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fevereiro 28, 2007
Opção e responsabilidade
Quando mais jovem, eu sempre imaginei que não hesitaria em abortar uma gravidez indesejada. E imaginava isso com a tranquilidade de quem tomava todas, absolutamente todas, as providências para não se ver diante de tal dilema. Mas surpresas aconteciam, volta e meia, entre meu grupo de amigos e conhecidos - de modo que eu não excluía por completo a possibilidade.
Talvez porque nunca tenha sido obrigada a tomar esta decisão, ao longo dos últimos 20 anos acabei mudando: hoje eu não interromperia uma gravidez inesperada. É uma decisão pessoal, fruto de alguns princípios de fé misturados à certeza de que seria um peso ficar convivendo com a eterna pergunta "será que foi uma decisão acertada?" Não perco de vista, porém, o fato de que assim penso hoje porque hoje tenho uma vida bem mais estável sob o ponto de vista emocional e financeiro.
Como podem ver, é uma decisão pessoal, de foro íntimo, que exponho aqui apenas para melhor ilustrar minha opinião sobre o tema. E o que eu penso é que todos devem ter o direito de decidir pessoalmente sobre isso. Pouco importa se vão fazê-lo com base em questões econômicas, religiosas ou morais. Esta é uma decisão que não cabe ao Estado. Decidir que, uma vez que tenha engravidado, uma mulher seja obrigada a ter o filho é tão invasivo quanto obrigar à ligadura de trompas àquelas que já tenham dois ou três filhos. Da mesma forma, pois, que eu não aceito o controle compulsório de natalidade chinês, não posso aceitar a intervenção sumária do Estado, obrigando que se leve adiante uma gravidez indesejada. E assim como não acho que o Estado deva assumir nossos filhos, não acho que ele deva nos obrigar a ter filhos quando nós não os desejamos. A questão ética aí envolvida deve ser resolvida por cada um, de acordo com a sua consciência e, se quiserem, com a sua fé.
Vejam a causa da paternidade responsável, que foi tema dos posts de ontem. Como exigir responsabilidade se, no final das contas não se dá opção? Uma ação pela paternidade consciente e responsável, que mostre a seriedade da tarefa - e que cobre responsabilidade daqueles que a ela se aventuram - deve não apenas trabalhar pela prevenção da gravidez indesejada. Deve vir, também, acompanhada da liberdade de opção, dando chances para que os futuros pais decidam se querem ou não assumir tal responsabilidade.
Se a religião "a" ou"b" prega que isto é inaceitável, pode fazer o que já faz hoje: orientar seus fiéis no sentido de que eles se afastem de tal prática. Mas o Estado é laico e, como tal, deveria contemplar a todos - e, aqui, devo dizer que quem é contra o aborto tende, no geral, a tratar a questão como se, ao legalizá-lo, o Estado o estivesse impondo. Não é verdade. O Estado apenas estaria permitindo a liberdade de escolha numa questão, não me canso de repetir, de foro íntimo.
Outro argumento, bastante infantil e superficial, trata a legalização do aborto como se, a apartir dela, este passasse a ser o método contraceptivo por excelência. Não é verdade - principalmente se vier acompanhado de uma campanha de conscientização nos moldes que defendi ontem. Aliás, se tal camapanha de fato fosse realizada, arrisco dizer que os índices de gravidez indesejada diminuiriam muito. Mas o extremo escatológico é, no geral, o argumento dos fanáticos - sejam eles esquerdistas, direitistas, cristãos, islâmicos, ou judeus. Sabemos que todos estes clubinhos têm lá seus extremistas - e que é preciso que nos façamos de surdos às acusações que eles tão facilmente nos dirigem para que possamos discutir de forma séria e profunda determinados temas. Caso contrário, ficaremos naquelas discussões apaixonadas que levam a lugar algum: de um lado, eles nos acusando de assassinos covardes; de outro, nós dizendo que é fácil decidir pela manutenção de uma gravidez quando não vai se arcar pessoalmente com a responsabilidade sobre a mesma.
O que importa, aqui, é diferenciar, e bem, o fato de que eu posso resolver, amanhã, integrar uma "liga anti-aborto". Posso fazê-lo com a convicção de que estarei defendendo questões morais, éticas ou religiosas. Posso fazê-lo com intuito de conquistar mentes e corações pela "defesa da vida". Ao Estado, porém, cabe a tarefa de permitir que aqueles que porventura não me dêem ouvidos tenham, de fato, opção. Caso o contrário, minha causa é falsa e eu nada estarei conquistando. Estarei apenas reforçando uma imposição do Estado sobre a vida privada - o que, para o caso em questão, significa fornecer mais um culpado coletivo, a quem os pais relapsos poderão sempre apontar na hora de justificar seus fracassos.
Posted by Nariz Gelado at 04:10 PM | Comments (35)
Empurrando com a barriga
Ontem me perguntaram por qual razão eu desembestei a escrever artigos maiores, desvinculados das notícias.
Primeiro, não é verdade que estejam desvinculados - e a própria citação da coluna do Clóvis Rossi, num artigo de ontem, evidencia que não. São artigos que buscam respostas - de forma um pouco mais complexa, concordo - para questões que andam saltando aos olhos. Segundo, porque este blog sempre esteve ao sabor dos acontecimentos. E quando nada realmente importante acontece, quando o país inteiro está empurrando com a barriga no aguardo da tal reforma ministerial, prefiro aproveitar o tempo para refletir.
Como tenho um blog, reflito por escrito. E é muito bom ver que não o faço sozinha mas, sim, com a ajuda dos leitores - pelo menos, com a ajuda daqueles que me escrevem ou comentam. Estes últimos, em especial, colaboram para aprofundar e/ou expandir, a depender do caso, os temas aqui tratados.
É o caso do último artigo, que suscitou a questão do aborto. Já declarei aqui, no passado, que sou a favor. Não tenho, porém, tempo para me debruçar sobre o tema agora. Mas voltarei a ele tão logo me seja possível - creio que hoje à noite. Este é, definitivamente, um tema que não dá para empurrar com a barriga.
Posted by Nariz Gelado at 11:06 AM | Comments (2)
fevereiro 27, 2007
Crescei e multiplicai-vos
Este, só pelo título, já vai dar encrenca. Mas vamos em frente, pois há muito a ser dito - e um tanto mais de hipocrisia a ser combatida.
Se o ômega da crise de responsabilidade a que me refiro no post anterior é João Hélio sendo trucidado ao longo de infernais sete quilômetros, seu alfa é aquele facilmente identificável, mas raramente debatido: a irresponsabilidade primeira, que consiste no nascimento daquela antiga "célula social", a família.
"Crescei e multiplicai-vos" é a expressão bíblica que, na gestação desta crise, teve sua primeira e providencial palavra esquecida. Deixemos de lado a escatologia e vamos diretamente à sua mais simples interpretação: "crescei e multiplicai-vos". Notem que não é " multiplicai-vos e crescei". Também não é só "multiplicai-vos". Está claro como a água do mais puro lago: a paternidade só deve vir quando houve crescimento, ou seja, quando aqueles que se apresentam para a tarefa de dar seguimento à espécie já atingiram determinado grau de maturidade para tanto - e, o que é mais importante, quando dispõem das condições psicológicas e materais mínimas exigidas para dar conta do fardo.
Na sociedade que culpa "aos outros" porém, o tema da paternidade responsável raramente encontra espaço para discussão. Hoje, abundam as matérias a respeito da gravidez na adolescência. Paradoxalmente, raríssimas são as ocasiões em que nossa produção cultural se dedica a discutir algo tão simples e elementar: o que é preciso para ser pai e mãe? Muito ao contrário, já há algum tempo se aceita como normal, se estimula e se comemora como correto e certo, o fato de que a figura do pai seja plenamente dispensável. "Produção independente", é o que dizemos, como se falássemos de um curta-metragem colegial ao invés da séria e complexa tarefa de criar uma criança. Não se trata aqui de condenar, desde cedo, aos filhos das mães solteiras como futuros contraventores - já que teríamos de condenar, de antemão, também aos filhos das jovens viúvas. Trata-se apenas de perceber o quanto nossa cultura estimula a idéia de que criar filhos é algo absolutamente fácil e simples - quando há muito deixou de sê-lo.
Por mais que tenha avançado do ponto de vista tecnológico, político e - vá lá - cultural, a humanidade continua encarando a procriação como algo meramente instintivo. Mais do que qualquer coisa, neste novo quadro cultural que dispensa os deveres, a procriação é um direito - direito assegurado, inclusive, pelo Estado, que em alguns casos se preocupa em disponibilizar, aos menos favorecidos, aqueles sofisticados tratamentos para infertilidade. É o mesmo Estado, notem bem, que não consegue ter um programa decente e eficaz de planejamento familiar.
Planejamento familiar, sim, senhores. Não o compulsório, no molde chinês. Mas um planejamento familiar com acesso fácil a métodos contraceptivos - principalmente a vasectomias e ligaduras de trompas, hoje praticamente irrealizáveis no sistema público de saúde, por conta de trâmites burocráticos que beiram à insanidade. Um planejamento familiar com um grande esforço de mídia, mostrando, em primeiríssimo lugar, que ter um filho é tomar para si - e para o resto da vida, fique bem claro - uma série de d-e-v-e-r-e-s. E, curiosa coisa que agora me ocorre, dentre estes deveres estão a realização de exames pré-natais e a amamentação - ambos alvos de campanhas estatais milionárias, que têm por fim remediar os efeitos da maternidade inconseqüente, mas que muito colaboram para difundir a idéia de que a coisa toda é uma maciota: " Faça o pré-natal, É de graça." (pode engravidar que o Estado banca o médico). "O leite materno é o único alimento que a criança precisa até o sexto mês" (viu? só dá despesa depois do sexto mês).
