Arquivo de novembro de 2006

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

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Senador José Agripino Maia – Recife, agosto de 2006.

Foto: Orlando Brito

Eis o homem.

Oposição que é oposição, vota nele e apoia sua candidatura.

Afinal de contas, o que é que há de tão interessante na tal Mesa Diretora para que uns e outros pensem em abrir mão de lutar para que a presidência do Senado fique com a oposição?

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Tricô

Da coluna de Mônica Bergamo para a Folha de S. Paulo de hoje:

A primeira-dama Marisa Letícia escureceu o cabelo. Ela passou pelo salão do cabeleireiro Wanderley Nunes, na semana passada, e decidiu, segundo ele, “sair do loiro”.

“Muita gente dizia que ela estava parecida com a Marta Suplicy”, explica Wanderley, que deixou as madeixas da primeira-dama em “tom mel, à la Catherine Deneuve”.

Um doce para quem adivinhar porque andavam achando dona Marisa e Marta parecidas.

Outro doce para quem adivinhar porque a semelhança não agradou à primeira dama.

Um lexotan para Catherine Deneuve.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Dois casos de tortura.

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Sim, é isso mesmo que vocês estão pensando: este blog começou a explorar uma nova fronteira. Rompeu a barreira do silêncio para dar voz, literalmente, a algumas opiniões.

Não sei qual será a regularidade da coisa. Por enquanto, sai quando der.

Sei que vocês já dominam as ferramentas básicas de internet, mas não custa nada lembrar: para ouvir “Dois casos de tortura”, clique no botãozinho do player.

Tomates, ovos e outras manifestações de revolta poderão ser entregues na área de comentários ou por e-mail.

(Atualização: o player é bonitinho, mas não está funcionando para todos os navegadores. Quem estiver com dificuldades pode ouvir clicando aqui: Dois casos de tortura)

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

O lulo-petismo e sua herança maldita

Podem me chamar de masoquista… Mas fiz questão de assistir aos depoimentos de Gedimar Passos e Hamilton Lacerda à CPI dos Sanguessugas – que a TV Senado, não tendo transmitido ao vivo, o fez nesta madrugada.

O resultado vocês já viram na imprensa: aqueles R$ 1,7 milhão, de cuja origem fomos convidados pela própria polícia federal a abdicarmos, surgiram por geração espontânea nos apartamentos do hotel Ibis.

Nenhuma novidade. Tudo foi, no final das contas, a confirmação daquela herança maldita que, tantas vezes apontamos aqui, será o maior legado da era Lula à nação: a mentira deslavada, os eternos “me dou ao direito de não responder”, a desmedida cara de pau na apresentação de versões inverossímeis – o pacote todo, enfim, inaugurado por Marcos Valério e aprimorado por cada petista que sentou-se diante de uma CPI.

Desta vez, porém, os depoentes enfrentaram uma inquirição mais arguta. Por um lado, os parlamentares parecem ter adquirido alguma experiência com o comportamento petista e com a própria mecânica das CPIs. O número de congressitas inquirindo reduziu sensivelmente e as características pessoais daqueles que se apresentaram para a tarefa formou um conjunto interessante. Tivesse a perspicácia e objetividade de Carlos Sampaio, a agressividade de Arnaldo Faria de Sá e a experiência de Fernando Gabeira encontrado pela frente petistas menos petistas, talvez a verdade viesse a tona.

Aliás, o fato de ter sido Fernando Gabeira a inquirir prioritariamente evidenciou, como nunca, o método. Gabeira, como se sabe, conhece as entranhas do petismo – principalmente, as experiências clandestinas nas quais se formou esta esquerda nacional que hoje ocupa o poder. E o deputado não se furtou a fazer uso deste know-how para tentar obter a verdade. Em alguns momentos – principalmente durante o depoimento de Gedimar Passos – ficou absolutamente claro que os petistas utilizam nas CPIs os métodos que Dilma, Dirceu e companheiros utilizavam nos interrogatórios do DOPS: cria-se uma “moldura”, uma versão fantasiosa, e repete-se a coisa à exaustão – não importanto o quanto ela é ou não plausível.

Ponto, pois, para Fernando Gabeira, um Engov para mim e um minuto de silêncio para o Brasil, que recebe do lulo-petismo, como herança maior, a total falta de vergonha na cara.

Mais tarde eu volto para falar não de um, mas de dois casos de tortura.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Jogo de cena

Há pouco, na abertura do depoimento de Gedimar Passos à CPI dos sanguessugas. Ideli Salvatti pediu para sentar-se à cadeira dos depoentes.

Uma vez ali, a senadora tentou defender-se das acusações surgidas a partir da revelação de que teria participado da reunião ocorrida, em 4 de setembro último, no gabinete de Aloizio Mercadante, com Expedito Veloso e Oswaldo Bargas.

Tudo o que fez, porém, foi repassar à CPI as matérias da imprensa que trataram do fato – alegando que o mesmo sempre foi de conhecimento público – e colocar-se à disposição daquela comissão para explicar-se. O motivo pelo qual não aproveitou a ocasião para explicar-se logo é mistério a ser arquivado junto com aquele da Kombi.

Para ouvir o pronunciamento da senadora, clique aqui.

Na seqüência, Fernando Gabeira contestou a senadora. Clique aqui para ouvir.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Uma certeza por dia

Da coluna Painel, na Folha de S. Paulo de hoje:

” Eduardo Paes consultou Aécio e Serra antes de aceitar a Secretaria de Esporte do Rio. Mas sua adesão a Sérgio Cabral não foi bem recebida pelos tucanos locais, para os quais o candidato derrotado ao governo se lançou em vôo solo, de olho na disputa pela prefeitura em 2008.”

