O avião venezuelano que levou os boxeadores cubanos de volta ao inferno castrista.
Foto: Tozé Batista
Este é o jato Falcon 900-B, prefixo YV-2053, de propriedade de Hugo Chávez, em foto noturna no Aeroporto de Santa Maria, na Bolívia, em 26 de julho de 2006.
Não sabemos o que fazia por lá naquela dia. Mas em 4 de agosto de 2007, também na calada da noite, o Falcon 900-B esteve no Brasil. Veio para deportar dois atletas cubanos expulsos pelo Governo Lula. Ao que parece, o luxuoso jatinho circula pelos países bolivarianos, por conta do ditador venezuelano, atendendo compromissos do Foro de São Paulo.
A informação de que os boxeadores foram levados de volta à Cuba por um avião venezuelano veio à tona na última semana, durante o depoimento do ministro Tarso Genro à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. E o que mais me incomodou nas matérias jornalísticas que trataram do caso foi a ausência de informações sobre a resposta de Tarso Genro. A imprensa deu conta de que o prefixo do avião foi revelado pelo senador Heráclito Fortes – que já detinha a informação há pelo menos quinze dias – mas nada disse sobre a resposta do Ministro da Justiça.
Pois bem…
Ocupei parte da manhã de hoje ouvindo as gravações daquela reunião. Queria saber como a coisa tinha se dado e, principalmente, qual havia sido a resposta de Tarso Genro para a revelação de Heráclito Fortes.
Acabei descobrindo que, minutos antes ser inquirido sobre qual o prefixo da aeronave que transportara os atletas, Tarso Genro afirmou categoricamente que o avião era cubano. A afirmação foi feita durante intervenção do Senador Athur Vurgílio – na verdade, durante “o discurso” seria mais correto dizer, já que o senador tucano, prolixo como só ele, ocupou cerca de 40 minutos de seu tempo falando sobre ditadura, democracia e sua admiração e afeto pelo atual Ministro da Justiça. Importa, porém, é que, no meio da desnecessária ladainha, Virgílio encontrou tempo para perguntar sobre o prefixo da aeronave. Obteve como resposta que era cubana. (Clique aqui para ouvir o fragmento no qual Tarso Genro faz esta afirmação. )
Cerca de 10 minutos depois, contudo, o Ministro foi inquirido sobre o prefixo da aeronave. Ao informar que se tratava de avião venezuelano, limitou-se a dizer que fora “fretado pelo governo cubano”. Também resmungou qualquer coisa sobre averiguar melhor. (Clique aqui para ouvir).
E foi isso.
Sim, queridos, pasmem: ficou por isso mesmo. O Ministro da Justiça foi pego em contradição, Heráclito Fortes passou a palavra para o senador Cesar Borges e o assunto simplesmente morreu. Nenhum homem se apresentou para insistir no assunto. Ninguém para perguntar se, minutos antes, quando afirmara categoricamente que o avião era Cubano, Tarso Genro se enganara ou mentira deliberadamente. Ninguém se apresentou para lhe causar qualquer constrangimento.
Diante de tal demonstração de tibieza, conclui-se que Lula e companheiros seguirão pintando e bordando até o fim dos tempos simplesmente porque não há, no Brasil, um só político de oposição com vontade ou competência para fazê-los parar.