Arquivo de julho de 2007

terça-feira, 31 de julho de 2007

FPS 80

Nossas melhores boas-vindas aos recém-chegados.

Avisamos que este é um blog da elite branca e golpista.

Mesmo imaginando que você já conheça a expressão, vale observar: lançada inicialmente pelo dublê de vice-governador da direita e showman das esquerdas Cláudio Lembo, ela foi recentemente apropriada pelos governistas para designar todo aquele que ousa criticar o governo Lula.

Observamos que, embora utilizada anteriormente, tal apropriação ganhou força nos últimos dias, em virtude de uma diarréia governista aguda, causada por uma combinação de fatores, a saber: uma vaia no Maracanã, outra em Aracaju e uma manifestação de rua em São Paulo.

A fim de que você saiba exatamente onde está se metendo ao ler este blog, apresentamos abaixo uma definição clara da expressão:

Elite – categoria de cidadãos que se negam a compactuar com os desmandos do atual Governo Federal, seja em nome de cargos, de compadrios ou de ideologias. Popular: os passageiros da aviação civil em geral. Regionalismo: aquele que não bebeu água com barro, caramujo e merda de animal quando pequeno.

Branca – categoria de cidadãos que fazem oposição direta à elite vermelha e corrupta. Popular: limpinha. Regionalismo: categoria de paulistas que não aprovam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Golpista – categoria de cidadãos que ousam fazer uso do direito constitucional de criticar governos. Popular: a grande mídia. Regionalismo: categoria de paulistas que ousam expressar sua indignação com os inúmeros escândalos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Se você se encaixa neste perfil, fique a vontade. E, por favor, não se acanhe em fazer uso do farto estoque de protetor FPS 80, disponível em nossos arquivos. A última coisa que nós queremos é que você corra o risco de se tornar elite vermelha e corrupta.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Apenas mais um palanqueiro

Este negócio de ministério me intriga. Sempre que há uma nomeação, eu me pergunto como é que o cara, normalmente especialista em outra área – podem observar – , faz para se tornar um profundo entendedor da pasta que assume. No caso do Jobim, então, que assumiu em meio a uma crise jamais vista, a questão se torna ainda mais pertinente. Em apenas algumas horas, lá estava ele apresentando soluções com intimidade de quem conhece profundamente a aviação civil.

Mas vá lá: digamos que os técnicos garantam esta formação relâmpago. Nada disso, porém, vem ao caso agora.

Importa é que o ministro assumiu fazendo um discurso contundente, vocês devem lembrar: “ou faz ou sai”, foram as suas palavras de efeito. De efeito, mesmo. Pois não demorou muito para ele bater de frente com a militância aboletada no poder: na medalhada ANAC, já lhe avisaram, ele não vai “fazer” absolutamente nada. É, aliás, mais fácil o próprio Jobim sair do que mexer com a charuteira, o bilheteiro e o palestrante.

Depois, quando dizemos que o lulopetismo é um mal endêmico os caras ainda reclamam. Bastou algumas horas de convivío íntimo com a companheirada para que o neo-ministro se tornasse apenas mais um falastrão a enfeitar esta nossa corrupta e operária República.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

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Finalmente!

Estou desde o dia 21 atrás desta informação.

O boicote aéreo do dia 18/08 já tem site oficial.

Visitem clicando aqui.

E ajudem, por favor, a divulgar.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Priorizando

Algumas notícias falam em 2.000. Outras, em 6.500 pessoas. Importa é que a manifestação em homenagem às vítimas de acidentes aéreos e aos bombeiros que trabalharam no resgate da TAM reuniu bastante gente.

Ponto, pois, para os organizadores – a saber, a Associação Brasileira de Parentes de Vítimas de Acidentes Aéreos, a CRIA Brasil (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante), Campanha Rir para não Chorar, Casa do Zezinho, Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Brasil Verdade, Instituto Rukha e Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade.

