Arquivo de agosto de 2005

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Oh, céus…fui observada.

Dizem por aí que eu sou conservadora.

Quem me dera.

Nas últimas décadas, a vida dos conservadores que vivem abaixo da linha do Equador tem sido um mar de rosas. Basta que o sujeito trabalhe pela manutenção do pensamento hegemônico de esquerda para garantir um lugarzinho ao sol. Das bolsas de fomento nas universidades, passando por cobiçados espaços jornalísticos – e incluindo postos tão pomposos quanto o de conselheiro presidencial – os conservadores do pensamento socialista só se dão bem.

Também não é ruim a situação dos revolucionários de direita. Embora contem com menos apoio por parte dos mass midia, alguns deles conseguem furar o bloqueio ideológico, conquistando modestos espaços onde podem dar voz aos seus mais acalentados desejos – a saber, a quebra do monolítico discurso de esquerda, que tornou-se hegemônico desde a queda das ditaduras na América Latina.

E é através desta dicotômica lente que nossa afoita e observadora imprensa analisa o embate – embora, é claro, sem jamais arriscar-se a desafiar o establishment para redefenir os papeis de cada jogador no tabuleiro, como nós aqui ousamos fazer.

Difícil mesmo, nos dias de hoje, é ser um cão sem coleira. Complicado é sustentar um discurso que não se encaixe nos modelões propostos por quem domina o cenário intelectual. Perigoso é aprovar determinadas idéias sem importar-se com a origem das mesmas – mas na convicção sincera de que elas são boas.

Quando não é condenado ao ostracismo, quem assim age acaba ganhando um rótulo que atenda à essa linguagem binária – que satisfaça o apetite de um discurso fácil e polarizado, passível de ser digerido pelo vulgo letrado.

Não me espanta, pois, que digam por aí que eu sou conservadora.

Me espanta mais é que não tenham qualquer constrangimento em expor assim, sem cerimônia, suas próprias limitações.

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Militância petista: mais corrupta que a cúpula?

Estou, há uns dois meses, esperando que a militância petista vá às ruas exigir uma limpeza ética no partido que ajudou a construir. Não ouso nem mesmo falar de governo e mensalão. Fiquemos apenas na esfera partidária: para quem é sério, os crimes confessos de Silvio Pereira, Delúbio Soares e José Genoíno são suficientes para embrulhar o estômago. Deveriam ser suficientes para que a militância exigisse rapidez na punição dos envolvidos.

Se a militância petista fosse séria, neste exato momento, os diretórios do PT seriam alvo de manifestações e protestos. Se fossem pessoas íntegras, os militantes do Partido dos Trabalhadores, estariam fazendo muito barulho às portas dos diretórios, exigindo que as normas partidárias fossem desconsideradas em prol de uma verdadeira faxina naquela legenda.

Mas o que estamos assistindo é a total apatia. Nada parecido com a paixão política que os levava às ruas, empunhando a bandeira do PT, para induzir o eleitor indeciso a votar no “único partido ético deste país”. Não encontrei, ainda, um único militante petista indignado com o seu partido. Até agora, só vi militantes petistas dirigindo sua energia para desqualificar indícios, acusações e testemunhas. E, a grande maioria dos que encontro, continua pedindo “provas” – como se o afastamento voluntário da alta cúpula não fosse, por si só, a confirmação de que algo muito podre está acontecendo.

Depois de 25 anos, a militância petista está nu em praça pública. E é assim, com as vergonhas à mostra, que revela aquilo que os mais esclarecidos já adivinhavam: é uma militância alienada, desprovida de qualquer senso crítico, e que mantém uma humilhante relação de servidão para com o partido.

Por conta desta falta de integridade política, a militância petista acaba de perder o bonde de história.

A sociedade civil, sem bandeira partidária, começa a organizar passeatas – as primeiras, a serem realizadas em 07 de setembro.

Pedimos, por gentileza, que os petistas não compareçam.

Este é um movimento para quem tem vergonha na cara.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

O Emir que o Brasil dispensa.

Obrigado por realimentar no povo

e na esquerda o ódio à burguesia.”

(Emir Sader)

Príncipe do discurso maniqueísta, sempre à postos para defender o PT – não importando qual seja o caso ou a corrupção do dia -, Emir Sader desferiu um dos golpes mais baixos que já se viu no colunismo brasileiro. Em seu último artigo à Carta Maior, o filósofo predileto da cleptocracia instalada no governo federal, isola uma declaração do senador Jorge Bornhausen a fim de contextualizá-la ao sabor de seus objetivos mais espúrios.

