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setembro 21, 2006

Em jogo, a imagem da Polícia Federal.

Há 20 dias, escrúpulos eleitorais não impediram que Polícia Federal mostrasse imagens de uma mega-operação que impediu um assalto a banco em Porto Alegre. Nossas televisões e computadores foram invadidos por imagens espetaculares, de membros do PCC algemados, deitados no piso. Tivemos, também, fartura de imagens de membros do PCC sendo presos em todo o país, ao mesmo tempo em que éramos comunicados de que seus bens estavam sendo confiscados e suas contas bancárias bloqueadas.

Era 1º de setembro, semana do "aniversário" do PCC - aquela facção criminosa que, impedida praticar roubos desta monta em São Paulo, espalha-se pelo Brasil por obra e graça da incompetência do governo Lula. Na época, chamei atenção para a conveniência da data, que permitia ao governo Lula explorar eleitoralmente a operação.

Portanto, não me venham, agora, com esta conversa mole de que as imagens do dinheiro, com o qual os petistas pretendiam pagar o suposto dossiê dos Vedoin, não estão sendo mostradas porque a Polícia Federal tem uma política de não divulgar imagens que possam interferir no processo eleitoral. Há 20 dias não tinha. Passou a ter somente quando surgiram imagens que prejudicam Lula e o seu PT.

Mas façamos de conta, por um momento, que acreditamos nas afirmações do Ministro da Justiça. Aceitemos, por um momento, que a Polícia Federal, nestes últimos dias, passou a se preocupar em não fornecer imagens que possam servir para uso eleitoreiro. Esqueçamos, pois as imagens do dinheiro. Fiquemos, apenas, com a origem dele.

A imprensa já divulgou que parte dos R$ 1.168 milhões apreendidos com o empresário Valdebran Padilha vieram do Bradesco, Bank Boston e Banco Safra. Segundo a imprensa, a Polícia Federal já sabe, também, que o dinheiro foi sacado em agências de Caxias e Campo Grande, no Rio de Janeiro, e em Cuiabá, no Mato Grosso. Se já sabe tudo isso, a PF sabe, também a quem pertencem as contas.

Pois bem. A Polícia Federal vai esperar o dia 2 de outubro para divulgar os nomes dos titulares destas contas bancárias? Com que propósito fará isso? A quem interessa ocultar esta informação, se todos os nomes dos envolvidos foram, até aqui, revelados sem pudor?

É preciso que imprensa e sociedade somem esforços com a oposição no sentido de exigir que a PF revele a quem pertenciam as contas bancárias que abasteceram mais este escândalo da república petista. É preciso que salvemos a gloriosa Polícia Federal de sair destas eleições com sua imagem totalmente comprometida.

Posted by Nariz Gelado at setembro 21, 2006 01:04 AM

Comments

Adevogado,

Beleza, amigão! Seja bem-vindo! Vamos mandar essa cambada de trapalhões de volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Posted by: clePTomaníaco at setembro 22, 2006 05:37 PM

clePTomaníaco

Tucanei, não.
Despetralhei!

Posted by: Adevogado at setembro 22, 2006 05:31 PM

Adevogado,

Vc tucanou ou algo parecido?

PS: Desculpe, NG. Não me contive.

Posted by: clePTomaníaco at setembro 22, 2006 04:40 PM

Frases como "Lula deve estar tendo mais um acesso de fúria" ou "Lula está furioso" obtém do leitor uma interpretação forte que simboliza uma explosão de raiva. De alguém contra alguém ou alguma coisa, claro. O sujeito da ação sub-reptíciamente alçado à condição apriorística de castidade, idoneidade, plenitude de razão e credo moral. Já o indeterminado é o oposto, o antagônico a tal magnitude que dá origem à reação vulcânica da fúria. E assim caros e caríssimas Lula recebe o beneplácito das palavras bem postas em frases de impacto que informam, avaliam e inocentam. Bem definida postura pela mídia atual como as tais platitudes, acrescento, mal intencionadas. Aquelas que por dissimuladas em seu mais alto grau colocam seu autor num lugar confortável bem em cima do muro. A sutileza está no extraordinário magismo de tornar o muro invisível. O leitor atento se constrange com tal abominação (tá na moda) e a inconscientização a que leva a opinião pública. A lavratura dessa certidão partiu do mesmo que vaticina: "Somente Lula será capaz de derrotar Lula". Outra pérola emblemática a ser esmiuçada por quem quiser compreender os fundamentos do jornalismo político, dos isentos, em suas coberturas das campanhas eleitorais.

