Está parecendo que as entrevistas concedidas por Fernando Henrique Cardoso – tanto à IstoÉ, quando ao Roda-Viva – tinham um objetivo claro: assinalar uma mudança de postura do PSDB em relação à crise do governo Lula.
Os primeiros resultados desta mudança de rumo já começam a aparecer: há alguns minutos, PSDB e PFL endureceram com Osmar Serraglio, conseguindo que seja votado, amanhã, o requerimento que pede a convocação do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo.
PSDB – e a oposição, de um modo geral – parecem ter entendido o recado de Cardoso: o momento não é para acordos. O momento pede coragem e transparência. Só estas duas qualidades podem garantir que a oposição chegue à campanha presidencial com um discurso coerente.
Sem papas na língua, o ex-presidente está falando o que pensa. E, pelo jeito, ele pensa que já é mais do que hora dos tucanos descerem de cima do muro no qual que se acham empoleirados desde o final do ano. Na IstoÉ ele disse o que pensa do PT. No Roda-Viva, disse o que pensa de Lula e – mais importante – do PSDB: que se apure tudo – inclusive o Azeredo.
Mas se, por um lado, FHC cobra uma postura mais rígida da oposição, por outro parece que ele chamou para si a responsabilidade de bater em Lula.
Olhando de fora, a impressão que se tem é que as tarefas para este período que antecipa a decisão a respeito do candidato tucano foram divididas: FCH fala, o partido age e os presidenciáveis se preservam.
É uma boa estratégia. Deverá ser seguida à risca.