Arquivo de julho de 2006

segunda-feira, 31 de julho de 2006

O tom da campanha

Duas notícias do final de semana me fazem concluir que o PT está de marketeiro novo.

José Genoino – aquele que assinou os empréstimos com Marcos Valério sem ler e sem jamais ter ouvido falar do Careca – retorna das sombras para dizer que o governo Lula está enfrentando uma guerra armada por determinados setores da mídia.

Já o presidente, discursando em Florianópolis neste final de semana, referiu-se diversas vezes ao “ódio” dos adversários à sua gestão, pedindo aos petistas que levantem a cabeça e reajam aos “desaforados” da oposição – oposição esta que, na análise do presidente, estaria desesperada.

Conclui-se, pois, que aconteceu o improvável: João Santana foi substituído por Marilena Chaui.

Daqui para frente, a campanha petista será um mar de lágrimas e silêncios. As lágrimas já são um hábito. Os silêncios, fique bem claro, é só para quando alguém lhes exigir explicações de cunho ético.

sábado, 29 de julho de 2006

Ele sabe

E na coluna Radar da Veja lemos:

“Lula impôs uma condição para participar de entrevistas ao vivo em TV e rádio: só pode ser feita uma pergunta sobre casos de corrupção em seu governo. E, mesmo assim, tem de ser genérica, sem citar o nome de companheiros petistas envolvidos em escândalos. Até agora todas as emissoras aceitaram a restrição”.

Desde que assumiu a presidência, Lula só falou com a imprensa sob condições. O presidente – que, quando viu-se contrariado em sua tentativa de aprovar aquele famigerado “Conselho” chamou aos jornalistas de covardes – conhece suas próprias fraquezas. Se não é possível afirmar que ele sabia do que se passava no tal núcleo duro de seu governo, nao há dúvidas de que ele sabe muito bem onde o sapato aperta.

Lula está, portanto, na dele. Evita fornecer munição aos inimigos.

É a imprensa que, ao aceitar tantas condições, está fazendo corpo mole. E não é de hoje.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Dos vícios

Da coluna Painel na Folha de São Paulo de hoje:

Em obras. Segundo piada que circula em Brasília, Lula inaugurou mais uma obra inacabada. Ontem, no QG de sua campanha, os telefones não funcionavam, houve pequenos “apagões” e pintores de paredes ainda dividiam espaço com os funcionários.

Este governo tem mesmo uma disposição natural – ou uma tendência específica, como queiram – para fazer grandes estardalhaços e incensar coisas absolutamente corriqueiras ou que não funcionam bem. De um modo geral, Lula sempre fala de si e de seu governo como únicos e exclusivos – e não raro justifica tal exclusividade remetendo-se a era cabralina.

Dentre as coisas não mereceriam destaque, posto que são uma continuidade de programas do governo FHC, temos a política econômica e o Bolsa Família – na verdade, este último é apenas a reunião, sob um mesmo guarda-chuva, de vários programas sociais implantados no governo anterior. Dentre os fiascos – que, a exemplo da inauguração do QG de campanha em Brasília ou das inúmeras inaugurações de “pedras fundamentais”, jamais deveriam ser incensados – temos o Fome Zero.

Ou seja: um dos maiores vícios deste governo é alardear virtudes inexistentes.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Agora ele não quer falar

Aconteceu o esperado: Lula não vai aos debates – pelo menos, não aos debates do primeiro turno.

Ele está, vocês me dirão, usando do mesmo direito já utilizado por Fernando Henrique Cardoso.

Verdade.

Acontece que eu fiquei me lembrando daqueles programas durante a campanha de 2002, quando um Lula sorridente – todo “paz e amor” – foi colocado no centro de um auditório, respondendo perguntas e debatendo os principais pontos de seu suposto programa programa de governo – uma fantasia, claro – com “pessoas do povo”.

Há, sem dúvida alguma, uma diferença muito grande entre aquele Lula by Duda e este outro, que assumiu em janeiro de 2003, e com o qual temos convivido. Este relutou durante todo o seu governo em dar entrevistas coletivas. Também só aceitou ir ao Roda Viva mediante a transformação do programa em Roda Morta.

Sei não…Eu acho que os eleitores de Lula vão estranhar esta mudança. “Cadê o falastrão?”, perguntarão eles.

“Acovardou-se” será a resposta da oposição.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

mala.jpg

Não fui raptada, nem o blog foi atacado pela petralha, nem o Pomar me enquadrou.

Ocorre que nas próximas 24 horas estarei viajando.

Não sei como irão funcionar minhas conexões – o que significa admitir que só Deus sabe quando eu poderei postar ou liberar comentários.

