Arquivo de outubro de 2006

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Cai o primeiro (não me surpreende que seja ele)

No final da tarde de hoje, José Serra mandou beijinhos e promessas de carinho para Lula.

Declarou o governador eleito de São Paulo: “Não somos, não fomos e nem seremos adeptos do quanto pior melhor na política brasileira. Seremos oposição porque não somos iguais.”

José Serra, vamos falar francamente: você não é a pessoa mais habilitada para falar em nome da oposição. Não vi, de sua parte, qualquer empenho em apear Lula do poder. Se alguma vez você fez parte da oposição – coisa que eu duvido – acaba de capitular. Junte-se, pois, aos seus e seja feliz. Sem meu voto, fique bem claro.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Enfim, os focinhos stalinistas estão de fora

Mas o que foi que eu lhes disse hoje, às 10:43 da manhã?

Menos de 48 horas depois da reeleição de Lula , jornalistas da Veja foram intimidados pela Polícia Federal.

Leia aqui e aqui

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Vá cobrar do Lula

Ontem fui a uma gráfica expressa e mandei fazer cartões de visita para entregar sempre que alguém ou alguma entidade me abordar para pedir auxílio – ou simplesmente para reclamar da situação do país.

No cartão, estão o endereço e os telefones do Palácio do Planalto. Em destaque, no local onde normalmente vai um nome, a frase:

“Pago meus impostos em dia…Vá cobrar do Lula”

Está mais do que na hora dos brasileirinhos aprenderem que o voto depositado na urna tem conseqüências.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Ah… Como eles mostram a cara rapidinho, não?

“Eu prefiro a ditadura do que a imprensa”

(Grito sincero de um dos petistas que agrediram jornalistas ontem, no Palácio da Alvorada)

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Direto do tanque (I)

Vamos começar a lavagem da roupa suja. A coisa vai ser lenta, no tanque mesmo – e não na máquina -, que é para não deixarmos de lado qualquer manchinha.

Eu não sei quem foi. Mas tenho para mim que alguém deve ter dito a Geraldo Alckmin, tão logo ele ingressou no segundo turno, que era preciso – e possível! – crescer no Nordeste. É o que se deduz ao rever os programas eleitorais e os debates deste último mês: Geraldo Alckmin só falava no Nordeste. Somente na décima hora, quando as pesquisas já mostravam os estragos desta estratégia em regiões onde o candidato tucano fora favorito no primeiro turno, que a campanha de Alckmin lembrou de citar os responsáveis pela prorrogação do peito.

Quando o primeiro programa do segundo turno foi ao ar, eu não acreditei: nenhuma palavra de Alckmin para as regiões sul e sudeste. Nenhuma referência aos percentuais magníficos que o candidato alcançara naqueles estados. Para minha total imcompreensão, a campanha do segundo turno abriu com Geraldo brindando com propostas àqueles que lhe haviam virado as costas e esquecendo-se, por completo, de ao menos mencionar seus recém conquistados redutos eleitorais. Que bajulassem o Nordeste à vontade, se isto lhes parecia imperativo. Mas que não deixassem o flanco aberto onde haviam se saído bem.

O estapafúrdio da estratégia anunciou-se naquela mesma primeira noite do segundo turno, quando a campanha de Lula ignorou os números para declarar, descaradamente: “o Rio grande Sul disse sim a Lula; Santa Catarina disse sim a Lula; o Paraná disse sim a Lula; São Paulo disse sim a Lula” e por aí a fora… Semanas se passaram e fiquei esperando, em vão, que alguém se apresentasse para desmentir.

Não, eu não imaginava um discurso separatista ou algo do gênero. Também não estou desfazendo o Nordeste. Mas numa campanha política deve-se trabalhar com a realidade. E a realidade é que Lula dificilmente perderia pontos no Nordeste. Eu juro que esperava, da parte de políticos tão experientes, o cumprimento de uma estratégia simplória, presente em qualquer manualeco de guerra: é preciso fortalecer a vigilância em territórios já conquistados, antes de aventurar-se pelos domínios inimigos. Principalmente quando o território inimigo é praticamente um caso perdido.

