6 de fevereiro de 2010

Ainda a pesquisa Vox Populi

Comentário do leitor que se assina “Diógenes”  no post abaixo:

O nome do Serra estava certo na pesquisa. O nome aparece errado no arquivo gerado pela Vox p/o TSE.”

Vou aproveitar a  deixa para compensar a falta de tempo que me impediu de voltar ao tema ao longo da semana.

Nem vou entrar na questão técnica. Vocês devem ter lido, nas áreas de comentários de vários blogs, muitos entendidos alegando que um problema na geração do pdf teria invertido todos os nomes - e não apenas o do Serra. Pois não vou entrar nesta discussão por dois motivos: primeiro, porque não tenho conhecimento para tanto. Segundo, porque ela não tem a menor importância.

Ora bolas… Se houve ou não problema na geração do arquivo para o TSE jamais se poderá provar isso. Ou seja: o instituto pode até apresentar uma tabela impressa corretamente. Quem garante que não foi posteriormente impressa? Como farão para provar que foi aquela tabela, certinha, que foi às ruas?

Logo, se não há como provar a data de uma impressão, o que vale é o arquivo que foi enviado ao TSE. E é aí que chegamos ao que interessa: o arquivo errado foi  a-c-e-i-t-o  pelo TSE. Não só aceito como disponibilizado na internet. Isto significa, no mínimo, que ninguém revisa – ou revisa mal pra caramba -  os arquivos que os institutos de pesquisa enviam ao TSE. Desleixo preocupante em qualquer época – e muito mais num ano eleitoral.

É por isso que eu perguntei no post anterior e volto a perguntar: quem, dentro do TSE, aprovou o arquivo? Esta (s) pessoa (s) foi (ram)  responsabilizada(s) de alguma forma?

Esta é a informação que interessa. E que deveria interessar, incluside, à Vox Populi e a todos os institutos de pesquisa do país. Mais dia, menos dias, qualquer um deles pode se ver na incômoda situação de ter levado algo correto às ruas mas não poder provar que o fez porque o registro oficial da coisa está errado.

Bom sábado para vocês também.

31 de janeiro de 2010

Você votaria em Arres Ésoj para presidente?

Pois foi exatamente assim,  ”ARRES ESÓJ –  BDSP”  que o nome de José Serra apareceu em uma das cartelas utilizadas pelo instituto Vox Populi na última pesquisa presidencial (esta mesma, cujo resultado os petistas estão a comemorar desde ontem).

Era a cartela que solicitava aos entrevistados que escolhesem o melhor de três: Marina Silva, Dilma Roussef ou “Arres Ésoj”. Acho que nem preciso explicar porque Arres Ésoj, sujeito desconhecido de partido estranho e nome esquisito, acabou perdendo votos para as duas senhoras. 

A fraude foi descoberta pelo (sempre ele, né?)  Coronel. Clique aqui para saber de todos os detalhes.

De minha parte, faço apenas duas perguntas: qual o nome do funcionário do TSE que autorizou a pesquisa?  E, o mais importante,  o que o PSDB vai fazer a respeito?

21 de janeiro de 2010

Quem liga para o que acontece em Brasília?

Noblat amanheu dizendo que “ninguém liga para o que aconteceu em Brasília”. Justifica a conclusão a partir da falta de reações mais impactantes em relação ao mensalão do governo Arruda.

Não que Noblat esteja totalmente errado. De fato, se a maioria dos brasileiros ligasse para o que aconteceu em Brasília, Lula não teria sido reeleito em 2006. Nem Antônio Palocci, para citar apenas uma das muitas anomalias saídas das urnas, seria hoje Deputado Federal.

Mas tem, sim, uma minoria que se importa com o que ocorre na política nacional. E ela é um pouco maior que os ”gatos pingados” apontados pelo Noblat em seu artigo. Com base nas pesquisas de opinião, dá quase para ser exato: cerca de 17% dos brasileiros ligam para o que acontece em Brasília. Os outros 83% acham que Lula é “o cara”.

20 de janeiro de 2010

Como combater a incoerência?

O Brasil deve extraditar ainda hoje o uruguaio Manuel Cordero Piacentini.

Coronel da reserva, Piacentini é acusado de ter atuado na Operação Condor — movimento de repressão aos opositores das ditaduras militares do Cone Sul - e está com prisão decretada pela justiça uruguaia. Casado com uma brasileira, ele vive  no  Brasil desde 2005. Sua extradição foi aprovada pelo Supremo Tribunal Federal em agosto de 2009.

Extradite-se, pois, o homem. Cometeu crimes? Foi julgado e condenado em seu país? Extradite-se!