Até aqui, porém, pode parecer que o problema é apenas das classes sociais menos favorecidas, Não é. Basta ver os índices de adolescentes grávidas entre as classes média e alta para entender que também ali prolifera uma total falta de consciência a respeito do tema. Por óbvio que estas meninas e suas proles pouco ou nada pesarão para o Estado. Mas podem vir a pesar, e muito, para a sociedade se seus filhos forem criados sem a necessária disciplina - resultado direto da culpa que persegue pais e mães que, por obrigação ou opção, dedicam mais tempo às suas carreiras do que às pequenas criaturinhas que colocaram no mundo. É óbvio que também aqui a noção de paternidade responsável é frágil. Ora é porque os pais resolvem se eximir do papel que lhes cabe para - suprema sombra e água fresca - serem "os melhores amigos dos filhos" - e os professores e a sociedade em geral que se virem depois para suportar o janotinha mimado; ora porque eles simplesmente não sabiam muito bem onde estavam se metendo. Para estes últimos, o supra-sumo da novidade são as "brinquedotecas", depósitos onde os abastados podem largar os filhos nos finais de semana - aqueles dois dias terríveis em que a escola permanece fechada e as babás estão de folga.
É claro que há muitas crianças que, nascidas em lares que não estavam inicialmente preparados para recebê-las, acabaram encontrando ali condições plenas para o seu desenvolvimento - a saber, amor, disciplina e suporte material mínimo para garantir-lhes uma vida decente. Mas, por outro lado, se olharmos para cada delinqüente juvenil, veremos que a grande maioria nasceu e se criou em estruturas familiares destroçadas. Logo se conclui, pois, que é preciso encarar a paternidade responsável como a grande e principal causa a ser hoje defendida. Sem ela, jamais haverá Conselhos Tutelares, escolas, lei ou polícia suficiente.
Posted by Nariz Gelado at 03:27 PM | Comments (11)
Os outros
Hoje, em sua coluna para a Folha de S.Paulo, Clóvis Rossi, traz o depoimento de um professor do ensino público que reclama, entre outras coisas, da não participação dos pais na educação formal dos filhos - os pais não apareceram na escola para reclamar o baixíssimo rendimento da criançada em um concurso de matermática.
A coisa só pode surpreender a quem pouco convive com professores de ensino médio e fundamental. Não é o meu caso. Até bem pouco tempo, eu convivia quase que diariamente com eles. E posso lhes afirmar que os relatos do dia-a-dia dessa gente são o testemunho de que o desleixo dos pais não é apenas com o ensino formal: é com a educação em geral - com aquilo que, em última instância, nossas crianças deveriam aprender em casa.
Não vou nem listar aquelas questões que, vez por outra, recebem destaque da mídia: alunos armados, professores ameaçados etc e tal. Esta é só a ponta do iceberg. Vamos ao rés do chão, aquela instância que a mídia não costuma mostrar. Porque é lá, penso eu, que o problema começa. E o que temos? Temos alunos psicologicamente abalados, incapazes de apreender qualquer coisa, porque o pai, bêbado, passou a noite batendo na mãe. Alunos perturbados porque a mãe, prostituta, recebe cinco ou seis clientes por noite no casebre de um só cômodo. Alunos sem noções de higiene, que precisam ser apresentados ao chuveiro e à escova de dentes pela professora. Alunos, enfim, simplesmente abandonados por aqueles que os geraram.
Mas não se engane o leitor achando que o problema é meramente social. Nas casas onde o banho é quente porque nunca falta dinheiro para a conta de luz ou de gás, há também abandono: ou porque pai e mãe trabalham muito para manter um padrão de vida decente, ou porque estão envolvidos demais com seus próprios umbigos - e não raro com suas próprias bebedeiras, entorpecentes e promiscuidade. Ali, onde tudo cheira a limpeza, estão também os filhos daqueles que procriam sem a exata noção da responsabilidade exigida pela tarefa. Com sorte e com dinheiro, porém, eles podem contar com um serviçal que lhes substitua a presença - mas não, fique bem claro, a autoridade.
Voltemos à reclamação do professor apresentada por Rossi: como esperar que este pessoal, que não dá conta nem do que deveria fazer em casa, vá à escola reclamar do ensino recebido pelos filhos? Antes de mais nada, seria preciso que eles aparecessem para apanhar o boletim da garotada, certo? E, ao darem o ar da graça em tão jocoso evento, esperaria-se que não viessem alcoolizados - ou com o propósito de quebrar os dentes daquela professora que insiste em dar zero ao menino. Sim, porque a postura da grande maioria dos pais, de todas as classes socias, que ainda se dão ao trabalho de ir a escola discutir o desempenho de seus filhos, é simplesmente colocar toda a carga de culpa sobre os ombros do professor.
As péssimas condições do ensino no Brasil - e a forma como a mídia constantemente repercute este tema - colaborou para uma inversão de valores. Encontrou-se, pois, a desculpa ideal: o problema é sempre da escola e do professor. Mais adiante, quandos estas crianças estiverem reclusas em celas, terá sido " culpa da sociedade". E mais: se, porventura, um destes meninos ou meninas, num futuro próximo, for pego tentando ingressar ilegalmente em algum país do hemisfério norte, a culpa será do "capitalismo selvagem" ou da globalização.
O quadro da educação, já se vê, é apenas uma faceta de uma questão muito maior. Estamos vivendo uma crise que é menos fruto de questões socias e mais, muito mais, resultado de uma mudança cultural: há sempre um culpado, um "outro", no geral coletivo e não facilmente individualizável, a quem podemos culpar por nossos fracassos. Se esta crise pode ser resumida em um só termo, eu diria que ela atende pelo nome de "crise de responsabilidade". É nos braços dela que chegamos a este quadro geral de impunidade, no qual todos querem ter direitos e poucos, muito poucos, reconhecem que eles devem vir acompanhados de deveres.
Posted by Nariz Gelado at 09:25 AM | Comments (7)
fevereiro 26, 2007
Não foi equecida
No último dia 6, quetionei aqui no blog a quantas andava a CPI das ONGs.
Há poucos minutos, o senador Heráclito Fortes subiu à tribuna para dar satisfações a respeito da mesma: diz o senador que já possui mais de 60 assinaturas para solicitar a abertura da CPI das ONGs- e que se ainda não entrou com o pedido para a sua instalação é porque aguarda a definição dos quadros ministerias. Fortes teme que, na atual conjuntura - em que ninguém sabe se sai ou se fica - , os ocupantes de determinados quadros, que porventura sejam chamados a colaborar, aleguem que estão, no momento, apenas cumprindo provisoriamente suas funções. Segundo o senador, isto prejudicaria, mais uma vez, o cumprimento do prazo estabelecido para que a CPI encerre seus trabalhos.
Então tá. Aguardemos a distribuição ministerial de Lula. Dizem que sai só depois de 19 de março.
Posted by Nariz Gelado at 07:50 PM | Comments (6)
Lá vem a sela...
Amanhã a OAB e o Planalto se reunem para tentar fechar a proposta de reforma política que Arlindo Chinaglia prometeu, na última sexta-feira, colocar em pauta. Se Chinaglia cumprir a promessa, o projeto deverá chegar ao Legislativo em algumas semanas - tempo hábil para que seja apreciado por todos os partidos.
A OAB não gostou do tom do presidente da Câmara, que deixou claro que as propostas da entidade eram meras sugestões. Mas esfregou as mãozinhas de satisfação ao ver que a discussão está prestes a se tornar realidade.
Já eu não gostei foi do tilintar de sela e buçal que ouço sempre que alguém falar em "voto em lista". Juntamente com fidelidade partidária e o financiamento público de campanhas, o voto em lista integra aquilo que o governo tem como tripé fundamental da reforma.
Paradoxalmente, o pacote da OAB traz, também, a tal proposta para a convocação de plebiscitos e referendos pela sociedade, sem a mediação do Legislativo. Confuso, não? Por um lado, a sociedade brasileira já estaria suficientemente madura para decidir diretamente a respeito de determinados temas. Por outro, não tem discernimento para decidir diretamente sobre quem merece ou não seu voto - no que precisa ser tutelada pelos partidos. Me parece que estão é a nos oferecer espelhinhos e contas de vidro: "divirtam-se aí decidindo sobre a eutanásia, enquanto nós decidimos o orçamento da saúde".
O voto em lista, como vocês devem saber, é aquele subterfúgio através do qual os partidos escolhem quais políticos gostariam de ver eleitos - e o eleitor se limita a votar na legenda. Quer dizer, lá pelas tantas, quem simpatiza com o programa do PSDB pode se ver obrigado a engolir um Eduardo Azeredo, simplesmente porque o partido resolveu que ele deve encabeçar a lista dos candidatos à Câmara Federal - e que a maioria dos votos da legenda serão direcionados para ele. Vale o mesmo para o PFL e Roberto Brant. Já o PT dispensa exemplos. Primeiro porque a lista ficaria longa demais para um só post. Segundo, porque os petistas já têm o hábito de acatar qualquer coisa que o partido lhes enfie goela a baixo - de modo que o governo está apenas querendo estender a todo o quadro político nacional aquela burra procuração em branco que a militância costuma passar ao PT.
Há coisa de três anos, quando a proposta do voto em lista começou a ser mais dicutida por conta da apresentação de um projeto de lei da lavra de Ronaldo Caiado, Miro Teixeira alertava para o fato de que a disputa pela presença ou não em listas futuras coagiria os deputados a serem sempre fiéis às decisões de seus partidos - e, o principal, observava que o impeachment de Fernando Collor não teria ocorrido em tal conjuntura.
E é exatamente este o perigo. Se, por um lado, é verdade que o modelo atual, por ser personalista, enfraquece a importância dos programas partidários no processo de decisão do eleitor, também é verdade que, com o voto em lista, os deputados ficam mais desobrigados (ainda!) de prestar contas à população. Esta é a queixa corrente na Argentina e na Espanha - para citar dois países que usam o sistema. O referencial dos deputados passa a ser somente o partido - o único que lhes pode garantir presença na lista da eleição seguinte. Não é difícil concluir, pois, que no Brasil a corrupção apenas passará a se dar nas entranhas - sempre bem protegidas dos olhos e ouvidos populares - partidárias. Alguém aí se arrisca a imaginar a que peso será negociado o primeiro lugar da lista?