Logo, de onde tiraram a idéia de que Geraldo Alckmin poderia crescer no Nordeste – logo lá, onde Lula reina ! – é uma das muitas perguntas que deve ser respondidas a respeito desta campanha.

Os resultados de tão “genial” estratégia estão aí para quem quiser ver: somada ao terrorismo das privatizações promovido pelo PT, ela provocou a queda do candidato tucano em estados que se haviam apresentado como redutos alckmistas no primeiro turno. E tal queda não foi – como poderia prever qualquer criancinha de dez anos – compensada por um crescimento no Nordeste.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

E as pesquisas?

Quebrei a cara com as pesquisas. No segundo turno, fique bem claro. Porque no primeiro, foram elas que quebraram a cara.

No primeiro turno, as pesquisas publicadas erraram ao longo de quinze dias, dando vitória para Lula já em 1º de outubro. Mostravam, é certo, como querem alguns, uma “tendência de subida”. Mas vaticinavam que a coisa se resolveria no primeiro turno, sim senhores, só se retratando na boca de urna. Na ocasião, perderam feio para o tracking telefônico, que avisava empate técnico uma quinzena antes das eleições. Por este motivo perguntei, à época: que raios de distorção é essa do tracking que consegue acertar mais do que as pesquisas que utilizam as metodologias convencionais?

Ora, vejam que interessante: no segundo turno, o mesmo tracking, feito pelos mesmos institutos, errou feio. E as pesquisas convencionais acertaram na mosca. Pelo tracking, a diferença entre Lula e Alckmin ficaria entre 7 e 10 pontos percentuais. Eis que a tal distorção da ferramenta, que praticamente não se fizera sentir no primeiro turno, mostrou agora todo o seu poder.

Pois eu gostaria que algum especialista viesse aqui nos explicar: porque as tão faladas distorções do tracking se apresentaram apenas no segundo turno?

É que estou tentando a colocar-me no lugar de um político que, diante de um novo pleito eleitoral, tivesse que decidir-se por contratar ou não o tracking telefônico. O que eu ouviria? Que o tracking é confiável, embora distorça, mas que, em algumas ocasiões, ele consegue ser mais confiável do que as pesquisas convencionais – estas também, totalmente confiáveis, embora, em algumas ocasiões sejam suplantadas por uma ocasional precisão do tracking?

Hum….pensando bem, é melhor colocar-me no lugar de alguém que venda trackings e pesquisas convencionais. Além de lucrativa, esta posição está me parecendo espantosamente mais cômoda.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Um recado

Entre a governabilidade e o caos, eu fico com a vergonha na cara.

Qualquer um que capitule será considerado inimigo.

Não serei misericordiosa.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

De Ana Terra a Yeda

Como bem ensina a nossa história, construída sobre os pilares das grandes migrações, não é preciso nascer no Rio Grande para ser gaúcho. Para ser gaúcho, é preciso ser tocado pelo vento Minuano e deitar o olhar nestes horizontes sem fim dos nossos pampas. É preciso sentir o coração apertar com o incomparável azul do nosso céu e desenhar segredos em janelas embaçadas pelo frio.

Nada disso lhe faltou, dona Yeda.

Hoje, nas páginas sempre vivas de Érico Veríssimo, Ana Terra e Bibiana abrem os braços para receber uma nova guerreira tornada história: Yeda Crusius, primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul.

domingo, 29 de outubro de 2006

Três anos e oito meses depois.

Este blog nasceu em 5 de março de 2003. E nasceu para ser um espaço de discussão política e resistência, num momento em que os blogs dedicados exclusivamente a política praticamente inexistiam.