Porém, que  ninguém esqueça: não houve, para Piacentini, celeuma jurídica ou diplomática. O governo brasileiro só evita extraditar terroristas de esquerda – gente como o italiano Cesare Battisti e o ex-padre colombiano Olivério Medina.

É claro que nada disso é novo. O tratamento desigual já ficou claro em outras oportunidades – quando da extradição, na calada da noite, dos pugilistas cubanos, por exemplo. Mas vale a lembrança. Principalmente porque ela deixa evidente, mais uma vez, a dificuldade em se fazer um combate discursivo coerente com Lula e turma.

15 de janeiro de 2010

Outra vez

Não acompanho mais novelas com assiduidade. Não por elitismo pedante ou algo do tipo. É falta de paciência,  principalmente com aqueles arcos narrativos intermináveis, e de tempo – já que leciono à noite. Prefiro seriados. Das novelas, fico com os primeiros e os  últimos capítulos. As do Manoel Carlos, então, que ultimamente mais parecem um compêndio de medicina, me mantém longe. Sou da opinião de que médicos, hospitais e exames são  inevitáveis – cedo ou tarde, todos nós enfrentaremos tais coisas, seja por problema nosso ou de algum familiar. E elas são pesadas o suficiente na vida real. Não preciso de uma dose diária deste tipo de drama.

Mas a mami está por aqui e é noveleira. Não está fácil escapar do dramalhão. Ontem, portanto, dei de cara com o merchandising do filme do Lula no meio da novela. Ok, a Globo tem mesmo por hábito promover peças e filmes nacionais em suas novelas. Só que  este não é um filme qualquer. É um filme sobre o atual presidente da República, exemplo inédito de culto a personalidade patrocinado com o dinheiro público, em pleno ano eleitoral. Filme que, a despeito de toda a badalação chapa branca, é um fracasso de bilheteria.

Acho que a  Globo, que amarga até hoje aquela vexatória edição do Jornal Nacional com a mãe de Lurian afirmando que o então candidato à presidência sugerira um aborto, deveria ter evitado a ação levada ao ar ontem à noite. Não foi, é claro, uma ação tão direta ou eficaz quanto aquela de 1989. Mas é igualmente lamentável.

4 de janeiro de 2010

2010 Minimalista

Eu tinha pensado em fazer um post sobre resoluções para o novo ano. E tinha pensado em fazê-lo hoje mesmo. “Quem sabe”, imaginei,  “listando as coisas no dia 4 -  e não no dia 1º, como manda a tradição -  elas não têm mais chance de sair do papel?”

Mas aí eu me dei conta de que não há muitas resoluções. Pelo menos, não tantas para gerar uma lista.

Ok, há uma determinação de continuar com o programa de condicionamento físico. Mas eu tenho sido disciplinada nos últimos meses e, para falar a verdade, minha determinação nesta área está tão bem que fazer qualquer referência a isso numa lista de resoluções pode até acabar melando tudo.

Também há um desejo – conseqüência direta dos primeiros resultados com o programa de condicionamento – de  praticar alguma arte marcial. Eu sempre pensei nisso. Houve um tempo que sonhei com esgrima. Mas acho que, aos 44, os joelhos não agüentariam. Andei lendo sobre  Krav Maga outro dia. Ainda não me informei, porém,  sobre possíveis limitações etárias. Quem sabe?

E, então,  me vem outra idéia. Não chega a ser um desejo (acho que não) porque só lembro disso quando assisto alguma coisa relacionada: dança de salão. Fiz ballet e jazz quando garota e acho que não teria maiores problemas com a dança de salão. A questão é que todas estas coisas – dança, Krav Maga, esgrima -  ficam longe da minha casa. E, talvez, a minha primeira resolução para 2010 deveria ser o abandono da implicância com tomar banho em academia. Detesto. Não é nojo. É preguiça de carregar todo o arsenal necessário associada à impossibilidade psicológica de abrir mão do arsenal.

Então, exceto por estes três desejos (ok, ok, dois  desejos e uma vaga idéia ) há apenas a vontade de continuar com saúde e alegria para trabalhar, amar e curtir a vida. Listinha minimalista, eu sei. Mas é assim que eu ando ultimamente.

“E na política?”, quase posso ouvir o leitor mais assíduo perguntar.

Nesta área, nenhum desejo ou resolução, queridos. Não gosto de nada do que vejo por aí – o que me impede de desejar qualquer coisa. Há apenas uma determinação: de que nada do que eles – sejam gregos ou troianos – venham a aprontar me tire daquele eixo minimalista -  “alegria para trabalhar, amar e curtir a vida”.