Comportem-se na minha ausência.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Os números do Jornal Nacional

A pesquisa IBOPE, de acordo com o Jornal Nacional:

Lula – cai de 48% para 44%

Geraldo Alckmin – sobe de 19% para 27%

Heloisa Helena (PSol) – sobe de 6% para 8%

Cristovam Buarque (PDT) – 1%

José Maria Eymael (PSDC) – 1%

Brancos e Nulos – 9%

Indecisos – 9%

O IBOPE diz que é tecnicamente inviável comparar pesquisa divulgada hoje com a anterior porque houve redefinição das candidaturas.

Bobagem. O fato é que Lula cai e Alckmin sobe.

Já é tendência.

Daqui para frente, só vai.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Segundo turno

A serem confirmados, agora à noite, os números da pesquisa IBOPE antecipados por Ricardo Noblat, o segundo turno já está garantido.

Acompanhem:

Lula – cai de 48% para 41%

Geraldo Alckmin – sobe de 19% para 30%

Heloisa Helena – sobe de 6% para 10%

Como é provável que os demais candidatos tenha subido um pouco também, já podemos considerar o segundo turno.

A notícia melhor, porém, quem recebeu mesmo foi Geraldo Alckmin. José Serra, na eleição anterior, a esta altura da campanha, tinha cerca de 22%.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Fogo amigo

Quem lê a sabatina da Folha com Eduardo Suplicy não tem a menor dúvida de que o PT vai dar nota zero para o senador. É que na tentativa de se descolar dos escândalos que envolvem seu partido, Suplicy acaba fazendo aquilo que nem Roberto Jefferson, no auge fenomênico daqueles instintos primitivos, arriscou fazer: comprometer o presidente Lula.

Lá está o senador- assim, sabem, com aquele jeitinho de sempre? – dizendo que o Lula sabia do mensalão. A única dúvida de Eduardo Suplicy diz respeito ao quanto Lula sabia: “Qual o grau de extensão que ele sabia é justamente isso que eu gostaria e ele pudesse nos transmitir, e da forma mais aberta e transparente“, diz o pai do Supla.

E tem mais: o senador quer o presidente Lula fale francamente sobre a questão da Gamecorp e acha que as explicações fornecidas por José Dirceu – e, de um modo geral, pelos petistas envolvidos naquela denúncia do Procurador Geral da República – carecem de esclarecimento.

Agora é só esperar até o final do dia, para ver qual será a declaração pouco amistosa que Ricardo Berzoini vai disparar contra Suplicy – o atual presidente do PT tem sido mordaz ao censurar publicamente petistas que se dedicam a um fogo amigo.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Disparado o primeiro tiro naquela “guerra suja”

Se você já recebeu o IOMC – o boletim do ex-blog de Cesar Maia – de hoje, deve ter se dado conta de que o sistema do prefeito foi invadido por hackers. É o que se conclui já que a edição de hoje chega repleta de denúncias contra o próprio Maia.

Não sou fã de carteirinha do Cesar Maia e seu boletim. Também não sei se as denúncias que aparecem na edição de hoje devem ou não receber algum crédito. Mas não é por isso que vou compacturar com ações criminosas que incluem invasão de servidor e roubo de cadastro.

Ao que parece, quem realizou tal façanha está levemente desinformado. Nossas delegacias especializadas em cyber-crimes estão mais bem preparadas do que muita gente imagina.

O fato é que aquela prometida “guerra suja” acaba de sair da esfera das ameaças para tornar-se lamentavelmente concreta.

Tentem adivinhar de onde veio o primeiro tiro.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Marcola não gosta de Geraldo Alckmin

Mais um motivo para eu gostar de Alckmin: Marcola não gosta dele.

Pelo menos é o que se deduz quando se lê a matéria de Luciana Nunes Leal para o Estadão de hoje.

Luciana se debruçou sobre o depoimento que o bandido Marcos Camacho, acusado de ser a liderança máxima do PCC, prestou à CPI do Tráfico de Armas, no dia 8 de junho último.

Durante o depoimento, Marcola deixou muito claro que está em eterna mágoa com o ex-governador de São Paulo, agora candidato a presidente. Motivo: Alckmin jamais se sujeitou a tratar Marcos Camacho e sua gangue à pão-de-ló. Ao contrário: tratou-os como criminosos – que é o que eles são.

A esta altura, estou quase arriscando um drummondiano. Vocês sabem:

Para a quadrilha

NG odiava Marcola, que odiava Alckmin,

que não odiava ninguém.

NG foi vingar-se nas urnas, Marcola mofou na cadeia,

Alckmin se elegeu presidente

e agora vai entrar para a história.

Ps: ficou horrível, eu sei. Mas vocês é que insistem em vir aqui.

Ps do Ps.: Faz tempo que este depoimento de Marcola está disponível na web. Clique aqui.