Arquivo de janeiro de 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O martelo de Tarso

É claro que vocês já sabem: o pugilista cubano Erislandy Lara – que Tarso Genro devolveu, na calada de um final de semana, para o companheiro Fidel Castro – afirma que, antes de ser sumariamente deportado, pediu asilo político ao Brasil.

À época, toda a torcida do Flamengo já desconfiava de que algo assim havia ocorrido. Mas, no momento em que tais desconfianças ganham consistência nas palavras de uma das vítimas, Tarso Genro quer que ignoremos todas as evidências para acreditar em um exercício de lógica dos mais fajutos.

O ministro cita o tratamento concedido a outros cubanos como prova de que os boxeadores não fizeram tal solicitação. Para o Ministro da Justiça (vallha-me Deus!) os fortes protestos da embaixada cubana no Brasil contra o refúgio concedido a um jogador de handebol, um ciclista e três músicos prova, por si só, que o processo com os boxeadores foi encaminhado corretamente – e que quem pede asilo, ganha.

Uma argumentação indecente, um desrespeito à inteligência alheia que, eu espero, o bom articulismo brasileiro não deixe passar em brancas nuvens.

Porque ocorre, meus caros, que a cronologia dos fatos demonstra justamente o contrário: que o comportamento do ministro cambaleou entre os humores castristas e a opinião pública nacional. Vejamos:

O ciclista Michel Fernandes García e o jogador de handebol Rafael da Costa Capote abandonaram a delegação de Cuba na primeira quinzena de julho – Rafael, mais precisamente, em 12 de julho. Dois dias depois, foi a vez do técnico de ginástica artística Lázaro Lamelas fazer o mesmo. Nenhum dos três, ao que se sabe, foi perturbado pela Polícia Federal.

No dia 21, foi a vez dos boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara desaparecem da Vila Pan-Americana. Ninguém ainda sabia o paradeiro de ambos quando, no dia 23, Fidel Castro declarou “Nos acertaram um golpe direto no queixo, promovido por norte-americanos“. Mais um dia e o Granma, jornal do Partido Comunista de Cuba, publica um texto no qual Lula se diz triste e indignado com a situação. Em 29 de julho, a delegação cubana, temendo outras deserções, abandona o Rio às pressas.

Tudo foi silêncio até 2 de agosto, quando Rigondeaux e Lara são presos em Araruama e, 48 horas mais tarde, enviados para Cuba em avião venezuelano. Mas somente no dia 7 o ministro se dignou a falar oficialmente sobre o tema.

Em 28 de setembro, O Comitê Nacional para Refugiados (Conare) aprovou o pedido de refúgio do jogador de handebol Rafael da Costa Capote e do ciclista Michel Fernandez García. Não encontrei notícias de Lázaro Lameras, técnico de ginástica olímpica que, inicialmente, estava aguardando asilo em Jaguariúna/SP.

Já o caso dos músicos cubanos – Arodis Pompa, Juan Diaz e Miguel Costafreda – foi só em dezembro. Mais precisamente, em 15 de dezembro – três meses depois do banzé com os boxeadores ter obrigado Tarso a explicar-se no Senado.

Se, conforme alega Tarso Genro, a diferença de tratamento entre um desertor e outro é prova passível de ser considerada, temos que admitir que a evidência cronológica depõe contra a versão do ministro. Em princípio, o Brasil agiu diplomaticamente com os atletas desertores. Mas tão logo Fidel Castro estrilou, os próximos a desertarem – os boxeadores – foram caçados e deportados na calada da noite. Na seqüência, diante barulho provocado pela opinião pública, Tarso Genro se viu forçado a recuar em sua mal disfarçada tendência castrista – o que explica o tratamento dispensado aos músicos.

O que Tarso Genro espera com esta patacoada é exatamente aquilo que ele, no final de sua entrevista ao Estadão, atribui aos seus crtíticos: martelar tanto uma inverdade que ela acabe se transformando em verdade. Afinal de contas, quem tem martelo é ele.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Algumas letras sobre a disputa na Câmara e no Senado

Tanto faz quem apóia quem quem ou quem preside o Senado ou a Câmara.

