Arquivo de março de 2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ver petista lamber a “PIG”… Não tem preço.

Mas, Sr. Presidente, o que me traz à tribuna hoje é a matéria da revista Veja desta semana cujo título é o seguinte: ‘C: a classe dominante. Com 86 milhões de brasileiros, a classe C torna-se a maior do País. Saiba como esse fenômeno populacional e de mercado vai revolucionar o Brasil’”.

(Sibá Machado, hoje, pontuando a credibilidade da revista Veja entre os petistas)

segunda-feira, 31 de março de 2008

Petistas, dossiês e a oposição: o passado vos condena

Lula acaba de acusar o golpe: escalou Gilberto Carvalho para tentar desfazer a crise do dossiê. Significa que a coisa está complicada.

Gilberto Carvalho, se vocês não lembram, é o coringa para momentos de crise. Em maio de 2006, quando Silvio Pereira deu aquela bombástica entrevista, Carvalho foi o primeiro a falar com a imprensa, lançando a versão de que o ex-secretário do PT estava mentalmente desequilibrado. Em 15 de setembro do mesmo ano, quando os “aloprados” foram pegos com a mão em 1,7 milhões, para quem Jorge Lorenzetti telefonou? Sim, para ele, Gilberto Carvalho, o homem das crises.

Agora, uma vez que o TCU desmentiu as explicações – insistentemente repetidas desde quinta-feira – de Dilma Roussef, Carvalho entra em campo para nos fazer engolir uma previsível versão ministerial daquele enxovalhado “eu não sabia”, tantas vezes utilizado por Lula. Vocês já leram: “Dilma foi traída e o governo está a caça dos traidores”.

Poderia até dar certo. Se, em 20 de fevereiro, Dilma não tivesse dito a 30 industriais que o governo estava reunindo informações sobre gastos com cartão no governo Fernando Henrique. Se eu tivesse motivos para acreditar que Dilma Roussef é uma petista diferente de Dirceu e Palocci – que até hoje estão se explicando na Justiça a respeito de supostos crimes cometidos na defesa do “governo popular do PT”.

Finalmente, a justificativa de Carvalho poderia colar se, antes mesmo de estourar este probleminha com os cartões corporativos, jamais tivesse havido qualquer atitude semelhante – em síntese, governistas brandindo dossiês e informações do passado para intimidar a ação da oposição em CPIs.

Acontece que houve. E não falo apenas dos “célebres” aloprados que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos durante a última campanha presidencial. Falo de outros antecendentes, que bem demonstram que ameaçar a oposição e tentar paralisar CPIs com dados do governo Fernando Henrique é um método petista fartamente utilizado.

Ou vocês já esqueceram de Ideli Salvatti, em 2005, recebendo um suposto dossiê que, supostamente, comprovava fraude nos Correios durante o governo Fernando Henrique? O que ela fez com esta informação? Egoliu, sentou em cima ou coagiu a oposição?

Ou já esqueceram, também, que a CPI das ONGs foi praticamente paralisada por conta de uma negociação – na qual a oposição teria poupado a filha do presidente da República, Lurian Lula da Silva, ex-dirigente da ONG 13, para manter intocado o Comunidade Solidária, programa da ex-primeira dama, dona Ruth Cardoso?

Quer dizer: Carvalho, Dilma e o PT inteiro podem negar de pés juntos que não fizeram um dossiê que não vai adiantar. O passado fala por todos eles. Resta, agora, saber como agirá a oposição: vai engolir o sapo, como fez na CPI das ONGs? Ou vai partir pra cima como prometeu, na última sexta-feira, o senador Arthur Virgílio?

domingo, 30 de março de 2008

Bolão do Lula

Dirceu levou dez dias para cair. Em 6 de junho de 2005, a Folha publicou aquela bombástica entrevista com Roberto Jefferson. No dia 16, José Dirceu deixou o Super-Ministério da Casa Civil.

Palocci caiu em sete. Numa segunda-feria, 20 de março de 2006, ficou claro que o sigilo do caseiro Francenildo fora violado. Na segunda-feira seguinte, dia 27, Antônio Palocci deixou o Ministério da Fazenda.

Quanto tempo levará Dilma Roussef?

sábado, 29 de março de 2008

Um detalhe

Ontem eu disse que não acreditava na hipótese do fogo amigo atingindo Dilma Roussef.

A despeito das razões que enumerei, havia também uma certeza: o fato de Dilma ser a sucessora da vez não justificaria, por si só, um ataque desta monta. Primeiro porque 2010 está muito longe. Segundo – e talvez mais importante do que a questão do tempo – a ministra está mal nas pesquisas presidenciais. Ela precisará melhorar muito para que Lula transforme seu desejo em fato consumado. E, uma vez que não há certeza alguma para um “Dilma 2010″, não haveria razão para um ataque tão virulento – e tão precoce – passível de respingar até no próprio presidente Lula.

Acontece que havia um detalhe que eu não estava considerando. E se a ministra não estivesse sendo atingida apenas pelo que ela, para usar a expressão de Ideli Salvatti, “poderá vir a representar em 2010″ mas, também, por questões outras?

