Arquivo de maio de 2006

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Parque industrial.

Da coluna Painel, na Folha de São Paulo de hoje:

“Chega esta semana a 360 mil domicílios a “Revista do Brasil”, bancada por dezenas sindicatos, entre eles o dos Metalúrgicos do ABC. A publicação, mensal, pretende dar as notícias sob a ótica do trabalhador“.

A depender dos anunciantes desta revista, deveremos considerar que não se trata mais da “máquina” a serviço da reeleição – mas de um parque industrial inteiro.

terça-feira, 30 de maio de 2006

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Pouco importa que você seja uma Gisele Bündchen.

Nos próximos dias, ele só vai ter olhos para uma gorda sardenta, que rola de homem em homem e adora ser tratada a pontapés.

Conforme-se, minha filha. E, diante de situação tão lugar comum, apele: cartão de crédito e shopping center.

terça-feira, 30 de maio de 2006

O homem que virou sonífero.

Bob não é mas o mesmo.

O terno bem cortado e a gravata lilás deram lugar a um jaquetão marrom que não lhe cai bem.

O cabelo, outrora alinhadíssimo, está sem corte.

E o olhar? Este não deixa dúvidas de que o mais primitivo dos instintos – o da sobrevivência – acabou vencendo a todos os outros.

Não sei se ele cantou ou não no final da entrevista. E aqui vai o mais melancólico de tudo: não sei por que dormi antes que terminasse o programa.

Sim…O homem que acordou o Brasil à bordoadas acaba de virar sonífero.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Teimosia

Sei que estamos às vésperas da Copa, que Lula está liderando, com folga, todas as pesquisas e que o PCC faz e acontece. Ainda assim, eu insisto em perguntar:

Quem quebrou o sigilo do caseiro Francenildo?

Mais do que isso: porque a imprensa simplesmente abandonou o assunto?

Onde estão, afinal de contas, os jornalistas indignados que não pararam de cobrar uma solução para o caso? Desanimaram tão logo o sigilo do Nildo deixou de vender jornais e revistas?

É admissível que um caso que provocou a demissão do Ministro da Fazenda fique sem solução? É aceitável que todos esqueçam o assunto, fazendo de conta que ele nunca existiu?

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Lembo again

Mais nova estrela da esquerda nacional, Cláudio Lembo ataca outra vez.

Ao ver as cenas gravadas no presídio de Presidente Bernardes, o atual governador de São Paulo disse que quer investigar como as imagens foram feitas. Disse, também, que se sentiu orgulhoso com os agentes penitenciários, já que eles se mostraram “finos”.

Ele tem razão.

O máximo da finesse foi a negociação para que um dos presos, que se encontrava algemado, p-e-r-m-i-t-i-s-s-e que os agentes entrassem em sua cela.

domingo, 28 de maio de 2006

Bad monkeys

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Há um filme classe B chamado, aqui no Brasil, “Anjos Rebeldes” cujo único mérito, na minha opinião, é trazer uma caracterização inusitada do arcanjo Gabriel. Lindamente interpretado por Christopher Walken, este Gabriel é de uma maldade só.

O fato é que tornou-se uma espécie de cult movie, chegando a gerar duas seqüências. Não assisti à terceira. Mas corri para ver a segunda tão logo saiu pelo mero prazer de assistir ao Gabriel de Walken chamar aos humanos de “bad monkeys.” Isso e a forma displiscente como ele ateava fogo em tudo simplesmente mandando um beijo. De tal forma me fascinaram as duas coisas que até hoje, quando encontro acidentalmente o filme na TV, paro para assistir.

Pois lembrei do filme e da exímia performance do Christopher Walken ao passar pelo blog do Aluízio hoje cedo. Alí encontrei um link para um vídeo muito, mais muito interessante. Clique aqui. Prometo que você não vai se arrepender.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Rodriguiana*

Nossa grande tragédia é que não tivemos uma grande tragédia.

*Ás vezes me ocorrem umas frases que me fazem lembrar do Nelson Rodrigues. Eu as chamo: “rodriguianas”. Passarei a postá-las quando ocorrerem. Espero que o Nelson possa perdoar a minha audácia. E vocês também.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Pirotecnia

Assistam às cenas da merecida prisão do advogado Sérgio Wesley da Cunha por descato à autoridade.

Percebam o grito, fora dos microfones, dado por algum parlamentar, enquanto o advogado estava sendo levado:

“- Aqui é assim”.

Menos, senhores parlamentares, menos.

Aí só “é assim” quando não se trata de um de vocês, certo? Aí só “é assim” quando não se trata de alguém tão poderoso quando Marcos Valério – o que nos deixa pensando que ele tem cartas na manga para todos vocês. Só “é assim”, quando não se trata dos amiguinhos do presidente Lula.

Vocês agiram bem hoje. Mas têm sido frouxos, frouxíssimos, em todas as outras ocasiões.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

O que você vai fazer nos próximos quatro meses?

Sim, as pesquisas são péssimas para quem tem consciência de que este país está em mãos erradas.

Sim, a apatia da oposição, a fragilidade das alianças e o corpo mole de boa parte do PSDB são um insulto para nós, que estamos em campanha desde o ano passado, na qualidade de “cabos eleitorais” voluntários, não remunerados, movidos apenas pela convicção política.

Os parlamentares da oposição nos insultam quando permitem que se crie um vácuo discursivo na esteira dos ataques do PCC – e quando deixam Cláudio Lembo se transformar em coordenador da campanha de Lula para o Estado de São Paulo. Nos insultam sempre que derrapam em uma CPI, redigindo requerimentos falhos ou não reunindo votos suficientes para garantir convocações importantes.

Sim, os políticos que se dizem de oposição insultam sua militância voluntária mediante uma moleza de espírito, um “deixa estar”, um vergonhoso jogo de interesses regionais que não só os fará perder a presidência mas,também, ameaça diminuir-lhes as bancadas no Congresso Nacional.

Então eu lhes pergunto: o que você, leitor e leitora, pretende fazer até outubro?

Já ouvi gente dizendo que, só de raiva, vai votar no PT de cabo a rabo. Outros prometem anular o voto. Há, ainda, os que rasgaram o título de eleitor – sim, senhores parlamentares, tem muita gente furiosa com os senhores aqui do lado de fora. E estejam certos de que, a continuar neste ritmo, em breve os senhores serão tratados com tanta consideração quanto um Zé Dirceu – com o agravante de que os seus eleitores são muito mais assíduos em aeroportos do que os dele.

Acontece que eu sou teimosa.

Digamos que eu tome como certas as opiniões da imprensa e articulistas, as evidências das pesquisas, e dê a eleição como decidida a favor de Lula. O que eu vou fazer até outubro? Choramingar feito uma garotinha contrariada?

Não sou parlamentar. Deixo esta postura para eles.

Até que o último voto seja computado, continuarei escrevendo.

Politicamente falando, não tenho nada melhor a fazer nos próximos quatro meses.

E vocês?

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Aos carecas da Jamaica, nada.

Saiu a pesquisa CNT/Sensus.

“Vinde a mim as criancinhas do Nordeste, que eu ensino a fome a receber cachê.”

(Nei Lisboa, Carecas da Jamaica)