Na época, a idéia de “resistência” ao governo Lula parecia exagerada. Ao longo de 2003, o que tínhamos eram os silêncios do governo Lula em relação aos desmandos ditatoriais de Fidel Castro e as constantes demonstrações de ignorância do nosso mandatário. Foi só em outubro daquele ano que surgiu um primeiro e pequeno escândalo: Benedita da Silva viajou por conta do governo para um encontro religioso na Argentina.

Mas logo as causas para a resistência começaram a se apresentar de forma mais clara. Em fevereiro de 2004, veio à tona o escândalo de Waldomiro Diniz. Em maio do mesmo ano, a tentativa de expulsar o correspondente do New York Times, que ousara comentar os hábitos etílicos do presidente, demonstrou que tendências pouco democráticas se haviam apossado do Palácio do Planalto – e, o que era pior, estavam ganhando adeptos na oposição. Em agosto, os arroubos totalitários ganharam forma na tentativa de fundar um “conselho de jornalismo”. E como se a proposta, por si só, não fosse suficientemente descarada, o presidente ainda deu-se ao direito de se irritar com a reação negativa da sociedade.

Até então, os números deste blog eram modestos. Mas havia leitores e comentários – é bom que se diga, já que os comentários antigos foram perdidos quando mudamos do nosso endereço inicial no Blogger para este acolhedor cantinho do Apostos. Só que o grande salto de visitação se deu, em maio de 2005, por obra e graça da crise do mensalão. Foi a partir de então que o tímido número de 50 visitantes por dia não parou mais de aumentar: hoje, a visitação deste blog oscila entre 900 a 1.200 visitas por dia – durante este período eleitoral, chegamos registrar 1.635 visitas em um só dia. É muito para um blog que não conta com mais do que a força de seus próprios leitores para ser divulgado.

Nestes três anos e oito meses, acumulamos 771 posts e 11.043 comentários de resistência ao petismo e a todos os seus males. Acumulamos, também, novos amigos, novas experiências e alguns fracassos. Fracassos como o de hoje, que nos mostram que, embora tenhamos nos empenhado muito, ainda não falamos alto o suficiente para sermos ouvidos. E é bom termos consciência de que um fracasso como o desta noite só vale a pena se aprendermos com ele. E mais: um fracasso como o desta noite, não ocorre sem que existam culpados. Estejam certos de que este blog tomará satisfações a cada um deles.

Mas acumulamos também sucessos. Zé Dirceu foi cassado, Palocci demitiu-se e o PT troca de presidente como uma adolescente troca de roupa. Também é verdade que, se este blog nasceu quando blogs dedicados exclusivamente à política praticamente inexistiam, hoje a blogsfera está coalhada deles.

Este blog nasceu em 5 de março de 2003. E nasceu para ser um espaço de discussão política e de resistência ao petismo. E é assim que ele continuará. Sem rabo preso, sem panos quentes e, principalmente, sem pactos com a governabilidade- ou qualquer outro tipo de acordão com nome bonito, que sirva de maquiagem para as ambições pessoais de uns e outros.

Finalmente, lembrem-se de que este país levou trinta anos para se ver livre de uma ditadura, que eu sou Nariz Gelado e que é preciso bem mais do que uma eleição para me derrubar.

domingo, 29 de outubro de 2006

Depois do dever cumprido

O dia aqui está lindo. Então, entre o banho de sol e o almoço, fui votar. Votação rápida, sem filas – o índice escolar aqui é alto, ou seja: nada de semi-analfabetos atravancando o processo democrático.

Agora estou dando uma olhadinha nos jornais. Mas já fiquei sabendo que José Dirceu teve o que merece e que Cristóvam Buarque declarou seu voto em Geraldo Alckmin.

Sinceramente, senador: estou até preferindo as duas caras de José Dirceu do que as suas três. Se não teve coragem para peitar o partido e declarar este voto quando isto ainda servia para alguma coisa, seria melhor que o senhor se calasse. Mas não… O senhor agora quer garantir um lugarzinho de destaque na oposição, não é mesmo? Pois eu tenho uma sugestão muito boa, e nada educada, a respeito de onde o senhor deveria depositar este seu voto.