Lá estavam, também, os manifestantes contra Renan Calheiros e o governo Lula. O presidente, Marta Suplicy e Marco Aurélio Garcia foram os alvos preferenciais das faixas, cartazes e palavras de ordem. O último foi lembrado pelo músico Seu Jorge que, em discurso, comentou os obscenos gestos do assessor presidencial, recentemente exibidos pela Rede Globo.

Considerando os acanhados protestos do ano passado, o número não deixa de ser impressionante. Mas é bom lembrar que tratava-se de um misto de protesto com homenagem aos mortos. Esta, me parece, foi a sua força. Resta cuidar para que não se transforme numa fraqueza dos próximos atos que estão programados. E eles não são poucos.

Há aquele “Fora Lula“, em São Paulo, no dia 4 – pelo menos, não me consta que tenha sido cancelado -, sobre o qual já falei anteriormente. Há, também, o minuto de silêncio no próximo dia 17, promovido pela campanha “Cansei“. Finalmente, há o “Dia do pé no chão“, que pretende parar os aeroportos em 18 de agosto.

Quem está me acompanhando há mais dias sabe que este último é o que considero mais importante. Primeiro, há uma coerência entre objeto e a ação em si que é fundamental em qualquer protesto que pretenda chamar a atenção: reclama-se contra o caos aéreo parando os aeroportos. Segundo: ao provocar prejuízo para as companhias aéreas, nós as estaremos atingindo na única coisa com a qual elas parecem se importar. Terceiro: se o governo não tem vergonha na cara – e não tem – não adianta protestar contra ele; é melhor pressionar as companhias para que elas parem de fazer o jogo governamental. Por fim, as chances de sucesso de um boicote desta natureza são grandes: para ser um sucesso, ele só precisa mobilizar uma camada da população que é majoritariamente bem informada.

Queiram me desculpar os mais sensíveis: dizer simplesmente “estou cansado” e pedir um mísero minuto de silêncio não vai mudar nada. Reunir 60.000 nas ruas gritando “Fora Lula” também não vai mudar nada – será sempre uma minoria, contrastada com os votos que reelegeram Lula ou com as providencias pesquistas de opinião que o governo arruma nessas horas. Mas dêem um dia de prejuízo para as companhias aéreas, sugerindo que isto pode voltar a acontecer mais vezes, que elas mesmas vão dar conta de nos entregar todas as governamentais cabeças – e, o que é melhor, passarão a nos respeitar enquanto consumidores.

Por esta razão, penso que tanto o pessoal que pretende gritar simplesmente “Fora Lula” quanto a organização da campanha “Cansei” deveriam usar seu tempo e energia – bem como os espaços que venham a conquistar na mídia – para apoiar o boicote do dia 18. É o que esta blog pretende fazer – assim que descobrir uma forma de contato com quem está a frente deste movimento pois, até agora, só li a respeito nas notícias de jornais.

domingo, 29 de julho de 2007

Não deixem de ler…

Sem mais nem menos, numa madrugada de domingo, meu vizinho Arranhaponte resolve o nosso problema.

Não deixem de ler a Súbita apreensão e uma revolucionária proposta .

domingo, 29 de julho de 2007

Reflexiones para el comandante en jefe

Órgãos da imprensa local de países pobres e pessoas sãs interessadas no esporte começam a se perguntar por quê seus talentos desportivos lhes são roubados depois de tantos investimentos e sacrifícios para formá-los.”

Esta é a questão proposta por Fidel Castro em seu tradicional artigo para o Diário Granma desta sextafeira.

El comandante já vinha se mostrando consternado com as quatro deserções que a delegação cubana sofreu durante este PAN. Chegou a colocar em dúvida até a seriedade dos árbitros e juízes. Nenhuma surpresa: se para os petistas daqui qualquer reclamação contra o governo é uma tentativa de golpe, para o petistão de lá, pai ideológico dos nossos, a marcação de uma falta é um atentado contra o regime.

Lá como cá, a reflexão jamais feita é aquela que convida à realidade dos fatos – no caso castrista, especialmente evidenciada pela atitude do governo cubano que, diante dos boatos de uma deserção em massa, antecipou a partida de sua delegação. Fidel deveria, antes, perguntar-se porque é tã fácil “roubar seus talentos desportivos”. Se não o faz é porque sabe a resposta: su régimen es una gran mierda.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Podem me chamar de chata…

Mas este negócio tá esquisito.