Finalmente, se nenhum destes argumentos lhe parecerem suficientemente fortes, lembre-se que o voto direto é um direito constitucional, prestes a ser derrubado porque gente como Zé Dirceu, que quer dar os partidos - estas instâncias tão probas da nossa representação política - o direito de limitar nossas escolhas. É a sela que vem, tilintando, na nossa direção. Logo, logo eles vão querer montar.
Posted by Nariz Gelado at 10:31 AM | Comments (4)
fevereiro 25, 2007
Uma nação "dimenor"
Na Folha de S. Paulo de hoje, Eliane Cantanhêde comenta a varredura que autoridades dos EUA e da União Européia estão promovendo para capturar imigrantes ilegais. Nos avisa, também, que na Europa, segundo matéria da BBC, o alvo principal são os sulamericanos. Em seguida, conclui :
" E a educação, como vai? De acordo com o Enem (ensino médio) e o Saeb (ensino básico), vai de mal a pior. E o índice de desenvolvimento? É, disparado, o menor entre todos os emergentes. Um vexame. Vida dura, essa de brasileiro. Se fica, o bicho da violência, do desemprego e da desesperança pega. Se corre, o bicho da arrogância do Primeiro Mundo come - e devolve."
Boa fruta latinoamericana, dona Eliane não cai longe do pé: em surto de vitimismo explícito, comete aquele pecadilho tão comum por estas playas. Reclama ela, com razão, da violência que escorre pelas abertas veias desta nuestra América. Sem reflexão, porém, acusa de arrogância aqueles países onde a violência não grassa justamente porque a lei se faz cumprir.
Dona Eliane parece não atentar para o óbvio: imigração ilegal é crime e deve ser tratada como tal. Mais: é esta rigorosa observação da lei, não importando a qualidade do delito, que lhe permite andar tranqüilamente, sem medo de balas perdidas ou seqüestros relâmpagos, pelas ruas de Paris, Madri, New York ou Boston.
Confesso que fiquei surpresa. Não imaginava que uma jornalista de tal expressão pudesse padecer tão cronicamente deste banzo colonial - este, que nos joga de volta ao alvorecer do século XIX, que nos condena à eterna condição de povo-criança e prega que devemos receber, por parte do hemisfério norte, um tratamento diferenciado e condescendente.
Enquanto prevalecer este banzo, a educação e o índice de desenvolvimento podem continuar um vexame. Afinal de contas, somos as vítimas de um sistema perverso, que nos exclui e nos empurra para a criminalidade. Somos um povo imberbe, incapaz de resolver seus problemas ou de assumir suas infrações. Somos, no quadro mundial, aquele trombadinha de nariz escorrendo e olhar inocente. Queremos bater a carteira dos ricos arrogantes, entrar em sua casa, usufruir de seu desenvolvimento sem pagar impostos, sem respeitar suas leis ou arcar com qualquer responsabilidade. Mais do que tudo, queremos o eterno direito de gritar, toda vez que a polícia dos ricos arrogantes apanhar um de nós, aquele malandro bordão "Sou dimenor !"
Posted by Nariz Gelado at 10:36 AM | Comments (8)
fevereiro 24, 2007

" Integrantes do MST se enterram em Caxias do Sul. Foto: Daniela Xu / Agência RBS
Acabo de lembrar de uma piada muito velha, mas perfeita para a ocasião.
Acho que era mais ou menos assim: depois de morrer, Fidel foi para o inferno. Lá chegando, foi colocado ao lado de Stalin, numa piscina cheia de merda. Vendo que o nível dos excrementos chegava apenas até o pescoço, o cubano comentou: " Até que a coisa não é tão terrível". Mas o companheiro limitou-se a gritar: " Não fala! Mergulha, que lá vem a foice!".
Posted by Nariz Gelado at 07:20 PM | Comments (7)
fevereiro 23, 2007
Salvando o dia
"O clima de pega-chuta-lincha que vem se espalhando por aí, depois dos últimos episódios de violência urbana, está ótimo para propostas de “democracia radical”. Como se sabe, democracia com adjetivo é um perigo."
(...)
"Esse é o caldo de cultura típico, perfeito, inconfundível para a apoteose do populismo. E ele explodirá neste segundo mandato de Lula, podem aguardar, com potência sem igual na história do Brasil pós-ditadura militar. Seu codinome é reforma política."
É Guilherme Fiuza salvando esta sexta-feira modorrenta com um excelente artigo. Corra lá para ler na íntegra.
Posted by Nariz Gelado at 04:33 PM | Comments (2)
Notícias bombásticas
Uma lula gigante de 450 quilos (Deus me livre... toc, toc, toc) foi capturada ontem, em águas antárticas. A ameaçadora criatura simplesmente emergiu ante o incrédulo olhar dos pescadores neozelandeses.
E hoje, jornais do mundo inteiro noticiam que, nas savanas do Senegal, fêmeas de chimpanzés estão fabricando lanças para caçar - salto evolutivo muito parecido com aquele realizado pelos nossos ancestrais, há cerca de 6 milhões de anos.
Como vocês podem ver, o reino animal está bombando.
Devo, pois, me comover com a nova virada discursiva de um Pedro Simon que, contariado com a lentidão de Lula em distribuir ministérios ao PMDB, ocupou a tribuna do Senado, na manhã de hoje, para retomar as críticas ao governo? Ou quem sabe deveria me dedicar à Marta Suplicy, que anda às vésperas de entrar para a história política brasileira com o justo epíteto de "aquela que foi sem nunca ter sido"?
Esqueçam. Prefiro os chimpanzés.
Posted by Nariz Gelado at 01:42 PM | Comments (5)
fevereiro 22, 2007
Fugindo para escapar
Enquanto Mr. Bush faz subir o muro, e mais brasileiros são presos tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos, os mexicanos encontraram outra forma de lucrar com o sonho de fugir para aquela parte mais competente da América (sorry...os ofendidos estão, desde já ,desafiados a provar que a afirmação não é verdadeira).
Quarenta reais é o preço do ingresso para um parque temático mexicano que simula a experiência de quem tenta cruzar a fronteira daquele país rumo aos Estados Unidos. A aventura, que dura cerca de seis horas, expõe os fujões de mentirinha a todo o tipo de dificuldades que os imigrantes ilegais enfrentam.
É a alegoria da fuga servindo como válvula de escape - exemplo máximo do lazer como forma de controle social, que bem poderia ter retardado a queda do Muro de Berlim. Nem tudo, porém, está perdido: ainda há tempo para surgir uma versão cubana.
Posted by Nariz Gelado at 10:41 AM | Comments (7)
fevereiro 21, 2007
Vai abraçar, companheiro?
Leio na Folha de S. Paulo de hoje que Lula recebeu uma carta muito especial durante sua carnavalesca estada no Guarujá. O remetente é Orlando Lovecchio Filho que, aos 61 anos, decidiu que tem direito a uma pensão mensal de R$ 20 mil reais - equivalente, em média, àquela que vem sendo paga aos perseguidos políticos do regime militar.
Orlando, que não pertencia nem à esquerda armada e nem às fileiras da repressão, perdeu uma perna em 1968, quando uma bomba explodiu em frente ao Consulado dos EUA, em São Paulo. Agora, ao ver que muitos dos que promoveram atentados como aquele que o vitimou estão recebendo indenizações, ele faz a sua, mais do que justa, reivindicação.
De minha parte, penso que Orlando não deveria perder tempo com Lula. Lula só conversa fiado e jamais resolve qualquer problema.
Se eu fosse Orlando, iria até o deputado Fernando Gabeira. Estou certa de que, enquanto ex-comabatente da esquerda armada - e na atual condição de deputado super vigilante para questões de justiça ética -, Gabeira abraçará a causa de Orlando.
Posted by Nariz Gelado at 10:15 AM | Comments (10)
fevereiro 18, 2007
O pior espetáculo da Terra
Na madrugada da última sexta-feira, um rapaz sofreu um acidente de moto no túnel Zuzu Angel, no Rio de Janeiro. Não bateu em ninguém e nem levou qualquer fechada de outro veículo. Simplesmente caiu por falta de visibilidade - o túnel estava às escuras porque suas lâmpadas haviam sido roubadas.
Levado às pressas, como todos os acidentados do Rio, para o Hospital Municipal Miguel Couto, foi diagnosticado com afundamento da base do crânio e edema cerebral. A UTI do Miguel Couto, porém, - que já foi referência para politraumatizados - não dispunha do PIC, o aparelho que monitora a pressão cerebral. Como o estado do paciente não permitia a sua remoção para outro hospital, um grupo de amigos, atendendo aos apelos desesperados do médico, adquiriu o tal aparelho - bem como outros medicamentos necessários, que o Miguel Couto simplesmente não tinha.
O relato acima me foi passado por uma amiga da família, leitora deste blog. Ela pergunta, justificadamente, pela tal intervenção federal nos hospitais, que Lula prometeu quando pediu votos aos cariocas. Também se questiona sobre o que vinha acontecendo com pacientes que, uma vez chegando ao Miguel Couto, não puderam contar com amigos para suprir a falta de equipamentos daquele hospital.
Já eu, que jamais me deixei iludir por Lula, apenas me pergunto se os milhares de turistas que vão ao Rio de Janeiro por ocasião do Carnaval sabem que, uma vez que necessitem de socorro médico, estarão às portas de morte. E mais: me pergunto se não é insanidade permitir que os Jogos Pan-americanos sejam sediados por uma cidade que não consegue, por um lado, impedir que a bandidagem roube as lâmpadas das vias públicas e, por outro, fazer a devida reposição quando isto acontece.
Posted by Nariz Gelado at 11:09 AM | Comments (7)
Alá-lá-ô
Eu poderia dizer que sumi porque aproveitei o Carnaval para plantar 9.875 árvores - vocês sabem... aquela história de compensar a poluição que causei ao longo de 42 anos de vida.
Mas a verdade é menos hipócrita e mais simples: recebi visitas e o papo delas é bom. Bom demais para que eu perca meu tempo comentando o que nossos políticos andam aprontando durante o reinado de Momo. E depois, vocês não me fizeram qualquer mal para que eu os exponha a tamanha mediocridade.