E o objetivo de Emir Sader é claro, amigos: quer desencadear aquela acalentada luta de classes. Aquela luta de classes raivosa, que jamais encontrou ambiência no Brasil – e que agora, na visão do nosso mais sádico emir, deve ser desencadeada a fim de que a quadrilha petista seja mantida no poder.

Vendo nas atuais denúncias de corrupção aquilo que todo o brasileiro meramente esclarecido vê – que o PT e seu desgoverno estão politicamente acabados -, o senador Bornhausen declarou: “A gente vai se ver livre desta raça por, pelo menos, 30 anos”.

Desta raça“.

Força de expressão absolutamente comum, absolutamente compreensível para aqueles que não estejam empenhados em desencadear o ódio e a convulsão social. “Esta raça”,enquanto grupo de pessoas que se dedica à mesma atividade – a “raça dos bombeiros”, como tão bem exemplifica o Houaiss. “Desta raça” – tratemos de traduzir para o nosso raso filósofo – significa apenas: “esta raça de ladrões”…”esta raça esquerdista, que levou os piores vícios do sindicalismo corrupto aos corredores do Palácio do Planalto.

Qualquer criança entende isso. E Emir Sader também entendeu.

Contudo, em franco desespero, desprovido de argumentos que lhe sirvam para defender àqueles a quem sempre empenhou sua paixão política – e incapaz da silenciosa humildade intelectual sugerida por Marilena Chauí -, Sader meteu os pés pelas mãos.

Por conta deste destempero, Bornhausen é chamado de “banqueiro racista”. Pefelistas e tucanos são acusado de compor a “casa grande da política brasileira”. São, aliás, como os “amigos de FHC”, todos de direita. E a totalidade dos que não estiverem a favor do atual governo será, em breve “colocada no lugar que merece – a famosa lata de lixo da história”. Declarando que odeia Jorge Bornhausen – e que acredita não estar sozinho nisso – , Sader se despede com uma frase que envergonha toda a história da filosofia ocidental: Obrigado por realimentar no povo e na esquerda o ódio à burguesia.

Maniqueísmo barato, descontextualização de um discurso para manipulação política e preconceito social elevado à última potência. Nada de novo quando se trata do malabarismo ideológico de esquerda que viceja no meio político estudantil. A novidade é que um professor universitário, filósofo renomado, não tenha vergonha de assumir publicamente tão pueril discurso.

Sr. Sader…Vá ao dicionário do Houaiss e consulte o verbete “raça”. Estou certa de que o sr. encontrará ali algum esclarecimento.

Em seguida, escreva um novo artigo. Comece pedindo desculpas pela sua ignorância. O Brasil não precisa dela. O Brasil, aliás, não precisa de Emir Sader.

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

E como vamos?

O Banco do Brasil está dificultando a vida da CPI dos correios – pelo menos é o que o Delcídio Amaral vai reclamar ao Palocci, em reunião agendada para a manhã de hoje. Estaria o Banco do Brasil facilitando a vida do Bando do Brasil?

Mas a principal pergunta, nesta manhã de sexta-feira, é se vão cassar só o Roberto Jefferson. Se for assim, sugiro o povo na rua. Todos de cueca vermelha por cima das calças. Só uma mensagem visual desta natureza pode nos garantir que a imprensa não irá desvirtuar o motivo da mobilização: protesto enfático e definitivo contra a ClePTocracia instaurada neste país.

E se eu fosse você, iria correndo lá no Carrasco para ler uma entrevista do torneiro messiânico à finada revista O Cruzeiro. Creio que nunca, na hiftória defte paíf, se viu uma coleção tão admirável de mentiras.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Heloisa Helena fará comício na Daslu.

Pelo menos é isso que o Carl Amorim constatou a partir da última pesquisa Ibope. Segundo o Carl, a grande maioria que ajuda a senadora a aparecer com 5% na campanha presidencial tem estudo superior, renda acima de 10 salários mínimos e vive nas capitais do Sudeste brasileiro. Portanto, nada dos famosos “excluídos”.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Roda-Morta

Triste espetáculo a entrevista de Tarso Genro no Roda-Viva de ontem.

