Arquivo de junho de 2008

domingo, 29 de junho de 2008

Vixe

Parece que Denise Abreu gravou telefonemas e reuniões durante as negocições para a venda da VarigLog . Aqui.

Pelo jeito, ou o governo age rapidinho, atendendo aos pedidos da ex-diretora da ANAC, ou o caldo vai engrossar.

sábado, 28 de junho de 2008

Pré-conceito

Nas manchetes de ontem:

Tarso Genro admitiu que a violência contra indígenas não é novidade, mas que ficou surpreso com o tipo de agressão sofrida pela adolescente xavante.

Nas manchetes de hoje:

Fonte da FUNASA informa que a adolescente xavante foi empalada pela própria tia.

Rapidinho eles arrumam um antropólogo para comprovar que o empalamento é uma prática cultural xavante – e que, em respeito à diversidade cultural, não devemos julgar a coisa com este nosso olhar ocidental (sim, eles costumam cuspir o-ci-den-tal , como se palavrão fosse).

sábado, 28 de junho de 2008

Trairão

O peixe morre pela boca.

Quando a boca é grande, então, como a da traíra, a morte é certa.

Pois passei o dia afastada das notícias e só agora li as declarações de Aécio Neves sobre a identidade que existe entre o PSDB e o PT – e de como ele e Lula andaram externando, em pleno velório de dona Ruth, seu mútuo desejo de reaproximar os dois partidos.

Ficar politicando em velório já é ruim. Mas admitir publicamente que se fez tal coisa – e chamar a imprensa para contar os detalhes – é nojento.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Anotem aí

Sagu.JPG

Todo mundo preocupado com o bombom de licor – que, agora, ingerido antes de uma bandinha de carro pode garantir multa de 900 paus e perda da carta por um ano – e eu preocupada com o sagu.

Estou especialmente preocupada com a mami, que é apaixonada pela iguaria.

Era só o que faltava: ela, que jamais teve que me buscar em delegacias, ir parar em uma por culpa do sagu.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Para turma não esquecer, dona Ruth

Quero reiterar uma velha reivindicação. Quando me filiei ao PSDB, disse qual era o motivo: pela primeira vez, havia no regimento do partido a possibilidade de que se formassem núcleos, que não seriam necessariamente diretórios. Isso nunca foi posto em prática. E eu continuo cobrando. Está lá no regimento, se é que não tiraram depois de todos esses anos. Mas se tiraram temos que pôr de volta, porque esse é só o começo da mudança de uma prática que está esclerosada.”

(Ruth Cardoso, no seminário Renovar Idéias, São Paulo, setembro de 2005)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Lula: um pescador às avessas

Quando Vavá, irmão do presidente Lula, apareceu em escutas telefônicas da Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal, o presidente concluiu que seu irmão era um lambari num cardume de pintados: “Quando a PF pede a quebra de sigilo de uma pessoa, ela se prepara para encontrar um cardume de pintados. O Vavá, nessa história, me parece mais um lambari que foi pego. Qual é a vantagem? É que é um lambari especial, porque é irmão do presidente da República” , declarou o presidente

Agora, Lula recorre outra vez à pesca metafórica para minimizar a incidência de obras do PAC nas fraudes descobertas pela Operação João-de-Barro. Ao endossar o argumento de Dilma Roussef – de que apenas 37 dos 119 municípios investigados têm obras do PAC – o presidente lascou: “Pasmem, eu me deparo com algumas manchetes assustadoras: ‘Obras do PAC têm corrupção’ ou ‘Corrupção nas obras do PAC’. E, quando a gente vai ver o tamanho do surubim, percebe que tem ali nada mais nada menos que um mandi-chorão, daqueles bem pequenininhos.”

Uma vez que a nota distribuída pela PF na semana passada – e ainda não desmentida – dava conta de que “a maioria” das 119 prefeituras envolvidas tinha obras do PAC, podemos concluir que Lula é um pescador às avessas. Sim, porque vocês sabem o que dizem dos pescadores: eles nunca perdem uma chance de aumentar o tamanho e o peso da pesca. Lula, ao contrário, prefere sempre diminuir.

terça-feira, 24 de junho de 2008

A UNE confidencial

A edição de hoje do Diário Catarinense traz um interessante artigo do Desembargador Lédio Rosa de Andrade.

Ex-presidente da União Catarinense de Estudantes, o Desembargador aponta, dentre outras cositas, a existência de um contrato, com cláusula de confidencialidade, firmado entre a UNE e a STB – Student Travell Bureau.

Por este contrato, explica Andrade, a STB detém exclusividade na emissão da Carteira Mundial do Estudante – atividade que, só no ano passado, garantiu R$ 3 milhões aos cofres da UNE. Estima-se que um terço deste valor tenha sido repassado à STB – mas ninguém pode ter certeza, já que a cláusula de confidencialidade desobriga a STB a divulgar seus lucros com esta parceria.