Antes mesmo de ver a programação visual, eu já tinha implicado com a história do “cansei”. Na minha modestíssima opinião, gente cansada não vai à luta – deita e dorme.

Mas agora fui visitar o blog e não pude crer: cansaram de tantos impostos, de bala perdida e de caos aéreo… Mas não cansaram de barba e mingo curto??

Ps.: e não venham me dizer que a imagem é uma crítica velada a alguém. Se crítica fosse, o cara estaria fazendo “top-top” pra gente – e não com a mão no coração.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

AI-18 ?

A Folha de S. Paulo de hoje traz os relatos de Fábio Guibo e Letícia Sander para a visita de Lula a Aracaju e João Pessoa.

Para além das vaias que os funcionários do Incra dirigiram ao presidente – abafadas pelos entusiasmados cânticos da companheirada que lá estava “a convite” – um trecho da matéria salta aos olhos:

Os manifestantes levantaram uma faixa onde estava escrito ‘Lula traidor’, mas ela foi logo arrancada por um segurança da Presidência.”

Quer dizer que a segurança presidencial está autorizada a fazer uso da violência para impedir a liberdade de expressão? Pelo que sei, tal coisa só seria compreensível se os manifestantes estivessem usando, sabe-se lá como, a tal faixa para atentar contra a segurança do presidente. Mas o relato é claro: a faixa foi apenas erguida.

Como a semana foi corrida e eu não consegui acompanhar as notícias a contento, obrigo-me a perguntar: por acaso editaram o AI-18?

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Um sucesso e um fracasso

Olhei agora para o contador que fica bem lá embaixo, no canto esquerdo, para descobrir que este blog ultrapassou há coisa de dois ou três dias, a marca das 300 mil visitas desde a sua fundação.

Considerando que em maio de 2006 atingimos a marca de 100.000 visitas, temos que, embalada pelo processo eleitoral, a visitação praticamente dobrou nos últimos 14 meses. É claro que há períodos mais fracos. Nos meses de janeiro e fevereiro, por exemplo, a visitação cai em quase 50%. Mas é uma queda geral, que atinge a todos os blogs, embora poucos o admitam – e os números são logo compensados a partir de março.

Agradeço, pois, aos leitores pela preferência, pelas dicas e pela divulgação constante que fazem deste espaço. Só isto explica tamanho sucesso.

O fato é que, conforme a popularidade do blog vai crescendo, surgem questionamentos a respeito de como ele se mantém. E há os que me chamam de “trouxa” – sempre por tabela, é claro – depois de ouvir que não ganho nada com isso. “Que raios de capitalista é você?”, me perguntam. Também surgem os que solicitam que o blog amplie sua área de atuação- que eu aumente o número diário de posts, que dê conta de mais assuntos e noticias, já que muita coisa importante passa em branco.

Em minha defesa, pese que isto aqui começou como uma distração, num momento em que me vi longe da família e dos amigos. Foi ficando sério aos poucos – e na medida exata em que os leitores chegavam até aqui para, com críticas ou elogios, valorizar o que eu fazia. Desde então, digo a mim mesma que “o blog não é uma obrigação”. Mas, devo admitir: faz tempo que isto não passa de uma mentira. Me sinto mal, em dívida com os leitores, quando as muitas obrigações extra-blog me impedem de postar.