Na certeza, pois, de que quando o tema é Carnaval e política, Itamar Franco segue insuperável, eu estava tentada a aparecer aqui só lá por quarta-feira.
Contudo, um acontecimento revoltante, ainda em curso, me fez retornar antes do planejado.
Volto já para lhes contar.
Posted by Nariz Gelado at 10:27 AM | Comments (0)
fevereiro 15, 2007
Deixei escapar
Foi dois ou três dias depois daquele debate da Band, no qual Lula e Alckmin se enfrentaram pela primeira vez, que ouvi:
- "Serra vai comprar de volta o avião que o Geraldo vendeu."
Ri e fiquei esperando que o meu interlocutor concluísse a piada. Como ele nada mais dissesse, me obriguei a perguntar:
- "Mas por que"?
- "Birra."
Não acreditei. Antes tivesse acreditado. Perdi um furo.
Posted by Nariz Gelado at 11:25 PM | Comments (9)
Turbinas acionadas
Da Folha de S. Paulo de hoje:
"O governo federal vai enviar ao Congresso documento sugerindo uma reforma política que inclua a regulamentação dos dispositivos constitucionais que prevêem a realização de consultas diretas à sociedade -plebiscitos e referendos. Sugere regras que facilitem a realização dessas consultas. A iniciativa da convocação deixaria de ser exclusiva do Congresso.
De acordo com o documento, plebiscitos e referendos poderiam ser convocados também pela sociedade, por meio de projetos de iniciativa popular.
O texto com as sugestões do Planalto resulta de uma compilação feita pelo Ministério das Relações Institucionais, dirigido por Tarso Genro. E incorpora contribuições do CDES, da OAB e do Ministério da Justiça. Vai ao Congresso como proposta formal do governo. Os congressistas podem acatar ou não as sugestões."
Na matéria seguinte, a Folha explica rapidamente como funcionam os plebiscitos e referendos na Suíça, na Itália, no Uruguai, nos EUA e, é claro, na Venezuela. Não faz, porém, a necessária avaliação crítica a respeito dos índices de distribuição de renda e de escolaridade nestes países.
Apertem os cintos, pois as turbinas foram acionadas. Não é um avião. É uma furadeira gigante, que vai nos arrastar para um buraco escuro e fétido.
Posted by Nariz Gelado at 11:53 AM | Comments (6)
Retratos do Brasil II
Quantos articulistas políticos se dedicaram a comentar a vergonhosa virada de casaca do senador Jefferson Péres?
Há, claro, muita coisa acontecendo no país para ocupar os nossos articulistas.
Mas é bom não perder de vista que muitas dessas coisas jamais mudarão enquanto não se cobrar coerência e vergonha na cara por parte de nossos parlamentares - no caso em questão, do nosso "pralamentar".
Posted by Nariz Gelado at 11:43 AM | Comments (5)
fevereiro 14, 2007
Retrato do Brasil
Sintonizo a TV Senado e José Agripino está na tribuna, falando da carga tributária - principalmente daquela que pesa sobre o setor têxtil.
Gosto do senador. Acho que já disse uma vez que, quando nada, porque eu o considero um dos melhores oradores daquela casa. Gosto, também, do seu jeito franco e direto de fazer oposição.
E deve ser honesto.
Cotado para ser vice na chapa presidencial PSDB/PFL, perdeu. Candidato a presidência do Senado, também perdeu.
Considerando a atual conjuntura política, concluo que deve ser um homem decente esse José Agripino.
Posted by Nariz Gelado at 04:40 PM | Comments (8)
Não deixe de ler. Assine se quiser
De todas as petitions que recebi nos últimos dias, esta me pareceu a mais completa porque, ao contrário daquele inútil recuo aos 16 anos, pede que o menor sentenciado por crime hediondo, seja qual for sua idade, seja apenado como adulto. Solicita também, entre outras coisas, revisão do Código Penal a fim de que crimes hediondos sejam punidos com penas mais longas, a serem cumpridas integralmente, sem direito a benesses.
Clique aqui para ler na íntegra.
Posted by Nariz Gelado at 10:08 AM | Comments (7)
Somos um país à mercê de canalhas
Seguem trechos do discurso que o Senador Jefferson Peres - que ontem aderiu ao Governo Lula - proferiu, na tribuna do Senado Federal, em 30 de agosto de 2006.
"Como se ter animação em um País como este com um Presidente que, até poucos meses atrás, era sabidamente - como o é - um Presidente conivente com um dos piores escândalos de corrupção que já aconteceu no Brasil, e este Presidente está marchando para ser eleito, talvez, em primeiro turno?
É desinformação da população? Não, não é. Se fizermos uma enquete em qualquer lugar deste País, todos concordarão, ou a grande maioria, que o Presidente sabia de tudo. Então, votam nele sabendo que ele sabia. A crise ética não é só da classe política, não, parece que ela atinge grande parte da sociedade brasileira.
Ele vai voltar porque o povo quer que ele volte. Democracia é isso. Curvo-me à vontade popular, mas inconformado. Esta será uma das eleições mais decepcionantes da minha vida. É a declaração pública, solene, histórica do povo brasileiro de que desvios éticos por parte de governantes não têm mais importância.
Isso vem até da classe dos intelectuais, dos artistas. Que episódio deplorável aquele que aconteceu no Rio de Janeiro semana passada! Artistas, numa manifestação de solidariedade ao Presidente, com declarações cínicas, desavergonhadas, Senador Antonio Carlos Magalhães! Um compositor dizer que "política é isso mesmo, fez o que deveria fazer", o outro dizer que "política é meter a mão na 'm'"! Um artista, em qualquer país do mundo, é a consciência crítica de uma nação. Aqui é essa, é isso que é a classe artística brasileira, pelo menos uma grande parte dela, é o povo conivente com isso.
(...)
E pior, pior ainda: os artistas estão fazendo isso em interesse próprio, porque recebem de empresas públicas contratos milionários - isso é a putrefação moral deste País -, e o povo vai reconduzir o Presidente porque "política é isso mesmo".
Tenho quatro anos de Senado. Não me candidatarei em 2010, não quero mais viver a vida pública. Vou cumprir o mandato que o povo do Amazonas me deu, não vou silenciar. Ele pode ser eleito com 99,9%. Eu estarei aí na tribuna dizendo que ele deveria ter sido mesmo destituído porque o que ele fez é muito grave. É muito grave.
(...)
Mas, para mim, chega! Vou continuar pelejando pelos jornais e por todos os meios possíveis, mas, como ator na vida política e na vida pública deste País, depois de 2010, não quero mais! Elejam quem vocês quiserem! Podem chamar até o Fernandinho Beira-Mar e fazê-lo Presidente da República - ele não vai com o meu voto, mas, se quiserem, façam-no.
O meu desalento é profundo. Deixo isso registrado nos Anais do Senado Federal. Infelizmente, eu gostaria de estar fazendo outro tipo de pronunciamento, mas falo o que penso, perdendo ou não votos - pouco me importa. Aliás, eu não quero mais votos mesmo, pois estou encerrando a minha vida pública daqui a quatro anos, profundamente desencantado com ela."
Leia o discurso na íntegra clicando aqui.
Não acredita? Ouça aqui
Posted by Nariz Gelado at 12:19 AM | Comments (18)
fevereiro 13, 2007
Da relatividade do crime
Na próxima quinta-feira, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, vai a votação projeto lei que estabelece que qualquer um que “utilizar, induzir, instigar ou auxiliar criança ou adolescente” a praticar crimes cumprirá pena de quatro a quinze anos de reclusão.
Como o projeto, que estava parado desde 2002 naquela comissão, é de autoria do senador Aloízio Mercadante, cabe perguntar: a nova lei vai enquadrar os professores das escolinhas do MST, que "induzem e instigam" seus alunos a realizarem uma revolução armada? Ou deixou-se uma janelinha jurídica para a indução de crimes de caráter "revolucionário"?
Posted by Nariz Gelado at 02:12 PM | Comments (3)
Gostaria de estar enganada
Mas parece que não estou. Ao que tudo indica, o inaceitável assassinato de João Hélio vai se transformar em mais uma cartarse nacional - aqueles momentos em que o brasileiro chora, protesta, dá nome a praças, se escabela, realiza atos públicos de pesar e range os dentes sem que, com isso, consiga atingir qualquer resultado prático.
Já nas primeiras horas, a maior rede de televisão do país decidiu que o problema era a maioridade penal. Estou até agora sem entender as razões pelas quais a Globo fez esta opção. Como já disse ontem, apenas um dos cinco envolvidos era de menor - e, segundo as testemunhas, não era ele que estava ao volante. O volante, como vocês devem saber, fica perto do freio - recurso automotivo que poderia ter salvo a vida de João.
O assunto em pauta, por óbvio, deveria ser a impunidade que sustenta a criminalidade galopante. Mas pouco se fala disso. Interessa, agora, é recuar a maioridade penal.
Ou nem interessa mais tanto. No JN de ontem, a Globo já começou a mostrar as péssimas condições dos alojamentos destinados a receber menores infratores - sinal de que o discurso será desviado na direção dos meios de recuperação. E eles são péssimos mesmo - é preciso rever isso. Mas, queiram desculpar a turronice, pouco ou nada disso tem a ver com a morte de João Helio, assassinado por quatro maiores.
Os quatro, contudo, podem ficar tranqüilos. Todos terão seus direitos garantidos. Já circula pela internet uma carta atribuída a Aline, irmã de João Hélio, na qual a menina garante que não quer discutir a pena de morte. Emocionalmente destroçados, os pais reforçaram, em entrevista a Fátima Bernardes, a questão da maioridade penal. Também garantiram que querem apenas justiça.
Pois, a despeito da catarse nacional em curso, justiça é tudo o que terão. Latrocínio, ou seja: assalto seguido de homicídio. É isto o que a nossa Justiça tem a oferecer porque, de fato, foi isto que aconteceu. A forma horrorosa como João Hélio foi assassinado pouco ou nada influenciará no "rigor" da pena. E digo mais: provavelmente será menor do que se tivessem dado um tiro em João Hélio. Isto porque qualquer advogado meia-boca saberá safar os monstros das testemunhas que gritaram, avisando que parassem o maldito automóvel. Basta dizer que os coitadinhos - como é comum entre as vítimas de exclusão social - estavam drogados, que o som do rádio estava alto e pronto: a justiça terá sido feita.
