Arquivo de dezembro de 2007

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

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domingo, 30 de dezembro de 2007

Você paga, o Estado escolhe a programação

Um Projeto de Lei que deveria regular as atividades das TVs por assinatura no país recebeu, por obra e graça do deputado João Maia (PR/RN), uma cláusula que obriga os canais pagos a exibirem 50% de conteúdo nacional. Tendo por relator o petista Jorge Bittar, o projeto, é claro, ganhou força – os petista não desistem de tentar policiar o que assistimos em nossas televisões.

Se esta estrovenga passar, vai ser uma beleza: produções nacionais, de qualidade discutível, nos serão enfiadas goela a baixo. Também teremos reprises ad eternum, já que a produção nacional jamais acompanhará o ritmo necessário para manter 12 horas diárias de programação exclusiva em uma centena de canais. Além disso, vocês podem apostar que muitos canais que transmitem exclusivamente produções internacionais acabarão encerrando suas atividades no Brasil – diga adeus àquele seriadinho enlatado que lhe faz feliz.

O projeto está tramitando, quase em segredo, na Comissão de Ciência e Tecnologia, Informação e Comunicação da Câmara dos Deputados e a ABTA – Associação Brasileira de Tv por Assinatura – lançou, no início de dezembro, uma campanha para informar e mobilizar os assinantes. Clique aqui para saber mais.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Nós

É claro que vocês notaram: o blog está em ritmo de férias.

Eu poderia alegar que estou com visitas – o que é verdade. Mas o fato é que os dias têm sido perfeitos para praia. Queiram pois, perdoar as prolongadas ausências.

Estejam certos, porém, de que se ocorrer algo muito importante eu fecharei o guarda-sol e virei correndo para cá. Caso contrário, até o dia 2 ficaremos assim – com esse jeitinho meio lerdo, em edições mais incertas do que o normal.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Tempo e sensibilidade

Sei que vou parecer insensível.

Mas, em algum cantinho bem escondido da minha alma, começo a achar que é barulho demais, expectativa demais e espera demais para três míseros reféns.

Se a razão desta demora é criar um clima novelesco, anotem aí: estas coisas têm um timing. Se passam do ponto, o povo perde o interesse. Sem contar que sempre há a chance de ocorrer outro fato, mais dramático, que acabe por roubar a cena.

domingo, 30 de dezembro de 2007

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sábado, 29 de dezembro de 2007

Teoria do horror

Tem muita gente apostando que os reféns a serem libertados na “Operação Emanuel” estariam, a esta altura, recebendo um tratamento VIP – e que esta seria a razão pela qual a coisa está demorando tanto. Tudo para que os três se apresentem, diante das câmeras, com a aparência de que foram tratados de forma humanitária pelas FARC.

A teoria não é desprezível. Mas a pergunta obrigatória é: o que os autores da farsa pretendem fazer para impedir que os reféns revelem como foram, de fato, tratados pelos terroristas? A única resposta possível é tenebrosa: ameaçar que, se o fizerem, os reféns que permanecem em cativeiro serão torturados – ou assassinados.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Eu só queria entender…

A Folha de S. Paulo de hoje traz matéria especial sobre a presença do exército venezuelano em nossas fronteiras. Lá pelas tantas, o leitor se vê diante do seguinte parágrafo:

O ímpeto armamentista do presidente Hugo Chávez já preocupa as Forças Armadas brasileiras, que consideram o avanço militar chavista uma ameaça à estabilidade regional.

Em setembro, o Comando Militar da Amazônia chegou a investigar se aconteceram pousos de aviões militares da Venezuela no Brasil. A investigação descartou a invasão. Hoje não há, segundo os militares, temor de uma investida venezuelana“.

Afinal de contas, as Forças Armadas brasileiras estão ou não estão preocupadas com o avanço militar chavista?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Zero em maternidade

Em Palmeira das Missões (RS), Elaine Martins Schwantz, portando um 38, invadiu o Colégio Estadual Três Mártires e ameaçou matar os professores. O motivo: indignação e revolta porque sua filha foi reprovada em três matérias no terceiro ano do ensino médio. Aqui.

