Podem me chamar de masoquista… Mas fiz questão de assistir aos depoimentos de Gedimar Passos e Hamilton Lacerda à CPI dos Sanguessugas – que a TV Senado, não tendo transmitido ao vivo, o fez nesta madrugada.
O resultado vocês já viram na imprensa: aqueles R$ 1,7 milhão, de cuja origem fomos convidados pela própria polícia federal a abdicarmos, surgiram por geração espontânea nos apartamentos do hotel Ibis.
Nenhuma novidade. Tudo foi, no final das contas, a confirmação daquela herança maldita que, tantas vezes apontamos aqui, será o maior legado da era Lula à nação: a mentira deslavada, os eternos “me dou ao direito de não responder”, a desmedida cara de pau na apresentação de versões inverossímeis – o pacote todo, enfim, inaugurado por Marcos Valério e aprimorado por cada petista que sentou-se diante de uma CPI.
Desta vez, porém, os depoentes enfrentaram uma inquirição mais arguta. Por um lado, os parlamentares parecem ter adquirido alguma experiência com o comportamento petista e com a própria mecânica das CPIs. O número de congressitas inquirindo reduziu sensivelmente e as características pessoais daqueles que se apresentaram para a tarefa formou um conjunto interessante. Tivesse a perspicácia e objetividade de Carlos Sampaio, a agressividade de Arnaldo Faria de Sá e a experiência de Fernando Gabeira encontrado pela frente petistas menos petistas, talvez a verdade viesse a tona.
Aliás, o fato de ter sido Fernando Gabeira a inquirir prioritariamente evidenciou, como nunca, o método. Gabeira, como se sabe, conhece as entranhas do petismo – principalmente, as experiências clandestinas nas quais se formou esta esquerda nacional que hoje ocupa o poder. E o deputado não se furtou a fazer uso deste know-how para tentar obter a verdade. Em alguns momentos – principalmente durante o depoimento de Gedimar Passos – ficou absolutamente claro que os petistas utilizam nas CPIs os métodos que Dilma, Dirceu e companheiros utilizavam nos interrogatórios do DOPS: cria-se uma “moldura”, uma versão fantasiosa, e repete-se a coisa à exaustão – não importanto o quanto ela é ou não plausível.
Ponto, pois, para Fernando Gabeira, um Engov para mim e um minuto de silêncio para o Brasil, que recebe do lulo-petismo, como herança maior, a total falta de vergonha na cara.
Mais tarde eu volto para falar não de um, mas de dois casos de tortura.