Lula acaba de acusar o golpe: escalou Gilberto Carvalho para tentar desfazer a crise do dossiê. Significa que a coisa está complicada.
Gilberto Carvalho, se vocês não lembram, é o coringa para momentos de crise. Em maio de 2006, quando Silvio Pereira deu aquela bombástica entrevista, Carvalho foi o primeiro a falar com a imprensa, lançando a versão de que o ex-secretário do PT estava mentalmente desequilibrado. Em 15 de setembro do mesmo ano, quando os “aloprados” foram pegos com a mão em 1,7 milhões, para quem Jorge Lorenzetti telefonou? Sim, para ele, Gilberto Carvalho, o homem das crises.
Agora, uma vez que o TCU desmentiu as explicações – insistentemente repetidas desde quinta-feira – de Dilma Roussef, Carvalho entra em campo para nos fazer engolir uma previsível versão ministerial daquele enxovalhado “eu não sabia”, tantas vezes utilizado por Lula. Vocês já leram: “Dilma foi traída e o governo está a caça dos traidores”.
Poderia até dar certo. Se, em 20 de fevereiro, Dilma não tivesse dito a 30 industriais que o governo estava reunindo informações sobre gastos com cartão no governo Fernando Henrique. Se eu tivesse motivos para acreditar que Dilma Roussef é uma petista diferente de Dirceu e Palocci – que até hoje estão se explicando na Justiça a respeito de supostos crimes cometidos na defesa do “governo popular do PT”.
Finalmente, a justificativa de Carvalho poderia colar se, antes mesmo de estourar este probleminha com os cartões corporativos, jamais tivesse havido qualquer atitude semelhante – em síntese, governistas brandindo dossiês e informações do passado para intimidar a ação da oposição em CPIs.
Acontece que houve. E não falo apenas dos “célebres” aloprados que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos durante a última campanha presidencial. Falo de outros antecendentes, que bem demonstram que ameaçar a oposição e tentar paralisar CPIs com dados do governo Fernando Henrique é um método petista fartamente utilizado.
Ou vocês já esqueceram de Ideli Salvatti, em 2005, recebendo um suposto dossiê que, supostamente, comprovava fraude nos Correios durante o governo Fernando Henrique? O que ela fez com esta informação? Egoliu, sentou em cima ou coagiu a oposição?
Ou já esqueceram, também, que a CPI das ONGs foi praticamente paralisada por conta de uma negociação – na qual a oposição teria poupado a filha do presidente da República, Lurian Lula da Silva, ex-dirigente da ONG 13, para manter intocado o Comunidade Solidária, programa da ex-primeira dama, dona Ruth Cardoso?
Quer dizer: Carvalho, Dilma e o PT inteiro podem negar de pés juntos que não fizeram um dossiê que não vai adiantar. O passado fala por todos eles. Resta, agora, saber como agirá a oposição: vai engolir o sapo, como fez na CPI das ONGs? Ou vai partir pra cima como prometeu, na última sexta-feira, o senador Arthur Virgílio?