Durante os dois primeiros blocos, o atual presidente do PT se dedicou a criticar a atual política econômica. Disse que, na sua opinião, o governo deverá fazer – nos próximos meses ou “após a reeleição de 2006″ – uma correção de rota que permita maior crescimento e distribuição de renda.

E os jornalistas alí, boquiabertos com o fato do presidente do PT achar que tem moral para planejar um próximo governo Lula.

E se preparem, viu? Se preparem porque, quando questionado sobre os efeitos da atual crise sobre os destinos do partido, Genro disse que a situação do PT não era diferente daquela pela qual passara o PSOE espanhol.

Para quem não lembra: o PSOE, após quase 14 anos de governo, enxovalhado por inúmeras denúncias de corrupção, foi defenestrado do poder em 1996. Perdeu feio também em 2000. E perderia em 2004, se o atentado terrorista de 11 de março não tivesse mudado radicalmente o cenário político espanhol.

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

paloma.jpg

“Eu procurei o pessoal do Lula e pedi para vir aqui fazer esse depoimento. Para dizer o quanto eu estou chocada com o uso do terrorismo, com o uso do medo numa campanha para presidente da República do meu país.”

(Paloma Duarte – Outubro de 2002)

E agora, pombinha? Você virá a público dizer que está chocada com a quadrilha que ajudou a eleger? Pedirá desculpas ao povo brasileiro por tê-lo induzido a votar mal?

domingo, 21 de agosto de 2005

Esclarecendo algumas coisas.

Os últimos posts suscitaram uma série de comentários e e-mails que sugerem que estou apoiando uma provável candidatura de José Serra em 2006.

Não se apressem, crianças.

Nem Serra já é candidato, nem eu entrei em ritmo de campanha presidencial.

Se eu vivesse em São Paulo, também não gostaria de perder um prefeito como José Serra. Mas, se ele se mostrar o melhor candidato para derrotar Lula eu, como brasileira, apoio sua saída de lá. E podem me chamar de louca, desinformada ou coisa que o valha: até segunda ordem, continuo pensando que a melhor chapa incluiria Serra e Ackmin. Aliás, na sexta já havia um zum-zum-zum em Brasília que vai ao encontro do que penso: PFL e PMDB estariam articulando uma chapa própria.

Não quero fazer jornalismo ( viu, Noblat?). Não tenho vontade nem talento para tanto. Meu objetivo sempre foi comentar o que acontece no mundo e no país, trocando idéias com pessoas que se interessam pelos mesmo temas. O fato é que, por motivos que me escapam totalmente, este blog caiu nas graças de pessoas atuantes no cenário político nacional. Embora não comentem aqui, estas pessoas têm prestigiado o Nariz Gelado com algumas informações confiáveis. Se porventura surgirem notícias de outros partidos e tendências, elas serão igualmente publicadas por este blog – que é, antes de tudo, um espaço democrático.

Defendo algumas bandeiras, sim. É só dar uma olhada nos links aí ao lado para perceber que sou a favor da democracia, do capitalismo e da liberdade de expressão. Sou contra o anti-americanismo e o desarmamento. Sou absolutamente conservadora quando de trata de recuperar o ensino nacional e combater o terrorismo – mas posso ser liberal com relação a muitos outros temas como, por exemplo, o aborto. Sou, acima de qualquer coisa, um ser em evolução. Daí minha complexidade. Daí porque, muitas vezes, fica complicado me encaixar em estereótipos de esquerda ou de direita. Encontro boas idéias em ambos os lados da moeda. E me dou ao direito de fazer a minha própria “ópera da italiana doida”.

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Não sei como é que foi, só sei que foi assim.

Em nota publicada na manhã de hoje, com o título “Serra Topa Tudo”, Ricardo Noblat sugeriu que José Serra teria se oferecido a Teotônio Vilela Filho para subtituir Fernando Henrique Cardoso em uma palestra que o ex-presidente cancelou, de última hora, em Maceió.

Pessoa próximas ao prefeito de São Paulo nos garantiram, agora há pouco, que houve o convite para uma palestra, de fato, mas que a data não chegou a ser agendada. Nem houve, pelo lado de José Serra, a oferta de substituir FH.

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Tragédia Histórica

Desde o início da manhã, um incêncio está destruindo o belíssimo mercado público de Florianópolis. Até agora não há notícia de vítimas.Mas a estrutura corre risco de desabamento e explosões. É tocante o choro dos cidadãos que assistem as chamas consumindo parte importante da história da cidade – e ganha-pão de muitos pequenos comerciantes.