Clique aqui para ler na íntegra.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Modus operandi

Eu sei que é até tedioso, mas vamos lá…

Roberto Teixeira, o compadre do presidente Lula, disse, quarta-feira passada, ter recebido US$ 350 mil por sua atuação na venda da Varig. Ontem, por meio de sua assessoria, o compadre mandou dizer que o valor de seus contratos com a VarigLog pode chegar a US$ 5 milhões – exatamente como afirmara Marco Antonio Audi. É claro que há todo um contorcionismo discursivo: segundo a assessoria de Roberto Teixeira, o valor se refere a um ano e dez meses de serviços – honorários, custas judiciais e outras despesas – em mais de 300 processos.

Sabem o que é isso?

É José Genoíno dizendo que conhecia Marcos Valério só de vista e, horas depois, vindo à imprensa para explicar que assinara empréstimos com o mesmo Valério sem ler.

sábado, 21 de junho de 2008

Qual a munição de uma guerra suja?

Há um mês ou dois, me falaram sobre os bastidores da disputa pela presidência da CNA – Confederação Nacional de Agricultura. Se não me engano, foi quando cobrei maior participação da Senadora Kátia Abreu em alguma pendenga no Senado. Então, me contaram que ela estava enfrentando uma batalha medonha pela presidência daquela entidade – daí sua ausência em questões outras. Kátia Abreu, me informaram, estava dando combate a adversários dispostos a tudo – “é uma guerra suja”, disseram.

Ontem à noite, Josias de Souza publicou um post sobre esta guerra. A senadora do DEM havia procurado a Polícia Civil porque seu e-mail fora violado. Josias também adiantou aquilo que, horas mais tarde, a Veja iria aprofundar: “passaram a circular a informação de que Kátia Abreu estaria se servindo da estrutura da CNA para fazer sua campanha“, escreveu Josias. Leiam lá e verão que é uma afirmação dúbia, diante da qual poderíamos, tranqüilamente, perguntar: qual campanha? Aquela para a presidência da CNA? Ou a campanha para o Senado?

Em pouco tempo tornou-se desnecessário qualquer esclarecimento por parte do blogueiro. A Veja chegou às bancas com índicios muito fortes de que a campanha de Kátia Abreu para o Senado foi bancada pela CNA. A entidade pagou um montante de R$ 650 mil para a agência de propaganda da senadora, a Talento Comunicação e Marketing, que alega ter feito campanha para a própria CNA. O problema é que não consegue apresentar uma só peça da suposta campanha. E quem conhece um pouquinho este meio sabe que nenhuma agência deixa de arquivar suas campanhas. Se isto já era verdade antes do advento do computador – quando tal coisa demandava espaço físico – que dirá agora?

Portanto, é preciso admitir: a tal da guerra pela presidência da CNA é suja, sim. Mas é suja porque, ao que tudo indica, não falta quem lhe forneça sujeira. O que me revolta é que, desta vez, a munição tenha vindo de uma senadora que começava a despontar como uma liderança oposicionista.

É claro que todos os envolvidos deverão ser chamados a prestar explicações. É claro que Kátia Abreu precisa ser ouvida. Mas, diante das evidências, eu só posso oferecer a ela o mesmo que ofereço ao Paulinho da Força: desconfiança. A diferença é que, ao contrário do que acontece em relação a este último – que também, notem, se diz vítima de uma guerra suja -, no caso da senadora eu realmente lamento.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Humilhação

O senador Pedro Simon acaba de completar cinco horas na tribuna do Senado. Não foram ininterruptas, já que também os senadores Gim Argelo e Heráclito Fortes o ajudaram – este último,cancelou viagem para auxiliar Simon a matar o tempo.

E porque Simon quer tempo? Ele aguarda uma mensagem de Lula autorizando um empréstimo de 1 bilhão de dólares do Banco Mundial para o Rio Grande do Sul. O problema é que a mensagem precisa ser lida em plenário ainda hoje ou não entrará na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na semana que vem – e o Rio Grande ficará sem o dinheiro.

Pois Simon, e o solidário Heráclito Fortes, estão nisso desde às 9:20h da manhã e, até agora, nada da mensagem chegar – o último informe dava conta de que a mensagem chegaria às 13:30h.

É claro que os gaúchos saberão reconhecer a paciência e fibra demonstradas pelo senador do PMDB.

Mas também é verdade que Pedro Simon está sendo humilhado em praça pública pelo presidente – uma lição e tanto, para quem vive pedindo que se dê uma segunda chance a Lula. E note-se que, há pouco, talvez numa tentativa de que a mensagem venha rápido para fazê-lo calar, Simon começou a falar mal do governo. Não funcionou. A espera continua.

Submeter alguém como o Pedro Simon a uma humilhante espera de cinco horas é coisa que não se faz. Não fosse pela história do senador, pelo menos por seus cabelos brancos. Mas eu devo estar maluca de esperar respeito da parte de quem nem sabe o significado da palavra.