Pois eis que surge uma boa hipótese que, até onde eu sei, não foi ventilada por mais ninguém… Isto, sim, me faria acreditar em fogo amigo.

sábado, 29 de março de 2008

Para Dilma, com carinho

Afirmamos que é um banco de dados e que a quantidade de informações que tem um banco de dados é 20 mil vezes maior do que um dossiê“.

(Dilma Roussef, ontem)

Provem que não é um banco de dados, provem. Não fiquem assacando contra nada“.

(idem)

Da coluna Painel, da Folha de S. Paulo, hoje:

Secretários-executivos de todos os ministérios foram chamados para uma reunião do Planalto na quarta-feira passada. No encontro, o número dois do Planejamento, João Bernardo Bringel, determinou que os presentes providenciassem, o mais rapidamente possível, cópias de todos os processos de suprimentos de fundos (despesas feitas com cartões e contas tipo B) em suas respectivas pastas nos últimos dez anos para atender à demanda da CPI.

O volume de dados é tão caudaloso que dois dias depois, à luz da revelação da Folha de que o braço direito de Dilma Rousseff ordenou um levantamento de despesas de FHC e Ruth Cardoso, secretários interpretaram a orientação recebida como uma tentativa de embaralhar tudo e justificar o dossiê.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O discurso de Arthur Virgílio

Há muita discussão na web sobre o que o senador Arthur Virgílio teria – ou não – dito em plenário, hoje pela manhã.

Eis o áudio do discurso, na íntegra, dividido em três partes:

Parte 1 – Sobre os 40 anos do assassinato de Edson Luiz, matéria de hoje de O Globo. – O escândalo do Bancoop – Leitura da matéria da Folha de S. Paulo Sobre o dossiê: Erenice Alves Guerra e a lição para a tropa de choque da CPI.

Parte 2 – A ida ao Palácio do Planalto para levar documentos que solicitam a abertura de sigilos. – O encontro com Gilberto Carvalho e Erenice Guerra – Erenice é perigosa – A candidatura de Dilma – O alopramento de Dilma – Lula em campanha.

Parte 3 – O caso Francenildo: Palocci caiu – Aparte do senador Heráclito Fortes – A luta armada – Dilma e o assalto ao cofre de Ademar de Barros – Dilma já chegou a extremos: não é impossível que tenha chegado novamente – o MDB e o retorno pacífico à democracia – Enfiem a viola no saco: não haverá terceiro mandato.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Não é frigideira. É certeza de impunidade.

Senador Heráclito Fortes, agora, na tribuna, afirmando que Dilma Roussef é vítima de um processo de fritura nascido dentro do próprio governo. O senador está se inspirando na tese da jornalista Lucia Hippolito – a quem citou em seu pronunciamento de ontem.

Respeito a opinião da Lúcia. Mas discordo dela. Por mais que nos pareça impossível acreditar que assessores tão importantes agiriam assim sem que fosse de caso pensado – sem que fosse para atingir diretamente a alguém – é exatamente isso. Não é fritura de “a” ou “b”. É apenas a ação despreocupada de quem tem certeza de que não será pego – e que se for pego vai, no máximo, cumprir umas horinhas semanais em uma zeladoria urbana qualquer.

Os petistas no poder agem inspirados na certeza da impunidade – o que equivale a dizer que agem com profundo conhecimento do Poder Judiciário tupiniquim, que jamais mantém políticos e assessores atrás das grades. Vai daí que os petistas sejam tão descuidados, deixando sempre as marcas das patinhas por onde quer que andem. Foi assim com o mensalão. Foi assim com a invasão da conta do caseiro Francenildo. Foi assim com o dossiê dos ‘aloprados’. Será assim agora, com Dilma – e também com Lula, que faz campanha eleitoral antecipada, com dinheiro público, nas barbas do TSE.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Vida que segue

Imagino que, a esta hora da manhã, vocês já leram a notícia várias vezes: a Folha de S. Paulo investigou e descobriu quem era a mulher por trás do dossiê revelado na última edição da Veja. Pouco importa o que dirão os membros da imprensa chapa-branca, alguns frustrados professores de jornalismo e outros bêbados: é jornalismo investigativo de primeiro mundo.

De terceiro mundo vai ser a seqüência da coisa: Erenice Alves Guerra vai assumir a culpa. Tal qual Silvio Pereira, Delúbio Soares, Antônio Palocci e Jorge Lorenzetti, Erenice dirá que agiu por conta própria, sem conhecimento de Dilma. Em seguida, pedirá demissão. Assunto encerrado. Vida que segue. Bom jornalismo. Porcaria de país.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O dia em que meu ouvido virou penico

Não consigo me decidir sobre qual foi o pior das últimas 24 horas: o ‘telefonema’ de Lula para Bush, Cesar Maia dizendo que foi a Salvador buscar boas energias para lutar contra a dengue ou Lula, novamente ele, chamando Hugo Chávez de pacificador.

quinta-feira, 27 de março de 2008

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