Posted by Nariz Gelado at 11:56 AM | Comments (6)
fevereiro 12, 2007
Dois comentaristas, uma dúvida e um alerta.
Hoje cedo, o comentarista que se assina "O Editor!", que não é partidário da pena de morte, postou um comentário na nota abaixo, cujos trechos reproduzo aqui:
" Mas acontece que, em 1988 (...) foi promulgada a nossa Constituição. E ela, em seu artigo 5º, inciso XLVII declara expressamente que "XLVII - não haverá penas: a) de morte (...); b) de caráter perpétuo". Este artigo, que estabelece o que a própria Constituição define como "Direitos e Garantias Fundamentais", é cláusula pétrea da Constituição, o que significa que nunca poderá ser alterado ou removido da constituição. Para que esse impedimento deixe de existir, é neccessário não uma revisão Constitucional, mas uma nova Constituição. (...) Mudar a Constituição, hoje em dia, com Lulla em Brasília e Hugo Chávez aqui do lado? Prefiro continuar com o que temos."
Há pouco, a comentarista e blogueira Suzy Tude, deixou na mesma nota o seguinte comentário, cujos trechos também reproduzo:
"Acho muito suspeito porque não se precisa de "assembléias constituintes" nem para a mudança de cláusulas pétreas! Bastariam os votos de 3/5 da Câmara e maioria absoluta no Senado, tudo em 2 turnos."
E o que é que a Suzy acha "muito suspeito"? Uma petição on line, lançada no último sábado, em prol da pena de morte e da prisão perpétua - mas que, consoante com o que nos informou O Editor!, solicita a necessária convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.
Pois bem.
Até onde eu sei, a razão está com com O Editor! Em cláusula pétrea se só mexe chamando uma nova Constituinte. E sim, com Lula no poder, isto tem lá o seus riscos - embora devamos considerar que o PT tem dado demonstrações de que não precisa de uma nova Constituição para fazer o que bem entende. Mas eu e O Editor! podemos estar desatentos a alguma janela legislativa. Então, temos uma dúvida - e a Suzy, ou quem mais entenda com profundidade a respeito do assunto estão convidados a nos esclarecer.
Para além da dúvida, temos também um alerta: melhor se informar direitinho sobre este tema antes de ficar assinando petições on line. Aliás, como recomenda a prudência, eu espero que vocês andem lendo, atentamente, o que assinam.
Posted by Nariz Gelado at 07:04 PM | Comments (9)
Da condenação dos inocentes
Carlos André de Jesus Barros, seis anos - torturado e assassinado em ritual de magia, pelo funileiro Joaquim Alves e a dona-de-casa Priscila Souza Ferreira (Bahia, 2000).
Ana Carla do Nascimento, 2 anos e 8 meses - espancada, estuprada e assassinada por asfixia, pelo padastro de 19 anos (Pernambuco, setembro de 2001).
Rodrigo Lourenço, 2 anos - assassinado a vassouradas e mordidas, pelo padastro ( Cuiabá, Janeiro de 2001).
Lauriete Batista da Costa, 11 anos - estruprada e assassinada por Alessandro Gonçalves de Oliveira, o "Polaquinho", e Antonio Alceu Correia Assunção, o "Negão" (Pará, novembro de 2006).
O monstruoso e inaceitável assassinato de João Hélio Fernandes Vieites está sendo transformado em um símbolo. A considerar a entrevista de seus pais ao Fantástico de ontem, João vai se tornar símbolo da luta - que foi lançada pela Rede Globo, nas primeiras horas após o crime - em prol da revisão da maioridade penal.
As maiores autoridades brasileiras no assunto - a saber, os Ministros Marcio Thomaz Bastos e Ellen Grace - já sinalizaram que a luta vai ser árdua. De um modo geral, ambos parecem comungar a opinião de que não se deve fazer tais revisões sob as emoções de revolta que um assassinato assim desperta.
Mas digamos que o clamor popular venha a prevalecer e que, por um milagre, nossas autoridades aceitem fazer a revisão. Sejamos otimistas, pois, e consideremos que a maioridade penal seja recuada até os 16 anos. Admitamos, também, que o tempo de permanência do menor em instituições fechadas - outra discussão que vem à reboque deste crime - , passe a ser indefinido, correspondendo ao necessário para a sua plena reeducação. Teremos, de fato, avançado?
Não creio. Primeiro porque é cada vez mais comum vermos adolescentes de 12,13 ou 14 anos assaltando a mão armada. Segundo, porque há um detalhe no sórdido assassinato de João Hélio que parece estar sendo esquecido: dos cinco envolvidos, apenas um era de menor.
Não por acaso, este post começa com uma lista medonha. Uma lista de crianças brutalmente assassinadas, que bem poderiam tornar-se símbolos, ao lado de João, por uma luta contra a criminalidade e a barbárie. A elas, poderíamos juntar Vinicius, que, aos cinco anos, foi queimado vivo junto com os pais, em Bragança Paulista, em dezembro último. Também os nove meninos mutilados em Altamira, entre 1989 e 1993 - seis deles assassinados - poderiam integrar a nossa mórbida e justa bandeira.
Em comum com João, além da brutalidade com que seus corpos foram torturados e suas vidas impiedosamente interrompidas, eles têm o fato de que seus assassinos são monstros adultos, desprovidos de apreço pela vida alheia ou de temor em relação à justiça - seja ela dos homens ou divina. Vou repetir: monstros adultos - assim como são quatro dos cinco assassinos de João Hélio.
Conclui-se, daí, que o debate hoje apresentado à sociedade é mais um paliativo para nossas almas aterrorizadas do que uma solução. Crimes bárbaros continuarão sendo cometidos por crianças, adultos e idosos, contra crianças, adultos e idosos, enquanto não se encontrar uma forma de inspirar medo aos monstros. A resposta, todos sabem, está na única coisa que se mantém quando todo e qualquer traço de humanidade ruiu: o instinto de preservação. Logo, ou se encontra coragem para discutir a pena de morte para crimes hediondos ou nada, absolutamente nada, vai mudar.
Quem, por convicção, crença ou qualquer outra questão de foro íntimo, achar que isto é inaceitável, é livre para continuar se enganando com medidas paliativas para alentar o coração. Antes, porém, que trate de olhar mais uma vez para a lista que abre este post. E negue, se for capaz, que inocentes continuarão sendo mortos para que os monstros sejam preservados.
Posted by Nariz Gelado at 11:45 AM | Comments (10)
fevereiro 11, 2007
Dos sonhos concretos
"Se eu tivesse maioria absoluta, eu teria poder para fazer uma Lei Habilitante".
Parece que a frase acima, proferida por Lula na comeração dos 27 anos do PT, passou em brancas nuvens para a maioria da imprensa. Menos para Josias de Souza, que a publicou - e para o leitor Jml, que postou-a aqui na nossa área de comentários.
Segundo Josias de Souza, na seqüência Lula explicou que, como não tem maioria no Congresso, precisa negociar com outros partidos.
Notaram o "precisa"?
Pois bem... "Precisa" somente enquanto não anular o Legistlativo através dos tais plebiscitos. Mas a futura ministra Marta Suplicy e companheiros já estão removendo obstáculos para que cheguemos, rapidamente, a este dia.
Posted by Nariz Gelado at 12:05 PM | Comments (6)
fevereiro 10, 2007
A máquina de moer Fidel
Matéria do CUBANET, o portal da dissidência cubana, dá conta de que, nos últimos dias, o regime está promovendo uma verdadeira caçada às parabólicas clandestinas. E, ao que tudo indica, elas abundam na ilha.
O próprio Granma revelou, nesta semana, que, em março de 2006, Lázaro Rubén, José Antonio y Celestino foram presos por fabricar antenas parabólicas clandestinas.Mas informes de jornalistas dissidentes dão conta de que o regime intensificou também as ações para localizar usuários - nos últimos dias, batidas foram realizadas em Cerro, Centro Habana e 10 de Octubre.
Embora a possibilidade de que os cubanos tenham acesso a qualquer sinal internacional seja, por si só, ameaçadora para a revolução, sabe-se que o principal alvo do castrismo é o grupo de comunicação Martí Notícias - rede de rádio e televisão de Miami que, desde meados da década de 80, mantém suas antenas voltadas para a ilha, transmitindo conteudo dissidente 24 horas por dia.
Ainda estou desbravando a programação de ambas, mas o que vi e ouvi até agora é sensacional. O conteúdo dissidente pega carona em programas de debate sobre a globalização, democracia e poítica internacional, passando por vinhetas que exaltam a liberdade desfrutada pelos cubanos radicados dos EUA e videoclipes variados. Destaque especial para a previsão do tempo - que sempre informa as condições de navegação "para pequenas embarcações" - e para a série Lo fracasso de la cubana, onde são explorados os péssimos resultados da revolução. Há também, é claro, jornalismo, documentários e programas de variedades - todos de viés anticastrista.
O fato é que a possibilidade de que Fidel venha a morrer em breve está servindo de estímulo para que a programação da Rádio e Televisão Martí seja intensificada - o que explica, também, o desespero do regime em encontrar e destruir as parabólicas da ilha. Uma guerra de informação digna de ser acompanhada de perto por quem acredita no poder de difusão de valores como liberdade e democracia. Quem não se interessa pelo tema, porém, pode apenas guardar o endereço do site para um futuro próximo. Estou certa de que a cobertura dos funerais de Fidel será imperdível.
Posted by Nariz Gelado at 10:35 AM | Comments (6)
fevereiro 09, 2007
Para João
Para não dizer que não falei do menino brutalmente assassinado no Rio, segue trecho de post primoroso de Reinaldo Azevedo. O resto vocês lêem lá, pois o Reinaldo é melhor do que eu em muitas coisas - principalmente quando se trata de demonstrar as mazelas trazidas pelo pensamento polticamente correto, que a tudo relativiza e a nada pune.
