Arquivo de janeiro de 2006

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Evitemos o circo: façamos o povo de palhaço.

Em resposta a alegação de que a CPI dos Bingos é um circo, o advogado de Paulo Okamoto arrancou do STF uma liminar que transforma todo o povo brasileiro em palhaço.

Quando, em meio aos bilhões movimentados pelo valerioduto, uma merreca de R$ 29,4 mil vira assunto do Supremo Tribunal Federal é porque o jogo acabou, meus amigos.

Eis o Fiat Elba. Eis aquele detalhe, aquele ato falho de aparente insignificância, que tem tudo para sacudir a República.

A quem eles acham que enganam?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Ossos do ofício

Deve ser terrível perder um filho em uma guerra – seja ela justa ou injusta. Mas ser convocado para o front é algo inerente à carreira militar. Morrer em combate é algo sempre presente na vida de um soldado – assim como o é na vida dos policiais.

Enfim, há profissões de alto risco – e não me parece que alguém opte por uma carreira destas sem ter plena consciência dos perigos a que estará exposto.

No caso específico do exército americano, os riscos vêm acompanhados de vantagens sedutoras – principalmente para jovens latino-americanos, filhos de famílias que chegaram ilegalmente aos EUA em busca de uma vida melhor. Cidadania americana, financiamentos facilitados para casa própria, auxílio para estudos, assistência médica e bônus por convocação, são algumas destas vantagens.

Nos próximos dias, a mídia será pródiga em chorar o brasileiro Felipe Carvalho Barbosa, que morreu no Iraque, a serviço do exército americano, no último sábado. É bem provável que ele seja, agora, guindado à categoria de símbolo nacional contra a violência da guerra. É o que a mídia sempre faz.

Até o final desta semana – utilizando-se, sem pudores, da dor familiar -, a imprensa terá construído a imagem de um inocente, que deixou-se iludir por castelos de areia.

Não sei de vocês…Mas, na minha opinião, menosprezar a inteligência de alguém não me parece ser uma boa forma de honrar sua memória.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Espero que sim

“Na quarta-feira, haverá uma reunião administrativa bem ampla, e você verá o número de coisas que nós vamos fazer.”

(Senador Delcídio Amaral, em entrevista para a Folha de São Paulo, hoje)

Eu espero ver mesmo, senador. Porque de shows pirotécnicos, acordos velados e briguinhas fictícias entre parlamentares, o povo já anda cheio.

Os prazos estão ficando, a cada dia, mais enxutos. Fazer com que as CPIs funcionem nesta reta final, caçar os evolvidos no mensalão e apurar até a última gota da lama que nos soterrou ao longo de 2005, é questão de sobrevivência para a classe política nacional.

Não há mais espaço para meio-termo: ou é isso, ou o grande campeão de votos em outubro será, como diz uma amiga minha, o “Sr. Nulo”.

sábado, 28 de janeiro de 2006

Uma ode ao egoísmo.

Um conselho: nunca, jamais, invista o melhor de você em qualquer coisa que não seja você mesmo. Pouco importa se o beneficiário é outra pessoa, o clube da esquina ou a nação inteira.

Não vale a pena. Quem planta o melhor de si pensando em outrem, acaba colhendo decepção. Isto porque a gente nunca recebe retorno na mesma medida.

E é bom esquecer aquela ladainha judaico-cristã de que “devemos dar o melhor de nós mesmos sem esperar nada em troca”. Só há três tipos de pessoas que aderem a esta vã filosofia: os mentirosos, os masoquistas e os burros.

Em qualquer área da vida, quem se dedica deve esperar recompensa. É saudável que espere. É questão de amor próprio aguardar benesses que correspondam à dedicação dispensada para este ou aquele aspecto das nossas vidas.

Contudo – e prestem especial atenção neste ponto -, se você se dedicar por inteiro a alguma coisa que não seja do seu único e exclusivo interesse, dificilmente a recompensa virá à altura. Se você despejar o balde todo da dedicação, de uma única vez, nenhum retorno jamais será suficiente. E, no minuto seguinte, lá estará você, apontando o dedo para os outros para acusá-los de ingratidão.

