Se o segundo turno fosse hoje, Lula venceria Serra por 5 pontos percentuais. É o que diz a pesquisa da Datafolha realizada entre segunda e terça-feira desta semana.O resultado é preocupante sobretudo porque, contabilizado às pesquisas anteriores, mostra que Lula vem crescendo.
Noto que a maioria dos articulistas políticos têm associado esta ascensão do presidente com a “indecisão” do PSDB em apontar um candidato.
Discordo.
Esta recuperação de Lula é um resultado direto do péssimo desempenho da oposição nas CPIs. Próximas do fim, as comissões que deveriam apurar os escândalos do atual governo mal conseguem manipular o grande volume de informações que receberam. Passado o período circense, dos depoimentos bombásticos, ficamos todos esperando os resultados do tal “trabalho de formiguinha” que Osmar Serraglio tanto alardeou. E eles não vieram.
Os processos de cassação dos envolvidos no esquema de Marcos Valério se arrastam ao vergonhoso ritmo da Câmara dos Deputados. Para completar, a oposição articulou descaradamente a fim de salvar as cabeças de Brant e Azeredo. Não se acanhou, nem mesmo, em usar um segundo depoimento de Duda Mendonça como moeda de troca.
Agora, a mesma oposição faz corpo mole em relação à lista de Furnas: o lobista ameaça, ganha cada vez mais espaço na mídia, e ninguém tem coragem de enfrentá-lo. A Controladoria-Geral da União começa a encontrar indícios de que há problemas sérios em Furnas, mas a oposição continua se fazendo de morta.
Esta postura – condenável sob vários aspectos – já começa a mostrar o seu preço na escalada eleitoral. E ele é salgado. Na melhor das hipóteses, reforça a teoria esdrúxula de que o PT foi vítima de perseguição política. Na pior, demonstra que todos, absolutamente todos, os políticos e partidos são iguais. E qualquer uma dessas hipóteses irá beneficiar a Lula – que é, afinal de contas, quem detém a máquina governamental para alavancar votos.
Volto a dizer o que tenho dito nos últimos meses: ou a oposição promove uma limpeza em praça pública, ou Lula se reelege.
Furnas é a última chance. É pegar ou largar.