imaginem nosso país invadido por gente da pior especie vindo de todos os buracos de cobra deste mundo. Iríamos achar isto certo? É claro que não! Os europeus e americanos estão certos em cuidar de seus países. Seus antepassados sofreram e lutaram para criar países onde se preza a ética, a honestidade e se valoriza o trabalho e se são ricos isto se deve a essa cultura. Porque deixar ser invadido por vagabundos, malandros, bandidos, que só querem levar vantagem sobre o trabalho alheio. Os filhotes do pais da malandragem gostam de se dar bem, de preferencia sem muito esforço. Basta ver que elegeram o Lula que nada mais é que um ícone do perfil da maioria dos brasileiros. Não preciso nem dizer pois voces já sabem quais são estas caracteristicas. Voce tem razão Nariz Gelado. Os botocudos "destepais" gostam de se fazer de vítima e falar mal dos americanos, mas são doidinhos para viver as benesses do tio Sam e outros paises desenvolvidos. E se acham no direito de invadir a casa alheia...
Posted by: brazuca at fevereiro 26, 2007 10:49 AM
Quer dizer que se a minha geladeira estiver mais vazia que a dela, eu posso invadir sua casa e me instalar lá? Ela não vai ser arrogante e me expulsar?
Essa senhora é engraçada...
Posted by: maria helena rubinato rodrigues de sousa at fevereiro 26, 2007 02:27 AM
Adorei o que você escreveu.Antes ainda gostava de ler o que ela escrevia, mas depois que descobri que ela é admiradora deste governo podre, não me dou ao trabalho de ler o que ela escreve, acho que merece bem o que foi escrito no post acima...
Posted by: Angela at fevereiro 26, 2007 12:18 AM
Perfeito, querida NG. Eis um texto que eu gostaria de ter escrito. Está em boas mãos.
Bj
P.S.: precisamos marcar um café para derrubar o segundo reinado, já que não conseguimos nada no primeiro....
(N.G.: Obrigada, Tambosi. Fico honrada com o elogio.Comentei isso hoje mesmo, aqui em casa: precisamos marcar outro café. Bjs)
Posted by: Tambosi at fevereiro 25, 2007 10:08 PM
Eu tenho muitos amigos vivendo na Europa. Eles riem quando digo que só me mudo depois de ter alguma coisa boa para apresentar lá. Para eles, é normal chegar na Inglaterra e ir limpar chão. Eu não limparia o chão de lugar algum no Brasil, porque faria isso lá?
Pode parecer besteira a minha reflexão, mas o espírito dos meus amigos é parecido com o da jornalista. No caso, arrogante são eles, que não nos aceitam. Será? Será que eles precisam nos aceitar só porque vamos para lá? Nós contribuímos de alguma forma?
Se fizéssemos alguma diferença positiva, teríamos o reflexo disso no Brasil. Perguntem para o João qual é o nosso diferencial. Olhe a política, a representação do povo, e me diga qual a nossa qualidade como POVO.
A colunista da Folha deve ter ido brincar no Carnaval. Os amigos estrangeiros dela também. Duvido que ela pergunte a eles, que provavelmente gostaram demais do Brasil, porque não ousam mudar para cá.
Posted by: Lefebvre at fevereiro 25, 2007 04:10 PM
Eu, na verdade, me surpreendo é quando vejo um jornalista falar/escrever algo sensato. Mas confesso que é preconceito meu. ;-)
Posted by: Claudio at fevereiro 25, 2007 03:21 PM
Oi Nariz
Eu concordo com o Rui. A Eliane já deu diversas mostras de que sofre de irremediável "raquitismo ou distúrbio de tireóide esquerdista vitimista" ...
Adriana
Posted by: Adriana at fevereiro 25, 2007 02:32 PM
Nariz, querida: a Eliane é uma idiota. Não se levanta se cair de quatro. Pode publicar. :)
Belo post, saudades de você. Beijo grande!
(N.G.: obrigada, querido. Um beijo pra você também.)
Posted by: Ruy at fevereiro 25, 2007 01:44 PM