Posted by: Sharp Randon at setembro 22, 2006 03:14 PM

Pesquisa é treino, eleição é jogo

Por Fernando Castilho
Colunista de Economia do JC

Marcelo Teixeira, que ao lado de José Nivaldo Júnior dirige a Makplan, uma das primeiras agências especializadas em marketing político e que, durante anos, só trabalhou para governos, aposta - a 10 dias das eleições - que a campanha presidencial caminha para o segundo turno, advertindo que isso está escrito nas pesquisas de todos os institutos, mas que a mídia faz uma leitura precipitada dos resultados quando afirma que só teremos um turno.

Ex-marqueteiro de uma dezena de políticos de todas as matizes, indo de Leonel Brizola a Marta Suplicy, de Cristovam Buarque a Paulo Maluf, Teixeira foi autor da estratégia de campanha em mais de 70 disputas eleitorais em dezenas de estados brasileiros, vencendo a maior parte delas.

Segundo ele, no meio dos profissionais que cuidam de campanhas políticas, isso está consolidado há pelo menos duas semanas. Porque, ao contrario dos jornalistas, os marqueteiros não usam os números para dizer quem vai ganhar ou perder a eleição, mas para montar suas estratégias. Servem como ferramenta de trabalho, não como produto final para mídia.

Teixeira afirma que o motivo de sua certeza é a tendência de queda do candidato Lula da Silva nas Regiões Sul, Sudeste e Norte, e identifica uma incapacidade dos institutos de pesquisa em captar os movimentos sociais que ocorreram no país. Porque a metodologia usada já não se adequa mais ao Brasil urbano.

Ele cita o desvio que poderá provocar enormes equívocos de avaliação geral em relação ao Nordeste, onde há pesquisas que apontam índices de até 70% para o candidato Lula da Silva. Segundo ele, na história republicana nunca um candidato obteve, no dia da eleição, esse índice.

- Seria algo como em cada 100 pessoas, 70 saíssem de casa dispostas a votar num único candidato. Isso não está acontecendo no momento, diz.

Isso também não quer dizer que Lula não esteja na frente (e por muito) no Nordeste, está. O que as pesquisas não conseguem captar com precisão é esse percentual. Até porque dentro do Nordeste esse fenômeno não e generalizado. Cite-se os casos de Sergipe e Bahia.

O problema, segundo Marcelo Teixeira, é que a pesquisa não chega no eleitor médio ou referencial. Há casos de problemas básicos como a dificuldade de abordagem da Classe A, a dificuldade de entrevistar pessoas em apartamentos e de se estratificar classes sociais iguais em Regiões diferentes com maior precisão.

Nas grandes cidades, exemplifica, o pesquisador não consegue entrar no edifício porque o porteiro não deixa, por questões de segurança. Assim, quanto mais urbana é a cidade, mais o pesquisador capta o seu entrevistado na rua.

Isso, segundo ele, não invalida as pesquisas. Muito menos as tornam inúteis. Mas essa é uma dificuldade que muitos institutos já debatem há várias eleições sem conseguir resolver o problema.

A questão mais grave para ele é que as pesquisas indicam uma apartheid social com o Nordeste votando diferente do Brasil. Em 2006, segundo as pesquisas dizem, teremos o Nordeste votando diferente do Sul ou do Sudeste. Na eleição de 2002, apenas em Alagoas, Lula perdeu para Fernando Henrique no segundo turno.