Não se engane. A culpa não é dos outros. Eles estão certos. Errado é você que se entregou por inteiro a assuntos alheios.

Seja, portanto, modesto na dedicação a causas externas. Doe-se a conta-gotas. Dê um pouquinho de cada vez. E jamais, por favor, despeje todo o balde de uma vez só. Primeiro, porque ninguém é bom o suficiente para merecer tanto. Segundo, porque você não vai receber o mesmo em troca.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Morreu?

No dia 18 de janeiro, a CPI dos Bingos aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-caixa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e presidente do Sebrae, Paulo Okamoto.

Passados quase dez dias, ninguém mais tocou no assunto.

Gostaria de saber se a documentação já chegou às mãos de CPI – e quem a está analisando.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

“Amigas preparam minha cama com lençóis macios e gotas de perfume Obsession.”

(Senadora Heloísa Helena, na tarde de ontem, durante o depoimento do ministro Antônio Palocci na CPI dos Bingos)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Todos na horizontal

horizontal.jpg

Foto: Celso Junior/AE

Alguns assuntinhos só se resolvem na horizontal.

Que PSDB e PT estejam se engalfinhando na CPI dos Correios, não é impedimento para que você, leitor, eleja um governador apoiado pelas duas legendas.

Também não há mais problema algum se alí, no estado vizinho, o mesmo PSDB esteja aliado ao PFL para derrotar o candidato do PT.

No Brasil dos frouxos – quando não inexistentes – programas partidários, a diversidade regional virou desculpa para a maracutaia a céu aberto. E se o mau cheiro lhe incomoda, lembre-se da máxima que prevalece em Brasília: tudo vale a pena quando a grana não é pequena.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Enquanto isso…

Lula diz que só decide em junho se vai ou não tentar reeleger-se.

E pede calma à imprensa.

O presidente está certíssimo: por que declarar-se candidato se pode seguir fazendo campanha às custas dos cofres públicos? Por que não usar a máquina, descaradamente, até junho?

Depois é só alegar que era propaganda eleitoral “nao contabilizada”.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

E o galo cantou

Duda Mendonça continua no comando da situação.

Pelo menos é isso que se conclui, ao folhar os jornais de hoje. De todos os citados na matéria da última Veja, apenas o publicitário se preocupou em fornecer alguma informação: mediante seu advogado, ele nega, à Folha de São Paulo, que esteja fazendo qualquer tipo de pressão. Também avisa que está pronto a depor, tão logo seja convocado.

Os demais envolvidos no suposto acordão noticiado pela Veja, guardam silêncio.

A cada minuto vai ficando mais claro quem manda no galinheiro.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Um galo chamado Duda

Se forem confirmadas as informações trazidas pela última edição da Veja, vou me convencer de que galo mesmo, nesta república, só tem um: o publicitário Duda Mendonça.

Segundo a Veja, o ex-arauto do governo Lula está conseguindo intimidar parlamentares de todos os partidos. Duda, que quer evitar uma nova convocação para depor, anda fazendo telefonemas ameaçadores, nos quais promete avacalhar com todos os partidos. Segundo a revista, PFL e PSDB tremeram nas bases – e buscam evitar a convocação.

Alguns sugerem que a história toda não passa de notícia falsa, nascida do desespero das alas governistas. Se assim for, não será difícil colocar tudo em pratos limpos.

Amanhã é segunda-feira. Dia perfeito para que Jorge Bornhausen e Tasso Jereissati comecem a trabalhar pela convocação do publicitário. Que trabalhem às claras – e que sejam competentes para obtê-la – é o que se espera. De resto, não adiantará nada enviar Antônio Carlos Magalhães e Arthur Virgílio para espumarem, como de praxe, na tribuna. Comparados a Duda Mendonça, eles parecerão dois garnizés.