"A glorificação do crime e da “cultura da periferia”, no Rio, não é coisa do povo, do pobre. Este quer que seus filhos estudem, que aprendam a “cultura” de quem vive ao nível do mar. Quem quer o “morro” falando a sua própria linguagem é o “branco” do asfalto. Gosta de ver o pobre como uma variante antropológica, uma nova civilização. Dá nisso aí."
Posted by Nariz Gelado at 06:20 PM | Comments (3)

Elenco de primeira, roteiro bem amarrado, belíssima direção de arte, trilha musical primorosa e um leve convite à reflexão: A Cidade Perdida (The Lost City), estréia de Andy Garcia na direção, tem todos os ingredientes necessários àquilo que a maioria das pessoas reconhece por cinema de qualidade. Ainda assim, Garcia levou 16 anos para levantar verbas e, no ano passado, quando o filme chegou à telona, foi boicotado em festivais e distribuidoras latino-americanas.
O motivo mais aventado foi a desconstrução do mito de Che Guevara - à epoca do lançamento, batendo de frente com a imagem pueril apresentada pelo ovacionado Diários de Motocicleta. De fato, ao mostrar a queda da ditadura Batista e a ascensão de Castro sob a ótica de uma família de classe média-alta, Garcia não poupou a ninguém, evidenciando que os cubanos passaram, sem escalas, de uma ditadura sangrenta para outra.
A crítica também fez beicinho, reclamando que obra idealiza a Havana dos anos 50 e, pecado maior, não dá espaço para retratar os "agentes sociais" que aclamaram Fidel Castro, tornando a revolução possível.
Se fosse verdade seria compreensível, já que a proposta de Andy Garcia - cuja famíla fugiu para os EUA quando ele tinha cinco anos - era mostrar o ponto de vista de quem foi expoliado e perseguido pela revolução. Mas o fato é que a acusação não é verdadeira. Há pelo menos quatro visões diferentes deste mesmo momento histórico: a dos que, ao lutarem para derrubar Fulgêncio Batisa, colaboraram involuntariamente com Fidel; a dos que pensavam poder viver sem envolver-se em política; a dos investidores que exploravam a Havana turística e - sim, senhores - a dos que aclamaram Fidel como salvador.
Me parece que o que a patrulha de fato não engoliu foi a forma como estes últimos foram apresentados: uma massa encantada diante de um animador de circo. Aquela mesma que aparece na mais instrutiva cena de arquivo que Andy Garcia pinçou para o seu belíssimo filme: a do famoso discurso, no início de janeiro, no qual duas pombas brancas sentaram no ombro de Castro. Vendo ali um símbolo de beatificação, a massa seduzida nem atentou para as primeiras palavras que o futuro ditador lhe dirigia: "Não há muitos soldados rebeldes aqui? Não há vários soldados armados aqui? Então todos devem mostrar disciplina, calar a boca e me escutar!"
Só por isso já valeria a pena correr na locadora. Mas A Cidade Perdida é, do início ao fim, cinema de qualidade, que a patrulha política, por canina fidelidade ideológica, transformou em fracasso fincanceiro. A mesma patrulha que aclamou Irreversível, - obra do "polêmico" Gaspar Noé, que traz a bela Mônica Belucci sendo currada por intermináveis 12 minutos, enquanto seu algoz repete: "está gostando, burguesinha?"
Ps: a foto do Andy está ai, é claro, também para alegrar a sexta-feira das leitoras.
Posted by Nariz Gelado at 10:31 AM | Comments (11)
fevereiro 08, 2007
A minha voz continua a mesma...
O PFL deve anunciar hoje sua mudança para PD - Partido Democrata.
Em entrevista a Folha de S. Paulo, o cientista político Celso Roma aponta para o que já falamos aqui: a mudança de nome é penduricalho. Se o partido não fizer a necessária reforma programática, de nada adiantará mudar a sigla. Por outro lado, se a reforma programática for bem feita, um novo nome torna-se irrelevante - ou até mesmo arriscado. Como bem lembra Roma, "essa estratégia pode ser contraproducente. O Partido Popular (PP) já foi PDS, PPR, PPB e jamais recuperou a sua representatividade".
É como aquela história da antiga propaganda de shampoo, na qual uma moça dizia: : "Oi! Lembra de mim?A minha voz continua a mesma...Mas o meu cabelo, quanta diferença!" - ao que um tio meu respondia "não há cabelo que compense esta voz de taquara rachada".
Posted by Nariz Gelado at 11:36 AM | Comments (6)
Porteira aberta
Ja leram o Estadão de hoje?
No próximo Congresso do PT, a ocorrer em julho, um grupo de parlamentares ligados à Marta Suplicy apresentará um documento que defende, entre outras coisas, o direito do presidente da República a convocar plebiscitos sem a autorização do Congresso Nacional. A proposta - 25ª numa lista de 90 apresentadas pelo documento- é clara e já vem acompanhada de um discurso defensivo:
"Se o presidente da República pode editar medidas provisórias - cada vez mais sob o crivo das críticas por seu vezo autoritário -, por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional? E não se venha com as surradas objeções do ‘salvacionismo’ ou do ‘populismo’, pois as consultas plebiscitárias são rotina na Suíça e até mesmo em diversos Estados norte-americanos.”
Segundo a mesma matéria do Estadão, houve resmungos oposicionistas - parece que Rodrigo Maia (PFL-RJ) reclamou. Mas, como vocês sabem, ontem a oposição estava ocupada demais, convocando reunião urgente para tratar da questão do fundo partidário. É aquela história... A grana vem sempre primeiro.
Posted by Nariz Gelado at 10:28 AM | Comments (2)
fevereiro 07, 2007
Resposta para Ângelo
Ontem, o leitor e blogueiro Ângelo da Cia deixou aqui o seguinte comentário:
"Nariz Gelado, posso te fazer um pedido meio utópico?
É assim: Por que você, com sua influência e repercussão nos meios tucano-pefelistas, com sua altíssima audiência, não incentiva ou organiza um Movimento Anti-Anistia a Dirceu? Não daria para você assoprar isto em algum oposicionista que sonhe em ser seguido por uma multidão de descontentes com o governo Lula? Pense bem, seria um bom pontapé inicial rumo às eleições de 2010 alguém começar a coletar assinaturas Contra a Anistia aos Mensaleiros. Mobilizaria blogs e, tenho certeza, os movimentos jovens dos partidos oposicionistas."
Ângelo, querido, se for só o caso de soprar a idéia, penso que o destaque do seu comentário acaba de fazer isto. Mas eu não puxaria a frente de algo assim.
Primeiro porque nossa atual oposição não tem conseguido nem se unir em prol de causas que nascem dentro dos próprios partidos - e não sou eu que vou colocar a cara pra levar tapas destes roedores de corda. Segundo, porque não é função minha. Há senadores e deputados muito bem pagos para se ocuparem com este tipo de coisa.
Sabe como é...Aqui em casa, quando a faxineira deixa muito a desejar eu troco de faxineira - mas em hipótese alguma faço o trabalho que cabe a ela. Agradeço, porém a confiança em mim depositada.
Posted by Nariz Gelado at 07:47 PM | Comments (6)
Gaspari: só na Folha e aqui.
Interessante que a coluna de Elio Gaspari para a Folha de S. Paulo de hoje não tenha repercutido nos grandes blogs políticos - nem naqueles que se dedicam a fazer clipping das principais notícias e artigos ela apareceu.
Desconfio que a lacuna tem a ver com o fato de Gaspari evidenciar a concretude de um terceiro mandato ao mesmo tempo em que aponta e cobra a responsabilidade de quem, a rigor, poderia opor-se à coisa - mas vem desmontrando uma indisposição geral para assumir a tarefa.
Vamos, pois, a Gaspari:
"A BANDA DO TUCANATO que patrocinou a vitória de Arlindo Chinaglia na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, não sabe o tamanho do mal que fez à política, aos costumes e às instituições democráticas.
Para quem duvida, aqui vai um trecho de documento divulgado há dias por seis deputados federais petistas de São Paulo:
Se o presidente da República pode editar medidas provisórias cada vez mais sob o crivo de críticas por seu vezo autoritário-, por que não pode ele, sem este vício originário, convocar plebiscitos sem autorização legislativa para decidir questões de grande alcance nacional?"
Entre os signatários da peça estão José Mentor (aquele da CPI do Banestado, mensaleiro absolvido pelos seus pares) e Cândido Vacarezza um dos principais articuladores da candidatura de Chinaglia.
Quais são as questões de grande alcance nacional que os companheiros gostariam de ver resolvidas num plebiscito? Pode haver outras, mas dificilmente haverá alguém capaz de defender o chamado a manifestações plebiscitárias sem que o direito de Lula disputar o terceiro mandato seja o primeiro item da consulta.
(...) o sentido das propostas indica que uma banda petista está desconfortável dentro da atual moldura das instituições. Para um ativista político que não tem compromisso com essas formalidades, nada melhor do que um Congresso avacalhado, com uma oposição desmoralizada.
O tucanato finge que não vê esses movimentos porque está disposto a fazer qualquer coisa contra Nosso Guia, menos oposição. Ou melhor: faz oposição, desde que não tenha que botar a cara na vitrine.
(...) Pode-se argumentar que tucanos como José Serra e Aécio Neves, não devem hostilizar o palácio do Planalto, sob pena de prejudicar os interesses de São Paulo e de Minas Gerais. Tripla injustiça. Desmerece a inteligência dos dois, a memória de todos e ofende duas biografias muito caras aos grão-tucanos. Em 1984, durante o governo do general João Figueiredo, os governadores Franco Montoro e Tancredo Neves fizeram a campanha das Diretas Já, sem que seus Estados sofressem represálias. Será que Lula faz medo aos governadores? Serra estava no secretariado de Montoro e Aécio é neto de Tancredo. Eles conhecem bem a história. Mesmo que quisessem, não conseguiriam esquecê-la."