Sim, eu me afastei um pouco da blogosfera política no último ano. Foi por força do trabalho; nada planejado. Mas estou desconfiada que o afastamento não me fez mal. Continuar criticando, ok. Dar boas risadas, ok. Bater em petista para desopilar o fígado, ok. Mas perder o humor, o treino ou a minha série favorita por conta de todas essas coisas…  Sorry, não vai rolar.

Um 2010 maravilhoso para vocês também.

25 de dezembro de 2009

Feliz Natal, turma.

natal2009

Paz, saúde e esperança para todos vocês.

22 de dezembro de 2009

PIG? Onde?

Os governistas incluem todos os veículos das Organizações Globo naquilo que eles chamam de PIG – Partido da mídia Golpista. O termo é uma criação de Paulo Henrique Amorim, ex-funcionário da Globo que – depois de ser demitido, é claro – adotou o velho clichê de cuspir no prato em que esteve se banqueteando.

E aí o Sport TV produz uma peça que é puro culto à personalidade. Para Roberto Marinho? Não. Para Lula mesmo.

Aqui.

21 de dezembro de 2009

Enfim, um homem moderno

Isso mesmo: moderno – e não pós-moderno. Enfim, um homem livre da insuportável  nostalgia rousseauniana que anda infestando os corações e mentes deste século XXI.

Falo de Bjorn Lomborg, o cientista político dinamarquês entrevistado para a última edição da Veja.

Como eu, Lomborg acredita que a ciêcia é o único caminho possível – inclusive para resolver problemas criados pela própria ciência desde que suas conquistas desaguaram naquilo que conhecemos como Revolução Industrial. Ele não nega o aquecimento global. Nega a importância que se atribui ao fato – e critica a  indústria que se criou em torno desta bandeira.

Vale a pena destacar alguns trechos:

A maioria das coisas que se veem por aí é marketing. É o chamado banho verde. Estão fazendo economia de energia como sempre fizeram, desde o início do século XIX, de quando datam as estatísticas. Todas as empresas, em todos os lugares, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, vêm reduzindo o desperdício de energia. (…) Cada vez que conseguem essa redução, anunciam que estão economizando CO2. Mas é óbvio que o que estão economizando são dólares. Não há nada de errado nisso. Só não devemos achar que elas estão salvando o planeta.”

Nos últimos 150 anos, o nível do mar subiu 30 centímetros. Pergunte a uma pessoa muito idosa quais as coisas mais importantes que aconteceram no século XX. Ela vai mencionar as guerras mundiais, ou talvez a revolução tecnológica. Sua resposta não vai ser que o nível do mar subiu.”

Resumindo: organizações verdes querem mudar a natureza humana, dizendo que não se deve querer ter ou gastar mais. É muito difícil mudar a natureza humana. Prefiro mudar a tecnologia. Assim, poderemos fazer o que quisermos, mesmo emitindo CO2.

Fala-se muito em aquecimento global. Mas as pessoas de verdade  têm problemas mais urgentes. A maioria das pessoas nos países em desenvolvimento, ou três quartos da população mundial, quer saber como sobreviver até a semana que vem.”

Pragmatismo, racionalismo e fé na ciência. Bjorn Lomborg é  um sujeito que ama a nossa civilização – e respeita os caminhos que nos trouxeram até aqui. Sim, ele vai para o trabalho de bicicleta. Mas, parodiando Voltaire,  não quer volta a andar de quatro ou viver em árvores.  Gostei do cara.

11 de dezembro de 2009

Direção perigosa

Duas coisas muito preocupantes ao longo desta semana.

Primeiro, a decisão do Supremo Tribunal Federal que manteve a  censura ao jornal “O Estado de São Paulo” e deu ganho de causa à família Sarney.  A decisão fere o  2º parágrafo do artigo 220 da Constituição Federal, que diz: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.” E é apavorante que a mais alta corte do país descosidere um artigo da magna carta.

A segunda coisa preocupante está em curso: se o TSE fizer corpo mole para aquele programa apresentado pelo PT ontem à noite, a eleição de 2010 vai ser um festival de irregularidades. Foi antecipação de campanha presidencial na maior cara dura. E, diante da condescendência do TSE com o evidente palanquismo governista dos últimos meses, não dá nem para dizer que é apavorante – é até  previsível que nada será feito para enquadrar o PT na legislação.

Mas o que realmente apavora é o conjunto da obra:  chegar às vésperas de uma eleição presidencial com um Supremo que  aprova o retorno da censura à imprensa  e um TSE  que pemite tudo ao partido do governo.

O nome disso é direção perigosa, amigos.