Numa coisa, porém, os que me cobram maior coerência para com o sistema que defendo estão certos: eu não tenho qualquer talento comercial . É claro que eu adoraria que isto aqui me garantisse alguma renda – no mínimo porque eu poderia me dedicar mais tranquilamente a uma atividade que ocupa boa parte do meu tempo e me traz muita satisfação. Mas eu sou aquela menina que voltava com o talão de rifa da escola pela metade, sabem como? Tudo indica que, se depender dos meus talentos, este blog vai seguir sendo um sucesso de público e um estrondoso fracasso financeiro.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Mentiras sinceras

Uma das razões para que Lula tenha se tornado praticamente imbatível nas urnas é o seu pleno domínio de um discurso que agrada à grande maioria dos eleitores. Pouco importa se o presidente emite discursos cuidadosamente redigidos ou se fala de improviso. Qualquer que seja o caso, ele está sempre em vantagem numérica: fala à maioria. E, obviedade máxima que vale a pena repetir aqui, para se eleger, um político só precisa falar à maioria.

O Lula que pinga colírio no nariz, que usa de metáforas rasteiras – futebolísticas, familiares, sexuais – à exaustão, não se preocupa com a sensação de vexame que tais declarações provocam nos letrados e esclarecidos em geral. Eles – os que dominam os rudimentos da política – não lhe interessam. Deles e de suas reclamações se ocupam companheiros como Ricardo Berzoini ou Marco Aurélio Garcia, mediante táticas igualmente simplórias, que podem ser resumidas naquela persistente acusação de “golpismo”.

É justamente este duplo movimento que se verifica nos discursos emitidos ontem, por ocasião da posse de Nelson Jobim.

O medo de avião é um sentimento comum, passível de ser encontrado em todas as camadas sociais. Mas é inegável que seja mais corriqueiro entre pessoas humildes, que jamais voaram para poder enfrentá-lo. Basta conversar com elas para saber que raramente a possibilidade de embarcar em um avião as encanta. No geral, tal possibilidade é vista com absoluto pavor. Logo, quando declara “Sou um medroso de andar de avião“, o presidente está, mais uma vez, falando com quem de fato lhe interessa – e não com os familiares das vítimas ou com os usuários da aviação.

Se para nós tal declaração é motivo de escárnio, para Lula ela cumpre uma função muito específica: neutralizar as acusações de incompetência com uma declaração de humanidade que não só o identifica, mais uma vez, com o sentimento das massas, mas que também carrega, subliminarmente, a idéia de uma falibilidade que deve ser perdoada. É quase como se Lula dissesse: “não consigo resolver a crise aérea porque tenho medo de avião”. Não cola. Para nós. Para quem garante os seus votos, porém, este tipo de argumentação tem se mostrado um sucesso.

Em coerência com o que vai no segundo parágrafo, temos a entrevista concedida por Valdir Pires, ontem, para o Terra Magazine: “Presidente, há uma sanha para atingi-lo. Novamente se movem para atingir o senhor e seu governo, é a mesma sanha de sempre, e desta vez me usam para este fim”, teria dito o demissionário ministro a Lula. Perguntado sobre o que lhe preocupa, foi enfático: “Com essa eleição que não querem terminar nunca, com essa sanha que retorna a cada episódio, ainda que sob o disfarce de crítica a isso ou àquilo, ainda que sob o disfarce das boas intenções. Deixo o ministério honrado, mas me preocupa essa insânia que não aceita a decisão do povo, que não respeita de verdade as instituições democráticas.”

É um ato falho, bem o sabemos. Qualificar como “golpismo” as críticas recebidas denuncia o quanto os petistas não estão familiarizados com os rudimentos da democracia. Ainda assim, é a única resposta, o único discurso que eles conseguem dirigir aos que são o suficientemente esclarecidos para lhes cobrar tanta incompetência, desmando e corrupção.

No frigir dos ovos, nada se explica e tudo de justifica. Ao longo de quatro anos e meio de mandato, Lula e seu PT jamais deram qualquer resposta satisfatória para os inúmeros escândalos em que se envolveram. Ainda assim, seguem intocados porque conseguem construir “mentiras sinceras”. Aos que interessam, eles respondem com uma identificação mentirosa, já que há muito Lula deixou de ser um homem do povo – mas extremamente sincera porque expõe a preocupação exclusiva com a camada social que lhes garante votos. Aos que não interessam, respondem com uma acusação mentirosa – absolutamente sincera, porém, na medida em que expõe a incapacidade deste governo para lidar com a demoracia.