Como vocês podem ver, Elio Gaspari, não está se esforçando muito para ter seus artigos clipados nos principais blogs políticos. Pior do que isso: está se condenando a ser referência apenas para blogs marginais feito este nosso aqui.
Primeiro, ele dá nome aos bois que elegeram Chinaglia. Depois, aponta que a tentativa de um terceiro mandato não só é real e imediata mas, também, que se beneficia da campanha de desmoralização do Congresso em curso - tantas vezes denunciada por nós. Como se não bastasse, Gaspari evidencia que Aécio Neves e José Serra não têm reais motivos para apoiar o governo Lula - se o fazem é porque gostam, porque quererm e porque isto atende às suas ambições políticas pessoais.
Com tamanho desprendimento para expor os planos petistas e as ambições serristas, vocês queriam o quê? Que o da cabeça branca e o do chapéu dessem destaque a Gaspari? Esperem sentados...Confortavelmente sentados.
Posted by Nariz Gelado at 12:33 PM | Comments (8)
Clô é meu prozac. Diversão não me faltará.
Confesso que engrossei o bloco dos preconceituosos: quando Clodovil se candidatou, já dei como certa sua eleição ao mesmo tempo em que me perguntava qual seria a colaboração de um estilista e apresentador de programas femininos para a política nacional. Não cheguei a escrever sobre o tema mas, aos amigos, afirmava duas coisas: que ele, como qualquer cidadão, tinha o direito de candidatar-se; que sua atuação seria ridícula.
Pois acabo de morder a língua. Não atentei para o fato de que, no atual "estado da arte", alguém como Clodovil pode ser um achado. Aulas de boas maneiras, acrescidas de observações apimentadas bem podem colocar nossos parlmanetares em seus devidos lugares. No caso específico do estilista, então, o didatismo com que trata obviedades é providencial.
Mas desconfio que a maior contribuição de Clodovil vai ser na área psicológica da coisa. Na psique do eleitor. Depois que foram eleitos e reeleitos mensaleiros; depois que os prediletos do Executivo tomaram as rédeas do Legislativo, o Deputado Clô chega como um sopro e ar fresco, uma espécie de prozac político a nos garantir algum ânimo para que continuemos acompanhando a política nacional. Impossível não ficar com a alma assim, mais leve e cor-de-rosa, ao vê-lo pedindo silêncio ou dizendo, na cara de Paulo Maluf, que não ficou famoso por roubar.
Falo sério. Depois de hoje, fico pensando se na próxima não deveríamos nos empenhar por um Faustão ou uma Ana Maria Braga. Por ora, no entanto, ficarei feliz se tivermos doses semanais de Clô - o nosso prozac político.
Posted by Nariz Gelado at 12:35 AM | Comments (12)
fevereiro 06, 2007
Agora vai, senador?
Agora que o Senado retomou suas atividades, pergunto se o senador Heráclito Fortes vai entrar com um novo pedido para uma CPI das ONGs.
Em 21 de novembro, o senador apresentou um pedido de abertura para uma CPI das ONGs. Como as CPIs não podem avançar de uma legislatura para outra, a dita cuja teria até o dia 22 de dezembro para concluir seus trabalhos. Nem chegou chegou a tanto: em 7 de dezembro a base governista no Senado impediu sua instalação ao não comparecer à sessão na qual deveria se eleito o presidente e indicado o relator. Consultada pela imprensa, a senadora Ideli Salvatti disse, à época, que a CPI era desnecessária.
Acontece que sempre que a senadora avalia uma investigação como desnecessária eu sou assaltada pela certeza de que vale a pena realizá-la - estamos, eu e Ideli, sempre em desacordo a respeito do que deve ser averiguado neste pais.
Logo, na minha modesta opinião, urge que peguemos no pé do senador Heráclito Fortes, perguntando se ele vai retomar a idéia ou se aquilo tudo foi apenas jogo de cena.
Posted by Nariz Gelado at 03:06 PM | Comments (3)
fevereiro 05, 2007

Foto: Nariz Gelado
Eles querem rebobinar a fita, apagar tudo e nos levar de volta ao passado.
"Assessor de Lula garante apoio a pedido de anistia para Dirceu"
(Fonte: Estadão)
Posted by Nariz Gelado at 11:07 AM | Comments (9)
fevereiro 04, 2007
Toma que o filho é teu, Oliveira.
Em entrevista ao Jornal O Globo deste domingo, o ex-petista, professor aposentado do departamento de Sociologia da USP, Francisco de Oliveira faz críticas duras ao governo Lula. Dentre as suas melhores colocações, está aquela sobre o Bolsa Família, que ele classifica como "um seqüestro da capacidade democrática de optar".
Embora lúcido em muitas de suas observações - a maioria delas surgidas quando o professor, assistindo Infância Roubada, deu-se conta de que Lula, tanto quanto Mandela, é um mito que fracassou como estadista - é inegável que Oliveira usa de uma malandragem retórica para salvar a própria pele. Diz ele que tais fracassos decorrem do fato de que Lula perdeu a noção de quem é o adversário e que ele simula uma anulação dos conflitos sociais, o que explicaria - prestem atenção - que a esquerda esteja perdendo espaço.
Lá pelas tantas, estimulado pelo entrevistador - que lhe sugere que Lula, ao chegar ao poder, minou a capacidade da esquerda em gerar mudanças - Oliveira manda, assim como quem nada quer: " Lula sempre foi de direita. Isso é uma ilusão. Nunca foi de esquerda. O PT era de esquerda. Vestia uma camisa da qual ele não gostava."
A declaração pode se parecer muito com aquela, já polêmica, do ator Carlos Vereza, que disse, com correção histórica, que Lula é "uma invenção da USP, da Unicamp e das comunidades eclesiásticas de base com o aval do falecido Golbery do Couto e Silva".
Convém, porém, que façamos a exata distinção entre o que disse Vereza e o que diz Oliveira: o núcleo universitário e as comunidades eclesiásticas de base eram representações da esquerda, sim senhores. Se a tal "criação" se deu com o aval de Golbery não significa que Lula fosse de direita. Siginifica, apenas, que cresceu como líder político, tranqüilamente, sob os olhos e bênçãos do regime militar - provavelmente, por ser ele mesmo, ao contrário dos intelectuais que o criaram, mais tributário do peleguismo sindical do que de aspectos ideológicos sofisticados.
Agora, dizer que Lula sempre foi de direita, que sempre esteve "pouco a vontade" num PT genuinamente de esquerda,ao mesmo tempo em que se aponta os seus fracassos e se reclama que a esquerda não participa do seu governo é querer eximir a esquerda de sua responsabilidade pelo que aí está.
Que história é essa de que "a esquerda perdeu espaço no governo Lula?" Acaso os principais homens do governo Lula saíram do PFL? Dilma Roussef não é de esquerda? Luiz Gushiken não é de esquerda? E José Dirceu? E que tal Celso Amorim? Pois a Veja desta semana não trouxe uma entrevista com o diplomata Roberto Abdenur, justamente denunciando a orientação ideológica de esquerda que o Itamaraty vem sofrendo sob o governo Lula?
O problema com a esquerda sempre foi - para usar um termo que eles adoram - "estrutural". O problema com a esquerda tacanha e jurássica é que ela, tal qual estes credos vagabundos que pululam em tempos de crise, vende sonhos que não pode bancar e só se sustenta pelo tempo em que consegue iludir seu séquito de desavisados. Um vez no poder, não tem erro: a esquerda fracassa e sai a procurar desculpas. A última e novíssima desculpa, nos chegou agora pela voz do professor uspiano aposentado: Lula é de direita e a esquerda nada tem a ver com a porcaria de governo que ele faz.
Posted by Nariz Gelado at 05:35 PM | Comments (11)
Reflexões desde a pia batismal
Acho uma bobagem esta coisa do PFL querer mudar de nome. O partido, na minha modesta opinião, faria melhor se investisse tempo e recursos para realmente afinar seu programa ao liberalismo e promover ações esclarecedoras a respeito desta doutrina e suas atuais correntes. O exemplo pode ser chulo mas serve: se você batizar um potro de "Veloz", espera-se que você propicie condições para que ele corresponda ao nome - e não que tente rebatizá-lo depois de adulto.
Não entendo qual é vantagem da mudança. Muito menos, quando leio que a opção mais provável é PD - Partido Democrático. Depois de três décadas de democracia, soa como redundância - sem contar que fica parecendo um mea-culpa, uma coisa meio fora de hora e de lugar, por conta de alguns de seus luminares serem sobreviventes do período da ditadura militar.
O leitor, é claro, sempre pode argumentar que o projeto de poder do PT dá muitas evidências de representar uma ameaça para a nossa democracia - e que é bom reforçar a bandeira democrática, ainda que através de uma sigla partidária. Eu já acho que ameaças a democracia se detém com atitudes - quando se vota para a presidência da Camara e do Senado, por exemplo, evitando que as mesmas se tornem os braços e pernas do Executivo.
Posted by Nariz Gelado at 01:09 PM | Comments (3)
fevereiro 03, 2007

A temperatura da Terra está aumentando, as geleiras derretendo e os mares subindo. Duas saídas possíveis: perder o sono por conta disso e aguardar a inundação. Não perder o sono por conta disso e aguardar a inundação.
Já aconteu antes. E vai acontecer novamente. Só no quaternário - essa mixaria dos últimos 1,8 milhões de anos - os oceanos subiram e desceram pelo menos dez vezes. É que esta velha senhora, a Terra, tem lá sua fases. Ora a temperatura aumenta e a água sobe; ora a temperatura baixa e a água desce. As causas de tais humores estão sempre relacionadas a evolução das formas de vida que aqui habitam. E, sempre que isto acontece, a qualquer coisa viva que ande sobre a velha senhora restam duas alternativas: adaptação ou extinção.
Eu acho que vamos à breca. Já aconteceu com os cefalópodes e com os sofisticados dinossauros* - por que não aconteceria conosco, jovens criaturas pliocênicas? Estou quase certa de que restarão sobre a Terra apenas os moluscos, cuja fantástica capacidade de adaptação já lhes garante comemorar 408 milhões de anos.