Com Lula na presidência, o Brasil virou ‘estepaíz’ – um pedaço de terra lamentável, onde petista faz o que bem entende, réu-por-formação-de-quadrilha é blogueiro e terrorista vira celebrity.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

As freirinhas atacam novamente

Aquela congregação de freirinhas que atende pelo nome de PSDB fez anunciar que apoiará Sarney na eleição para a presidência do Senado desde que ele assuma, de público, o compromisso de não deixar passar nenhuma proposta que possa alavancar um terceiro mandato para Lula.

Que lindo.

Mas se o senador aceitar a condição e, mas adiante, quebrar a promessa, as freirinhas vão fazer o quê? Sapatear e rasgar a roupa em praça pública?

Queiram me desculpar: ninguém pode ser tão tolo e inocente quanto os tucanos, volta e meia, tentam parecer.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A soma de todas as vergonhas

Não bastasse o incidente diplomático com a Itália, agora vamos amargar um bate-boca entre Eduardo Suplicy e a primeira-dama francesa.

Só falta ele tentar limpar a burrada com uma serenata ou um rap declamado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Buraco sem fundo

Repita comigo, leitor: “pobreza intergeracional”.

É com esta novidade que o ministro Desenvolvimento Social e Combate à Fome pretende compensar uma notícia para lá de previsível: a grande maioria dos usuários do Bolsa Família não tem o menor interesse em abandonar a teta. Das 185 mil vagas em cursos profissionalizantes gratuitos, apenas 9.530 foram preenchidas. O início das aulas – previsto para fevereiro – foi adiado para março.

Diante de números tão reveladores, e das críticas do colega Mangabeira Unger, Patrus Ananias saiu-se com uma petistada. Ao admitir que boa parte dos 11 milhões de beneficiários da mamata jamais largarão o osso, ele explicou: “Estamos trabalhando para seus filhos, netos. Para quebrar a pobreza intergeracional.”

E eu fico aqui, morrendo de orgulho do bisnono e da bisnona que, lá pelos idos de 1880, chegaram no Rio Grande do Sul embalados pela promessa de terras. E que tudo o que ganharam foi um facão com o qual deveriam enfrentar a mata fechada, o frio e os índios da serra gaúcha para chegar no tal “pedaço de terra” – uma pirambeira desgraçada cujos penhascos, como dizia o bisnono, “só dava para semear à tiro de Beretta”.

Tinham a companhia de uma dezena de casais e algumas famílias que, como eles, haviam caído de gaiatos no conto do Império. Juntos – sem Ananias, PT ou Bolsa Família – eles construíram uma das regiões mais prósperas do país. E levaram três gerações para quebrar, com o suor do próprio rosto, a tal da ‘pobreza intergeracional’ – eu, meus irmãos e meus primos fomos a primeira geração a conquistar um diploma universitário.

Se eu quero que todos passem tanto trabalho quanto o bisnono e a bisnona? É claro que não. Não desejaria a ninguém o que eles passaram – o inverno da serra gaúcha, não sei se vocês sabem, pode ser tão ou mais rigoroso que a seca nordestina.

Quero apenas que as pessoas trabalhem para merecer o que comem. Porque acredito que esta antiga e simples didática – de trabalhar para comer – forja grandes homens, mulheres e nações. E os números, por mais que tentem maquiá-los com novos e complicados termos, não me desmentem: o Bolsa Família é uma chocadeira de vagabundos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Olho por olho, dente por dente

E se quiserem baixar as armas para combater na arena cultural, eu topo.

Mas sem desconto, que isso é coisa de mulézinha.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ao ponto

Não vamos pedir desculpas por nosso modo de vida, nem vamos vacilar em sua defesa, e, para aqueles que procurarem avançar em seus objetivos produzindo terror e matando inocentes, diremos a eles que nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; eles não poderão prevalecer e nós os derrotaremos“.

Este é o único trecho que interessa do dicurso de Obama – aquele no qual ele, como eu já observei outro dia, reafirma seu compromisso com o modo de vida americano.

O resto foi firula discursiva para pacifista ver: é só um rojão junino atingir uma embaixada para esta fala mansa virar poeira.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obama nas alturas

Enquanto eu não encontro tempo (tá bom, falta um pouquinho de saco também) para escrever sobre o Obama, cliquem aqui para ler o ótimo texto do David.