Ao contrário do que vocês possam ser levados a pensar, Elaine não é uma exceção. Conversem com os professores, principalmente com os de escolas particulares, e descobrirão que a única diferença entre Elaine e a maioria dos pais da atualidade é que ela pode ir presa pelo que fez – ao passo que os outros pais dificilmente serão responsabilizados pelos danos que causam aos seus filhos e à sociedade.

Sou do tempo – e creio que a maioria que me lê também é – em que notas baixas no boletim eram motivo para um castigo. As penas eram duríssimas: de uma semana sem ir brincar na rua a uma mês inteiro sem matinê, elas variavam de acordo com a nota e os danos que a mesma poderia causar no aproveitamento escolar anual. Sem contar a vergonha a que éramos submetidos nos churrascos e reuniões familiares, quando todos nos olhavam com reprovação. Um tio meu, aliás, tinha uma técnica infalível. Sempre que algum moleque – os meninos eram piores – aparecia com notas baixas, ele vinha com um discurso semelhante: “Fulano, não se preocupe. Nós te amamos assim mesmo. Entendemos que você é limitado e jamais vamos lhe deixar desamparado. O tio está guardando um dinheirinho para lhe comprar um taxi. Esteja certo de que comida não vai lhe faltar” , etc e tal. Era tiro e queda.

São práticas educacionais familiares de um tempo que já morreu. Hoje, quando a criança apresenta notas insatisfatórias, os pais vão à escola para xingar os professores. As reuniões não ocorrem mais para discutir o comportamento da meninada em sala de aula – e para orientar os pais sobre o que eles devem cobrar de seus filhos. São, isto sim, verdadeiras sessões de linchamento dos professores. Nenhuma ou pouca responsabilidade se exige dos estudantes.

Não é difícil perceber como se chegou a isso. Nos últimos 30 anos, a introdução de novos conceitos pedagógicos acabou por questionar valores antes tidos como certos: a nota como parâmetro de produção, a exigência de um bom rendimento, a valorização da competitividade e o respeito a autoridade do professor caíram por terra. Em substituição, vieram a subjetividade do conceito, o respeito à diferença de ritmo de cada aluno e a exagerada valorização de “saberes” outros, não adquiridos nos livros – aquela história de que saber tocar pandeiro é tão importante quanto saber somar. E se hoje os professores são responsabilizados por tudo é porque houve um momento em que eles se mostraram absolutamente coniventes com estas inovações pedagógicas.

O resultado desta aventura se faz sentir há algum tempo: crianças que aprendem o que querem, quando querem e como querem – e que chegam aos bancos universitários semi-alfabetizadas; professores impotentes e pais que, embora não cheguem às vias de fato, pensam exatamente como Elaine Martins Schwantz.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Governo de fachada

O leitor que se assina Fabricio Ferreira Neves me envia por e-mail:

Aqui no Rio, no desativado prédio do JB, há mais de um ano o Governo Federal colocou um daqueles banners enormes, que cobrem o edifício inteiro, anunciando que ali ficaria o novo Hospital de Ortopedia do Rio. Quase todo dia eu passo ali e nunca vi um operário, um arquiteto ou um engenheiro, nada, ninguém. O anúncio continua lá…

De fato, em seu informativo de agosto-setembro de 2005, o Instituto Nacional de Traumáto-Ortopedia prometia a inauguração da nova sede, a ocupar o antigo prédio do JB, para setembro de 2007.

Já em 25 de outubro de 2006 – em plena campanha presidencial, portanto – o ministro da saúde, Agenor Álvares, e o diretor-geral do Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), Sérgio Côrtes, apresentaram à imprensa o projeto das novas instalações. Mas a data da inauguração foi, então, protelada para 2009. Na matéria publicada, à época, no portal da saúde, vocês podem ver que nem na maquete o governo esqueceu de colocar suas vistosas placas de propaganda.

Que ninguém diga que não há coerência na coisa. Afinal de contas, nunca na história deste país um governo inaugurou tantas pedras fundamentais, tapumes e fachadas de obras.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

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Imagine a situação…

Você está há cinco anos no meio da selva, refém de terroristas, sem acesso a qualquer notícia do mundo civilizado. Então, quando finalmente é libertado, a primeira coisa que você vê é a cara do Marco Aurélio Garcia.

O que você pensaria?