Logo, percebe-se que a bicicleta, esta adaptação maravilhosa de nossa mais consagrada invenção, é ótima para tonificar os músculos e evitar a celulite. Mas daí a barrar os calores da velha senhora, vai uma longa distância.
*Antes que alguém se disponha a me explicar: eu sei que a teoria mais aceita para a extinção dos dinossauros é a queda de um asteróide, seguida daquela nuvem de poeira, etc e tal. A questão aqui é que, tanto quanto eles, somos incapazes de controlar alguns aspectos da natureza.
Posted by Nariz Gelado at 10:03 AM | Comments (16)
fevereiro 02, 2007
A soma de todos os erros
Ou de como se gestou o absolulismo.
Revirem a situação do jeito que quiserem: está lá, bem estampada, a incompetência daqueles a quem usamos chamar "oposição". Os mais fracos de estômago podem, a partir deste ponto, ir em busca de blogueiros mais condescendentes - e os há às pencas.
Vejamos qual é saldo da dita oposição... Primeiro, a fim de livrar alguns traseiros, ela resolveu deixar "o homem sangrar" - lembram disso, queridos? Esta negociação foi o forno quente de muitas pizzas, base ideal para aquele discurso que, paulatinamente, permitiu a Lula recuperar sua imagem: "o PT fez o que todos os partidos fazem; todos são iguais", etc e tal.
Depois, a dita oposição não foi capaz de se unir em torno de um candidato a presidência da República - e como este é o ponto no qual os serristas costumam alegar que Geraldo Alckmin impôs sua candidatura, vale lembra que, se assim é, terão de admitir que foram incompetentes ao barrar tal imposição. E na composição da chapa, o que temos? O PFL indicando, queiram me desculpar, uma figura inexpressiva como vice. Tivéssemos um José Agripino ali e, talvez, o vice pudesse ter assumido o papel de nocautear o PT - ou, no mínimo, o PFL poderia ter feito valer um pouco mais sua vontade. Inegável, também, que a dobradinha fracassou na composição das alianças regionais.
Temos então, que o primeiro grande erro foi, pois, perder vergonhosamente a guerra discursiva, lá nos idos de 2005. Tal qual noviças recatadas, negaram-se a demolir Lula e o PT da única forma possível: batendo com coragem. Em seguida, entregaram a campanha presidencial para Duda Mendonça - negue quem for capaz de provar que o mote da oposição não foi aquele célebre "candidato que bate não ganha", criado pelo baiano. Depois, permitiram que Aécio Neves e José Serra agissem como bem entendessem, sem enquadrá-los nas diretrizes do partido.
Geraldo Alckmin era um candidato fraco? Admitamos que sim e criaremos um artifício que nos coloca uma nova incompetência: que maravilhoso discurso oposicionista foi esse, que não conseguiu impedir nem que Antônio Palocci , João Paulo Cunha, José Mentor e toda uma base governista mensaleira saísse vitoriosa das urnas? Pois não estavam todos lá, ontem, para votar em Aldo ou Chinaglia?
Se volto a falar da fracassada campanha presidencial - e do comportamento da oposição ao longo de 2005 - é porque as vitórias de ontem foram construídas ao longo do último ano e meio, a partir da soma de todos os erros.
É por isso - e não porque eu tenha me dedicado a fazer contas - que o post das 19:53h de ontem estava pronto, apenas aguardando publicação, desde as primeiras horas da manhã. Porque o absolulismo foi apenas parido ontem. Sua gestação, porém, foi tão longa quanto a de um jegue.
Posted by Nariz Gelado at 10:07 AM | Comments (10)
fevereiro 01, 2007
Enquete
Dizem que blog que é blog, tem que ter enquete.
Pois segue a nossa.
Quem será o vice-presidente no terceiro mandato de Lula?
a) José Dirceu
b) Aécio Neves
c) José Serra
Posted by Nariz Gelado at 10:07 PM | Comments (16)
Polianas não contam
E já começaram a aparecer as polianas, dizendo que a candidatura Fruet fez uma belíssima figura e que dela surge um bloco da pesada, composto pelos imberbes PSDB-PPS-PFL.
Como política - e principalmente política brasileira - não é coisa para polianas, anotem aí, só para começar: José Dirceu retornará à Câmara dos Deputados. E será ministro - quiçá vice-presidente - no terceiro mandato de Lula.
Sim, porque haverá um terceiro mandato, queridos.
Ninguém vai impedir.
Posted by Nariz Gelado at 08:47 PM | Comments (12)
Segundo turno entre Rebelo e Chinaglia: é o absolulismo em toda a sua glória.
Encerrou, há instantes, o primeiro turno da eleição para a presidência da Câmara de Deputados. Vão para o segundo turno, os dois candidatos governistas: Arlindo Chinaglia e Aldo Rebelo.
O fato é que nos últimos anos, a verdadeira oposição - os cerca de 40 milhões de eleitores que não queriam "Lula presidente" - só fez acumular derrotas. Perdeu a eleição para a presidência da República. Perdeu a eleição para a presidência do Senado. Perdeu a eleição para a Presidência da Câmara. Se acha que ganhou em algum pleito estadual, é porque está se enganando: a maioria dos governadores de oposição eleitos no ano passado não passam de criaturas híbridas, afinadas com o petismo e/ou com seus representantes máximos.
É assim que, por obra e graça de parlamentares que se dizem de oposição mas que se vendem por qualquer ninharia, acaba de nascer o absolulismo.
Logo, logo, teremos nossa própria versão da "praça Bolívia".
Posted by Nariz Gelado at 07:53 PM | Comments (0)
Quem?
Enquanto se arrasta a votação na Câmara, vamos às elocubrações surgidas por contra a consagradora vitória de Renan Calheiros no Senado.
Muita gente por aí está tentando adivinhar quem teria traído Agripino.
Ontem, o blog deu destaque para a matéria da Folha de S. Paulo que adiantava seis nomes. Pelo lado do PFL: Romeu Tuma, Efraim Morais e Edison Lobão. Pelo PSDB, Papaléo Paes, Álvaro Dias e Flexa Ribeiro.
O voto secreto, é claro, impede que a safadeza gere maiores constrangimentos. Mas eu não tenho motivos para pensar que Folha de S. Paulo errou.
Vocês têm?
Posted by Nariz Gelado at 05:52 PM | Comments (0)
Eleição na Câmara
Acabo de trocar o sinal do player para a TV Câmara, a fim de que vocês possam assistir a eleição para a presidência daquela casa, que deve começar às 15:00 horas.
Vamos ver o que nos reserva a nossa gloriosa oposição: se o governista Aldo Rebelo ou o governista Arlindo Chinaglia.
Posted by Nariz Gelado at 02:23 PM | Comments (2)
Tudo como Lula quer
O governista Renan Calheiros acaba de ser reeleito presidente do Senado. Neste momento, ele dá entrevista coletiva. Fala de mudanças institucionais e de governabilidade.
É o paraíso para Lula.
A chamada "oposição" não conseguiu nem mesmo atingir os votos correspondentes a soma total de senadores PSDB e do PFL. Aliás, nossa oposição nem precisa fazer como a venezuelana que, a título de protesto, decidiu não participar do último pleito e acabou por conferir poderes absolutos a Hugo Chávez. Nossa oposição é mais cara de pau: ela se vende sem salamaleques.
Posted by Nariz Gelado at 02:03 PM | Comments (5)
Mais do mesmo
"Quem morreu no Brasil não foi a ética. Quem morreu no Brasil foi o sistema político"
(Renan Calheiros, em discurso eleitoral aos senadores, se mostrando alinhado com a falácia governista de que todos os partidos são iguais - e garantindo o voto de sanguessugas e assemelhados)
Posted by Nariz Gelado at 11:55 AM | Comments (1)
Recado aos amantes do chavismo
"Não tentem mudar a Constituição brasileira. Encontrarão pela frente o presidente do Senado, José Agripino."
(Zé Agripino, em discurso eleitoral aos senadores, deixando claro que a Venezuela não é aqui - e arriscando perder o voto de algum petista desgarrado).
Posted by Nariz Gelado at 11:37 AM | Comments (4)
A dama de vermelho
Toda em vermelho, pentagrama prateado pendurado ao pescoço, Ideli Salvatti é a própria bandeira do PT.
Reconduzida, ontem, à liderança do partido no Senado, ela fez questão de vestir-se para eleição de hoje como aquilo que é: comandante em chefe da tropa de choque do governo Lula.
A imagem, ainda que didática do ponto de vista político, é um atentado ao bom gosto.
Posted by Nariz Gelado at 11:27 AM | Comments (2)
E o Delcídio?
Segundo a Folha de S. Paulo, a maioria dos senadores interpretou a ameaça de uma terceira via, como um teste: Delcídio Amaral estaria apenas averiguando a viabilidade de seu nome.
O fato é que ninguém assumiu a coisa. Nem Bornhausen, que foi apontado inicialmente como mentor, nem o próprio Delcídio - cuja assessoria, segundo a Folha, teria sido responsável pela divulgação da suposta candidatura. E o estranho é que, depois da negativa do próprio Delcídio, os jornalistas não se interessaram em falar uma segunda vez com os assessores do senador, perguntando de onde saíra a informação.
De minha parte, penso que não foi um teste de popularidade mas, sim, uma tentantiva de tumultuar o cenário da eleição. Iniciativa de quem? Não sei. Perguntem aos assessores de Delcídio. Eles sabem.
Posted by Nariz Gelado at 10:47 AM | Comments (0)
Eleição no Senado
Dentro de alguns minutos, começa a cerimônia de posse e, em seguida, a eleição para a presidência do Senado Federal.
Mudei o sinal do player para que vocês possam acompanhar tudo ao vivo.
Ontem, Renan Calheiros e José Agripino acertaram que cada um terá 10 minutos para defender suas respectivas candidaturas.
Na parte da tarde, retomaremos o sinal da TV Câmara para acompanhar a eleição naquela casa - agendada para ter início às 15 horas..
Posted by Nariz Gelado at 10:21 AM | Comments (1)