Segundo ele, o Brasil vota igual. "Desde que se conta voto, isso acontece", diz. Da mesma forma que nenhum presidente do Brasil foi eleito sem ganhar em São Paulo (exceto no caso de JK, pois havia a candidatura de Adhemar de Barros, que era de São Paulo). Isso é fato histórico. Pode acontecer como fato isolado, como para provar que toda regra ter uma exceção, mas no geral o Brasil vota igual, insiste.

E se acontecer o que as pesquisas aparentemente mostram? Marcelo Teixeira acha que teremos um espetacular fato social para dezenas de teses acadêmicas. Mas ele não acredita que isso esteja acontecendo. "Lula pode ganhar, mas nem terá essa votação prevista pelas pesquisas em todo o Nordeste e nem o Nordeste vai votar diferente do resto do Brasil", insiste.

Ele lembra que a tradição no Brasil é das pesquisas errarem por muito nos números grandes. E lembra o caso de Pernambuco aonde os jornais chegaram a machetear Roberto Magalhães como o Prefeito do Recife e vai por aí. Ou Humberto Costa com 17% das intenções de voto, no dia da eleição, quando ele obteve 35% contra Jarbas Vasconcelos. E as distorções em vários estados onde se errou até em pesquisa de boca-de-urna.

Não é que as pesquisas não sejam importantes, adverte. Ou que não sejam válidas, esclarece. Ou ainda que não sirvam para orientar os profissionais. O equívoco é achar que elas são a expressão do voto do eleitor. Elas indicam o caminho para os profissionais que têm métodos de leituras que não se limitam aos grandes números. O erro é achar que elas antecipam o voto do eleitor no dia da eleição.
JC ONLINE / BLOG JC

Posted by: Joka at setembro 22, 2006 02:26 PM

Ironizei a postura do Noblat de aceitar a versão de Lula de que está "furioso" com petistas. Disse que se descobrissem que as contas de onde vieram os reais para comprar o dossiê fossem de Okamotto, Lulinha e Marisa Letícia, Noblat publicaria que Lula ficou furioso com Okamotto, Lulinha e Marisa Letícia.
Acho que ele não gostou...

Posted by: Adevogado at setembro 22, 2006 02:05 PM

Oi, Nariz

Fui bloqueado e tive todos os comentários apagados no blog do Noblat.
A parte boa é que foram apagados também os comentários do tempo em que eu fazia o papel de "adevogado do diabo" defendendo Lula e o PT.
Cool!

Posted by: Adevogado at setembro 22, 2006 01:49 PM

Nariz !!!

Coronel arrasou no noblat com os times de futebol.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...
rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsr...
hehehehehehehehehehehehe...

E o craque q/ vem de fora... foi deeeeez!!!!!!

Posted by: Cristal at setembro 21, 2006 10:03 PM

Hoje assistindo ao JN fiquei mais esperançosa. Acho que a PF (embora tenha sido tolida pelo atual governo) está fazendo o seu trabalho.

Posted by: recasampa at setembro 21, 2006 08:45 PM

E AS CARTILHAS???
E OS GRAMPOS???
PORQUE SUMIRAM DO NOTICIÁRIO??
ALGO MUITÍSSIMO ESTRANHO ESTÁ ACONTECENDO

Posted by: Eliane at setembro 21, 2006 05:23 PM

É triste a constatação que a Polícia Federal deixou de ser orgão de estado para se transformar em orgão de governo.

Posted by: Paulo at setembro 21, 2006 08:18 AM

Das platitudes (ô palavrinha) nacionais uma das campeãs é dizer que a Previdência Social é deficitária. O vaticínio: Expectativa de vida maior, aposentadoria postergada. Ao invés de cortar encargos trabalhistas, diminuir a jornada, instituir nessas horas a complementação educacional. A outra é ter confiança na PF. Instituição carcomida tem que trazer efetivo de outros estados para ter êxito em operações locais. De tempos em tempos isso aparece nas matérias. Quase uma praxe operacional. Para evitar vazamento de informação... ah! só para lembrar atualmente não é políticamente correto afirmar desconfiança na PF, só em MTB. O mata-borrão da PF. Ele se garante...

Posted by: Sharp Randon at setembro 21, 2006 03:06 AM

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