Dia desses, vi um anúncio classificado interessante: ” Doa-se duas traíras criadas em aquário. Motivo: estão colocando em risco o aquário.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Deixa o filho faturar?

Finalmente, aparece o contrato que permite a Lulinha, o fenômeno, faturar – e bem – com verbas de propaganda do Governo federal. A Secom – Subsecretaria de Comunicação Institucional – diz que não tem nada de mais. Aqui e aqui.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Quebrem tudo

Estava o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), na tribuna, discursando a respeito da CPI dos Sanguessugas e da necessidade de se quebrar o sigilo bancário e telefônico de parlamentares suspeitos de envolvimento com os Vedoin. Lá pelas, tantas, o senador entusiasmou-se :

Por que este farisaísmo de quem escolheu a vida pública ter direito a sigilos? O homem público não deve ter direito e sigilos! Ao ser público, ele já fez a opção pela vida pública.”

Em seguida, aparteado pelo Senador Antônio Carlos Magalhães, Antero Paes travou com ele o seguinte diálogo:

Antônio Carlos Magalhães: “V. Ex.ª tem absoluta razão. E há um projeto meu, há muito tempo, que toda a pessoa que entra na CPI tem que abrir o seu sigilo. Assim nós teremos CPIs sérias. E mais ainda: todo o parlamentar que for para a CPI tem que abrir o seu sigilo. Bem como, todos os membros da comissão de orçamento. Isto deveria ser uma coisa clara, objetiva no Congresso Nacional – e nós temos que estar realmente tratando deste assunto com muita propriedade. Mas dou esta contribuição para ver se a mesa faz andar este projeto.

Antero Paes: “Eu agradeço a contribuição de V. Ex.ª. Eu acho que é uma necessidade que isto ocorra. Mas tão necessário quanto isto será, na minha avaliação pessoal, o fim do sigilo bancário, telefônico e fiscal de todos os integrantes do parlamento brasileiro.”

A idéia é ótima. E quem tem uma memória razoável vai lembrar que ela foi proposta aqui no blog, no início do mês.

Que sejam quebrados pois, todos os sigilos. Seria uma chance única de moralizar de vez, com uma só lei, o quadro político nacional.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Vai que é tua, Zé.

Gosto do senador José Agripino Maia.

Muito me agradam a fluência, a perspicácia e o bom português dos seus pronunciamentos. Melhor ainda, é que tais faculdades têm estado a serviço de uma oposição contundente, que não se cala diante dos desmandos do atual governo. Também não me chegaram notícias de que, em meio a esta crise, o líder do PFL no Senado tenha se furtado a fazer críticas a qualquer governista por conta de acordinhos escusos.

É por isso que este blog apoia a candidatura de Zé Agripino para a presidência do Senado.

Segundo li na imprensa, há chances. A banda boa do PMDB – leia-se, os que não traem seu papel de oposição em nome de cargos – promete apoiar a candidatura de Agripino, desde que o PSDB não corra da briga.

Vai daí que, além de mandar e-mail a todos os senadores da oposição pedindo apoio à candidatura do líder do PFL, faço, também, uma pergunta pública aos tucanos: em nome de quê, criaturas, vocês apoiaram a permanência de Renan Calheiros na presidência daquela casa?

domingo, 26 de novembro de 2006

As intenções revelam o mandante, Watson.

Segue o embróglio do dossiêgate. E, entre o corpo mole da oposição (leiam o artigo de Dora Kramer para O Estado de S. Paulo de hoje) e informações vazadas para a Folha – depois negadas – de que Polícia Federal apontaria Ricardo Berzoini como mandante, estão esquecendo uma vítima pelo caminho.

De um modo geral, todo mundo agora se refere ao “dossiê contra Serra”, esquecendo que estava em curso uma campaha presidencial – e, principalmente, que a maioria dos envolvidos fazia parte da equipe de campanha de Lula.

O tratamento corresponde à estratégia lançada pelo próprio PT logo que a coisa veio à tona – e corroborada, à época, por jornalistas amigos como Tereza Cruvinel – de que o plano fora arquitetado e executado pelo PT paulista. A fórmula, é óbvio, destinava-se a distanciar o presidente e sua campanha da aloprada realização.

Salvo engano meu, apenas Hamilton Lacerda, o homem da mala, pode ser ligado exclusivamente à campanha de Mercadante – o restante dos envolvidos, seja através dos cargos que ocupa ou, como no caso de Jorge Lorenzetti, por exercer função na campanha presidencial, podem ser ligados aos interesses de reeleição de Lula.

Ontem mesmo, em matéria exclusiva para o Blog do Noblat, Felipe Recondo revelou que dois novos nomes estão sendo investigados pela PF por envolvimento no caso: o vice-presidente do Banco do Brasil, Adézio de Almeida Lima, e o presidente do PT no Distrito Federal, deputado Chico Vigilante. Nenhum deles tinha qualquer ligação direta com a campanha do senador petista ao governo de São Paulo. Ao contrário: Vigilante estava ligado à campanha nacional e à campanha local do PT em Brasília.

Não percamos, pois, de vista: o dossiê petista foi arquitetado para atingir tanto a campanha de José Serra para o governo de São Paulo quanto a campanha de Geraldo Alckmin à presidência. O fato de que na documentação – e nas posteriores investigações realizadas pela PF e pela CPI dos Sanguessugas – não tenha aparecido nada de mais relevante contra Alckmin não deve servir para que se descarte a obviedade das intenções petistas. Ao contrário: a solução de qualquer crime passa, obviamente, por suas motivações. E aceitar que o alvo da trama foi apenas a campanha de José Serra é afastar-se cada vez mais dos reais mandantes. Elementar, meu caro Watson.