Não sou fã de Diogo Mainardi. Gosto de algumas coisas que ele escreve e dou boas risadas lendo sua coluna. Mas aquele jeito de pivete de rua, gratuitamente malcriado, sempre chamando a tudo e a todos para a briga, é a irritante invenção de uma persona. Só isso. Nada mais do que isso.
O pivete, porém, tem o dom de, vez por outra, trazer à tona questões incômodas, que muitos prefeririam jogar para baixo do tapete. Foi o que ele fez neste final de semana.
Muito bem…Podem me chamar de inocente. Porque, enquanto tudo parecia ruir, enquanto ética e qualquer resquício dela saíam pelo esgoto, eu ainda acreditava que tínhamos uma carta na manga. Acreditava que a Imprensa – esta mesmo, que se escreve com “i” maiúsculo por não aceitar coleiras partidárias – cumpriria seu papel.
Tudo apontava para isto. Ou, pelo menos, parecia apontar já que, nos últimos dez meses, a imprensa foi pródiga em investigar, até a medula, todo e qualquer indício de corrupção.
Ocorre que não é bem assim. Não, não é.
Basta ler a última coluna de Diogo Mainardi para a Veja, que nos descobrimos diante de uma imprensa disposta a investigar tudo, sim – desde que este “tudo” não fira seus princípios corporativistas.
Diz Mainardi que, desde a semana passada, toda a imprensa sabia que os extratos bancários de Francenildo foram entregues para a Revista Época pelas mão de Marcelo Netto – assessor de imprensa de Palocci e pai de um jornalista que trabalha naquela revista.
Se isto for verdade, concluiremos que a imprensa passou uma semana inteira esperando pela Polícia Federal quando poderia ter agido como sempre agiu: poderia ter investigado por conta própria, a partir da ponta do novelo que, desta vez, era personificada por um colega de profissão. E, se preferiu não fazê-lo é porque optou, neste episódio do caseiro, por agir de forma tão condenável quanto o atual governo: trabalhando, em primeiríssimo lugar, apenas preservar os seus pares.
Se isto for verdade, significa que não nos restou nem a imprensa. Significa, em última análise, que podemos contar apenas com Diogo Mainardi. O que implica admitir: estamos fritos.